Presidente do bairro Pinheirinho denuncia insegurança causada por pessoas em situação de rua
Criciúma
Arilton Mezzari destacou problemas envolvendo furtos e tráfico de drogas na região

O presidente da Associação de Moradores do bairro Pinheirinho, Arilton Mezzari, cobrou ações do governo de Criciúma para melhorar a segurança dos moradores, na manhã desta sexta-feira, dia 17. Ele afirmou que furtos e presença de pessoas em situação de rua têm se tornado um problema diário e cada vez mais grave na comunidade.
Segundo Mezzari, os casos afetam tanto o patrimônio público, quanto o privado e vêm gerando medo e prejuízo para comerciantes e moradores. “Os furtos são quase diários. O Centro Comunitário já foi alvo de furtos duas vezes. Primeiro levaram o relógio de energia e depois cortaram a fiação. A estrutura foi reinstalada, mas voltarão provavelmente a furtar. O Centro está sem água há quase dois meses, porque o hidrômetro também foi levado”, relatou ao Portal Engeplus.
O Supermercado Lisandra, localizado no bairro Pinheirinho, na rua Imigrante Benedet, também cobrou soluções na manhã desta sexta-feira, dia 17. O vídeo, divulgado nas redes sociais, relata o furto de fios e relógios cometido no estacionamento do supermercado e também em uma farmácia próxima.
Conforme Mezzari, o proprietário do estabelecimento está exausto com a situação. “Ele é morador do bairro e disse que não suporta mais, chegou a pensar em fechar o mercado, pois está muito complicado. A tubulação de alumínio foi furtada, trocaram por uma de PVC e furtaram novamente, em plena luz do dia. Está escorrendo água pela parede e não dá para consertar, pois no dia seguinte furtam novamente”, afirmou o presidente.
“Também não tem como colocar guardas para cuidar do estacionamento, pois os profissionais são coagidos. Os autores, geralmente usuários de drogas, vão em grupos de cinco a seis pessoas. Está se tornando uma situação caótica”, pontuou.
Confira o vídeo divulgado pelo Supermercado Lisandra, na manhã desta sexta-feira, dia 17:
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Abordagens da Assistência Social
De acordo com a secretária de Assistência Social de Criciúma, Dudi Sônego, equipes abordam pessoas em situação de rua diariamente pela manhã. “O primeiro lugar que vamos é o Pinheirinho. Estamos fazendo nosso papel e trabalhando incansavelmente nessas questões, mas até onde a legislação permite. Autores de furtos de fios, por exemplo, são presos e soltos em seguida. Precisamos de leis mais rigorosas para essas situações”, destacou.
Um problema agravante são pessoas que vem de outros municípios. “Ontem abordei um homem em situação de rua pela manhã, por volta das 7 horas. Ele disse que está há quatro dias na rua e é de Urussanga. Todos têm o livre arbítrio de ir e vir, então temos que respeitar a vontade deles, inclusive nas internações involuntárias”, contou a secretária.
Dudi pontuou que esse problema afeta não só Criciúma, mas um cenário global. “Escutamos relatos de pessoas que viajam para o exterior e dizem haver um número exorbitante de pessoas nas ruas. É algo mundial”, ressaltou.
Insegurança vai além do Pinheirinho
De acordo com Mezzari, o problema se estende para outros bairros, como Santo Antônio, Milanese, Operária Nova, Santa Bárbara, Santa Augusta, Boa Vista e Universitário. “A segurança está muito crítica. Em frente à Unesc e Satc (apenas como referência) há pessoas morando em imóveis abandonados. Onde há ensino, era para ser um local seguro, mas está entregue a usuários e pedintes que chegam a exigir dinheiro dos estudantes”, afirmou.
Segundo o subcomandante do 9º BPM, Major André Ferreira de Araújo, a região do Pinheirinho registra 6% dos furtos praticados em Criciúma. “Em Criciúma, 16,7% dos furtos são cometidos na área central e 15% na região da Mineira. O Pinheirinho é uma região preocupante em aspectos criminais gerais, inclusive temos operações constantes na região, como a ‘Força Total’, que está em andamento desde quinta-feira, dia 16”, observou.
O presidente também criticou a falta de estrutura e o excesso de burocracia enfrentado pela Polícia Militar (PM). “Os policiais fazem o que está ao alcance deles, mas os suspeitos são levados, assinam um Termo Circunstanciado e são liberados. A PM perde mais tempo preenchendo papéis na delegacia do que abordando nas ruas. Isso vira um paliativo”, destacou.
Tratativas com Ministério Público e possíveis soluções
O presidente afirmou que vai encaminhar um ofício ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) na próxima segunda-feira, dia 20, solicitando ações concretas e conjuntas. A ação contará com apoio dos presidentes dos bairros Santo Antônio, Santa Augusta, Milanese, entre outros, e também de empresários de região.
“Queremos uma operação envolvendo a Prefeitura, Secretaria de Assistência Social, PM, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Ministério Público e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Precisamos que abordem essas pessoas, façam cadastro e encaminhem para tratamento ou de volta às suas cidades de origem”, explicou.
Mezzari ainda defendeu reforço no efetivo policial. “A cidade cresceu muito, mas o número de policiais não acompanhou. É preciso abrir concursos públicos para a PM e a Polícia Civil. A insegurança está atrapalhando a vida de todos”, concluiu.



