Saúde

Primeiro mês do ano promove reflexão sobre os cuidados com a mente

Janeiro Branco

Período é feito para quebrar 'tabus' e levar informação, analisa psicóloga

Por Emanuela Teixeira16 de janeiro de 2026 4 min de leitura
Freepik/Ilustração

A saúde da mente é tão significativo quanto a física, por isso o primeiro mês do ano é voltado a reflexão entorno dos cuidados que devem ser tidos com esse tema. O Janeiro Branco reforça a campanha de conscientização que alerta para a importância de não ignorar sintomas ou sinais de fragilidade mental.

Qualquer área da vida cotidiana, se negligenciada, pode causar falta de estabilidade e problemas. Com a saúde mental não é diferente, quando descuidada pode gerar várias doenças colaterais, que afetam negativamente o dia a dia das pessoas.

“A saúde mental impacta todas as áreas da vida: relacionamentos, trabalho, sono, saúde física e a tomada de decisões. Quando negligenciada, pode gerar ansiedade, depressão, irritabilidade, dificuldade de concentração, adoecimentos psicossomáticos e prejuízos significativos no desempenho profissional e na qualidade das relações pessoais. Muitas vezes, a pessoa continua ‘funcionando’, mas com sofrimento silencioso”, detalhou a psicóloga Aline Castagnetti Borges Pinto (CRP 12/14464).

Segundo a especialista, o período é feito para quebrar preconceitos e levar a informação para as pessoas. “O Janeiro Branco é fundamental porque convida as pessoas a refletirem sobre a saúde mental da mesma forma que já fazem com a saúde física. Ele ajuda a quebrar tabus, promove informação e incentiva o autocuidado emocional. Mais do que um mês específico, ele funciona como um gatilho de consciência, lembrando que cuidar da mente é um compromisso contínuo, diário e preventivo”, contou.

Buscando a ajuda necessária

O primeiro passo, para quem se descobre nesta situação, é reconhecer que precisa de ajuda e procurar um profissional qualificado. “A psicoterapia é um espaço seguro para compreender a origem do sofrimento, aprender novas formas de lidar com emoções, pensamentos e comportamentos e promover mudanças reais e sustentáveis. Em alguns casos, o acompanhamento multidisciplinar também é indicado”, comunicou.

A psicóloga destacou que algumas pequenas ações podem fazer grande diferença para um tratamento qualificado. Estabelecer limites saudáveis, manter vínculos afetivos de qualidade e ter pausas conscientes ao logo do dia, criam um ambiente de conforto para uma rotina corrida.

“Nomear emoções, em vez de ignorá-las, auxilia na regulação das emoções e pode ser feito pela comunicação clara e assertiva. Além disso, reduzir a autocrítica excessiva, ou seja, cobrar-se menos e valorizar as coisas que consegue alcançar, compreender que é bom o suficiente e capaz”, informou Aline.

Prevenção como ferramenta

Segundo a profissional, a saúde mental não se constrói apenas quando há crise, mas no cuidado cotidiano. “A prevenção começa com autoconhecimento e atenção aos próprios limites. Manter uma rotina equilibrada, respeitar o descanso, cuidar do sono, ter momentos de lazer, desenvolver habilidades emocionais e buscar ajuda profissional antes do sofrimento se intensificar são atitudes fundamentais”, descreveu.

Com sua experiência, um dos pontos mais eficazes é trabalhar o autoconhecimento aliado ao desenvolvimento de habilidades emocionais práticas. “Ajudo meus pacientes a compreenderem seus padrões de pensamento, emoções e comportamentos, e, a partir disso, construírem estratégias mais saudáveis para lidar com a vida. Quando a pessoa entende por que sofre e como pode agir diferente, o processo terapêutico se torna mais profundo e transformador”, destacou.

Convite social à empatia

Durante suas consultas, a psicóloga passa aos pacientes a importância da empatia no tratamento de qualquer doença que envolva a saúde mental. “O Janeiro Branco não é apenas uma campanha de conscientização, mas um convite social à empatia. Ele nos chama a olhar para o sofrimento emocional com mais humanidade — tanto o nosso quanto o do outro. Quando a sociedade fala mais sobre saúde mental, cria-se espaço para escuta, acolhimento e menos julgamento. Na prática clínica, percebo que muitos pacientes sofrem não apenas pelos seus sintomas, mas pelo medo de não serem compreendidos, de serem vistos como fracos, exagerados ou incapazes”, frisou.

“Quando a empatia é recebida pelo outro (não o julgamento), ela atua como um potente regulador emocional e relacional. Na prática clínica, observo que ser verdadeiramente compreendido produz efeitos profundos, muitas vezes mais eficazes do que conselhos ou tentativas de ‘resolver’ o problema.”

A comunicação nesse processo é essencial, pois, sem diálogo, não há como compreender o que está acontecendo. “Se eu pudesse resumir o Janeiro Branco em uma mensagem clínica, seria esta: ‘mais empatia, menos silêncio; mais cuidado, menos cobrança; mais escuta, menos julgamento’. Quando a empatia se torna prática diária, o Janeiro Branco deixa de ser apenas um mês e passa a ser uma postura de vida”, finalizou a profissional.

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