Criciúma
Professora que doou material escolar para aluno o reencontra depois de 19 anos
Marta Vieira e Leandro Oliveira se reencontraram na formatura do Corpo de Bombeiros dele
Por Rafaela Custódio
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Ajudar o próximo sem pedir nada em troca. Foi assim que Marta Vieira agiu durante 35 anos de carreira como professora do Ensino Fundamental e diretora da escola Dr. José De Patta, no bairro Colonial, em Criciúma.
Leandro Oliveira era morador do bairro e estudava na escola em que Marta lecionava. Quando chegou à 3ª série, seu pai, que trabalhava em mina de carvão, ficou desempregado. A situação da família se complicou e os materiais escolares dele não foram comprados. Porém, ele não ficou sem seus cadernos, lápis e canetas. A professora Marta doou todos os materiais para ele e o ajudou no momento em que mais precisou.

“Quando meu pai ficou desempregado, foi uma época complicada. As pessoas nos ajudavam, mas acabei ficando sem os materiais para ir à escola. Então, a Marta acreditou em mim e me deu todos os materiais escolares para aquele ano. Na época, não percebi a importância, até porque eu tinha nove anos, mas, com o passar dos anos, notei que ela me ajudou não apenas como estudante, mas como cidadão. Ela sempre me motivou a continuar e persistir nos meus sonhos”, conta. Além da 3ª série, Marta também contribuiu com os materiais escolares no ano seguinte.
Marta relata que sempre buscou ajudar os mais de mil alunos que passaram por ela nos 35 anos de carreira. “Sempre acreditei no ser humano. Plantamos a semente, mas muitas vezes não vimos a colheita, porém, não podemos parar de plantar e depois de 19 anos consegui perceber que um aluno de todos os que ajudei reconheceu meu esforço e isso já valeu a pena por todos os anos”, afirma.
O reencontro pelas redes sociais
Oliveira admite que sempre teve vontade de ter contato com Marta, mas com o passar do tempo tudo ficou mais difícil. “Passei em um concurso em Criciúma, mas não teve formatura, a faculdade fiz à distância e também não tive. Quando passei no concurso para o Corpo de Bombeiros, não pensei duas vezes em convidá-la, mesmo não tendo o telefone dela. Acabei procurando pelas redes sociais porque eu lembrava o sobrenome. Encontrei ela e a convidei”, lembra.
“A minha formatura foi em Tubarão em novembro do ano passado. No dia, a minha família se perdeu e não encontrou o local que aconteceria o evento. A Marta conseguiu chegar antes de todo mundo e foi ela que me entregou o certificado após 19 anos como minha professora”.
Leandro Oliveira
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Atualmente aposentada, Marta conta que não esperava pelo reencontro, mas foi algo que marcou sua história. “Fiquei muito emocionada. Foi algo incrível. Sempre fui pobre, vendi chup-chup para poder estudar e me formar. Sabia o que era pobreza e por isso sempre fiz questão de ajudar os alunos mais carentes”, explica.
Hoje, Oliveira, a esposa e seu filho moram em Abelardo Luz, na região de Xanxerê. “Moro longe de Criciúma, mas não esqueço o que vivi aqui. Minha família é da cidade e a Marta também. Sempre que venho para a região, vou também encontrar ela como está acontecendo nessa quinta-feira [dia 5]. Todo mundo precisa de ajuda, ninguém vive sozinho nesse mundo. É algo inesquecível da minha vida. Não foi apenas um material escolar, foi muita dedicação, conselhos, conversas e incentivos. Devo muito a ela e serei eternamente grato”, finaliza Oliveira.



