Apae
Prevenção para deficientes, estímulo para cadeirantes
Por Redação Engeplus
3 min de leitura

É possível prevenir uma deficiência intelectual. E é possível abandonar uma cadeira de rodas. São duas marcas comprovadas por projetos, com resultados e números expressivos ostentados pela Federação das Apaes de Santa Catarina (Feapaes-SC) e expostos faz poucos dias pelo presidente Júlio César Aguiar ao ministro da Saúde, Ricardo Barros. “Evitamos o nascimento de 500 portadores de deficiências intelectuais ao ano, e temos mais de 200 ex-cadeirantes no Estado, tudo com os tratamentos que as Apaes oferecem”, orgulha-se.
Os dados entusiasmaram o ministro. A campanha Prevenir, um programa permanente liderado pela Apae, alcançou as cinco centenas de nascimentos de potenciais deficientes intelectuais evitados. “Se as gestantes não consumirem álcool, drogas, fumo, e que faça exames certos nos momentos certos, tome cuidados com alimentação, tudo isso está levando a esse ótimo resultado”, comemora o presidente. Ele lembra que o aplicativo Apae SC ensina como evitar o nascimento de pessoas com deficiência.

“Essa é a prevenção primária. Mas fazemos a secundária também”, realça. Aguiar conta que crianças de zero a seis anos que apresentem alguma deficiência intelectual devem ser levadas o quanto antes a uma unidade da Apae. “Avaliamos e iniciamos a estimulação. Temos 200 crianças por ano que dão alta das Apaes, que chegaram com atraso de desenvolvimento global e obtemos avanços com a estimulação, totalmente curadas e que poderiam, sem a prevenção secundária, ter deficiências leves ou médias”, enaltece o presidente.
Os ex-cadeirantes
“Somos referência nacional neste programa também”, destaca Aguiar. O presidente da Feapaes-SC menciona o funcionamento, Estado afora, de 80 kits de pedia suit, um equipamento que estimula deficientes físicos e os faz, em muitos casos, deixar a cadeira de rodas. Um deles está em uso em Criciúma. “Temos mais de 200 ex-cadeirantes em Santa Catarina, centenas de alunos que só ficavam deitados e hoje sentam e tem um pouco mais de conforto graças a esse equipamento”, enaltece.

Mais de 450 profissionais estão capacitados pela Apae para fazer uso, nas unidades catarinenses da instituição, do pedia suit. Dos 80, 18 são itinerantes, e percorrem o Estado. “Temos condições de prestar até 1,5 mil atendimentos ao ano e mesmo assim tem demanda maior, já que 50% da pessoa com deficiência intelectual tem algum tipo de deficiência motora”, explica.
Sem fila de espera
Para o ingresso de um novo aluno na unidade da Apae de Criciúma, por exemplo, são necessários no máximo 15 dias. “Desde que o pretendente se enquadre nos critérios de deficiência”, esclarece a diretora pedagógica Laktiel dos Santos Silva Alexandre. Atualmente, são 274 alunos na escola no Pinheirinho, com capacidade de receber até 300.
“Fazemos uma avaliação, é necessário um laudo médico atestando a deficiência. Temos avaliações de novos alunos toda semana ao menos até novembro já agendadas”, conta Laktiel. A diretora lembra que já se projetam reformas na sede para tentar ampliar o número de vagas a partir de 2018. “Tem havido um salto na procura depois do fortalecimento das campanhas de prevenção das deficiências”, observa.

Há casos que não são aceitos na Apae e encaminhados à rede municipal ou estadual de ensino. “Quando é algo leve ou não apresenta deficiência, pode acontecer um atraso de aprendizagem, aí não é conosco”, salienta a diretora.
O aumento da demanda vem sendo notado em nível estadual. “Contabilizamos o ingresso de mil alunos em 2015 e mais mil em 2016”, comenta o presidente da Feapaes. A Apae está instalada em 190 municipios catarinenses. “Mas prestamos atendimento para todos os 295 com nossos mais de 20 mil alunos”, conclui Aguiar.




