Prefeito de Criciúma quer 'filtro' no Bolsa Família após experiência nas ruas
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Vagner Espíndola acredita que benefícios sejam utilizados a favor do tráfico de drogas

Em entrevista ao Portal Engeplus nesta quarta-feira, dia 13, o prefeito Vagner Espíndola, afirmou que o governo municipal está realizando um filtro nos beneficiários do Bolsa Família que moram em Criciúma. A ação é um desdobramento da experiência de um dia como morador de situação de rua vivida pelo chefe do Executivo.
Espíndola acredita que cartões de benefícios possam ser utilizados para a favor do tráfico de drogas. “O Bolsa Família não é o melhor programa para tirar as pessoas da rua. É, sim, para mantê-las na rua. No momento que a pessoa recebe R$ 639 que seriam para matar a fome e, por conta da sua situação, não consegue [administrar o dinheiro], este cartão do benefício já não está mais com ela. Está com quem alimenta o vício”, analisou. “Vi cartões na região dos trilhos. Não lembro se era o Bolsa Família, mas era um cartão de benefício”, contou o prefeito.
Ele levará o assunto para debate no âmbito federal. “Estamos trabalhando fortemente para fazer um filtro em todas as pessoas que recebem o Bolsa Família e que não estão mais em posse dos seus cartões. Vou levar isso para o Congresso Nacional para discutir com os nossos deputados”, acrescentou.

Medidas pós-disfarce
Após ficar quase 24 horas disfarçado de pessoa em situação de rua, o prefeito de Criciúma anunciou medidas para tentar atenuar o problema. Uma das ações imediatas foi a ampliação do número de vagas para tratamentos voluntários. Outra iniciativa foi a criação de uma lei que instituiu o Programa Municipal de Internação Involuntária de Dependentes Químicos e de Pessoas com Transtornos Mentais, que ainda carece de regulamentação e credenciamento de clínicas especializadas para ser colocado em prática.
“Ampliamos a nossa equipe de abordagem. Hoje é formada por 37 pessoas. É um trabalho que não fica somente nas orientações às pessoas em situação de rua, mas também há um acompanhamento feito diretamente com as famílias. Trabalhamos os vínculos parentais. Em julho, dez pessoas que estavam em tratamento voltaram para as suas casas. Nove estão trabalhando e seguem tendo contato com suas famílias”, salientou Espíndola.
A Prefeitura de Criciúma tem debatido com forças de segurança a ampliação de operações de combate ao tráfico de drogas. Na avaliação de Espíndola, a drogadição é o principal motivo que mantém pessoas nas ruas no município.



