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Presidente da Acic defende estudo para avaliar melhor alternativa para linha férrea no Pinheirinho

Criciúma

Concessionária FTC afirma que discussão deve ser fomentada no âmbito do setor público

Por Thiago Hockmüller22 de novembro de 2023 4 min de leitura
Thiago Hockmüller/Portal Engeplus

O debate sobre o futuro da ferrovia na área urbana de Criciúma é acompanhado de perto pela Associação Empresarial (Acic). A entidade defende que estudos sejam realizados para conferir a melhor alternativa e que a discussão precisa ser fomentada no âmbito do setor público, com envolvimento dos governos Municipal, Estadual e Federal.

Para o presidente da Acic, Valcir José Zanette, é evidente que existe necessidade de intervenção, sobretudo na área da ferrovia que abrange o bairro Pinheirinho. “Tem que ter alternativas, pensar no futuro e pensar para frente. Na avenida Centenário, passava o trem no passado e hoje é uma avenida. Não digo que a ferrovia tenha que sair dali, mas tem que buscar alternativas”, declarou em entrevista ao Portal Engeplus.

Discussão na esfera federal

Criciúma conta com cerca de 15 quilômetros de ferrovia, com projeção desde o bairro Cristo Redentor, no limite com Içara, até o bairro São Marcos, no limite com Siderópolis. Existe ainda o ramal que sai do Pinheirinho em direção ao bairro Ouro Negro, em Forquilhinha, somando mais 9 quilômetros. Como diretriz do Plano de Mobilidade Urbana, há previsão para “implantação de uma nova avenida ocupando o atual traçado da Ferrovia Tereza Cristina, com a sua futura desativação”.

“Falei com o Benony Schmitz Filho, que é o presidente da Ferrovia Tereza Cristina (FTC). Ele deu sugestão e disse que essa discussão exige envolvimento do Governo Federal, do Estado e da Prefeitura. Ele disse que essa questão tem que ser discutida a nível nacional, com o Executivo nacional. Os portos, aeroportos e as ferrovias pertencem à União. A FTC tem um arrendamento, então essa movimentação tem que ser a nível nacional”, explica Zanette (foto acima).

Entenda o assunto

Partiu do vereador Miri Dagostim (PP) o requerimento que questiona a concessionária Ferrovia Tereza Cristina (FTC) sobre a transferência do pátio ferroviário localizado no bairro Pinheirinho e desta forma a desativação dos trilhos naquele local. Para Dagostim, a desativação dos trilhos na região do Pinheirinho aumentará a segurança no bairro e também contribuirá no desafogo do trânsito da avenida Centenário e da rua Imigrante Meller, os dois principais acessos para quem se desloca no sentido Centro/bairro em direção a Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) .

Em resposta ao requerimento, a FTC disse não haver qualquer estudo ou projeto com proposta de alteração do traçado, seja pela concessionária ou pela União. “Qualquer previsão de alteração no traçado da ferrovia deverá haver novas alternativas de rota para o transporte ferroviário que perpassa esse Município, de forma a garantir a prestação do serviço da FTC”, disse a concessionária.


Criciúma soma mais de 20 quilômetros de ferrovia dentro dos limites da cidade. (Fotos: Thiago Hockmüller/Portal Engeplus)

A FTC também sugeriu que a proposição de novas rotas de transporte ferroviário seja encaminhada pela Prefeitura de Criciúma à Diretoria de Infraestrutura Ferroviária (DIF), do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). “Para análise e manifestação, considerando a necessidade de desapropriação de áreas de terra e as interferências relativas ao planejamento e à mobilidade urbana. Portanto, caberá ao Poder Executivo sugerir onde deverá passar o novo eventual traçado da linha férrea situada nesse município, comprometendo-se, inclusive, com a desapropriação da nova faixa de domínio para reassentamento da linha férrea”, diz a resposta encaminhada pela concessionária.

Para o presidente da Acic, a construção de elevados ou túnel pode surgir como alternativa, porém, somente um estudo poderá esclarecer a melhor solução. “Ele (presidente da FTC) deu a sugestão de fazer o carro passar por baixo e a ferrovia por cima, isso exigiria obra. É uma alternativa, mas tem que estudar. As grandes cidades possuem túneis e elevados. Não somos contra e nem a favor de retirar dali, somos favoráveis a projetos e alternativas”, argumentou Zanette.

Sobre a FTC

A Ferrovia Tereza Cristina (FTC) é a concessionária da malha ferroviária sul catarinense. Com 164 quilômetros de extensão, passa por 14 municípios: Imbituba, Laguna, Pescaria Brava, Capivari de Baixo, Tubarão, Sangão, Jaguaruna, Içara, Criciúma, Siderópolis, Morro da Fumaça, Cocal do Sul, Urussanga e Forquilhinha, conectando o Porto com a Usina Termelétrica e o Terminal Rodoviário.

Conforme dados da própria concessionária, com números levantados até 2022, são mais de 70 milhões de toneladas transportadas, mais de R$ 80 milhões investidos nos 14 municípios para o funcionamento da linha férrea e mais de R$ 297 milhões arrecadados ao Tesouro Nacional. Ainda conforme a FTC, são mais de 15 mil famílias atendidas por ano em projetos sociais, além da geração de mais de 140 empregos diretos.

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