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Professores ACTs em quarentena aguardam promotoria para reivindicar vagas na justiça

Medida será viabilizada caso TJ determine abertura de concurso público e revise TAC

Por Thiago Hockmüller

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Foto: Thiago Hockmüller/Portal Engeplus/Arquivo

Professores Admitidos em Caráter Temporário (ACTs) que trabalharam nos últimos dois anos em Criciúma estão impedidos de serem contratados para o ano letivo de 2020. A medida faz parte de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado em 2016, no governo do então prefeito Márcio Búrigo, e estipula um período de quarentena de 12 meses para a recontratação de profissionais em fim de contrato e que atuaram neste período.

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Acontece que no processo seletivo para contratação de ACTs no município, realizado no último domingo, dia 22, na Unesc, cerca de mil profissionais barrados pelo TAC realizaram o exame. E, caso aprovados, poderão reivindicar a vaga judicialmente.

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Criciúma (Siserp) aguarda a manifestação da promotora Caroline Cristine Eller, titular da 11ª Promotoria de Justiça da Comarca de Criciúma, que estuda uma ação judicial contra a Prefeitura de Criciúma pedindo a abertura de concurso público - uma reivindicação da categoria, mas rechaçada pelo Paço Municipal enquanto não for aprovada a reforma administrativa no Congresso Federal.

"Acredito que a maioria, senão a totalidade dos que trabalharam no ano passado fizeram o processo. Depende deles, se quiserem entrar na Justiça ou não. Eles poderiam fazer o processo, nada impediu. O que vai impedir é na hora da admissão, no setor administrativo da Prefeitura, que não vai poder fazer (contratação) se o professor trabalhou no período (previsto no TAC). Então terá que cumprir 12 meses de afastamento, que chamamos de quarentena", afirma a secretária de Educação, Roseli de Lucca Pizzolo.

Segundo a presidente do Siserp, Jucélia Vargas, a abertura de concurso público, caso acatada pelo Tribunal de Justiça (TJ), derrubaria o TAC e daria aos profissionais a oportunidade de atuarem em 2020. “Não anularia (o processo seletivo), mas pode haver uma ressalva tirando a quarentena. A promotora disse que com um concurso tiraria a quarentena energicamente para 2020 e não impediria os professores de atuarem”, explica Jucélia.

Com base nisso, o Siserp orientou os professores barrados pelo TAC a realizaram o processo seletivo.

Pedimos que todos se inscrevessem, mesmo os que pelo edital não podem assumir. Esperamos ação judicial quanto a isso. A promotora está juntando provas para pedir a abertura de concurso público. EIa vai pedir que a Justiça exija concurso público baseada nestes dados. Se o prefeito acenar com concurso então retiraria com a quarentena para este ano

Jucélia Vargas, presidente do Siserp
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Categoria reivindica abertura de concurso e revisão do TAC. (Foto: Thiago Hockmüller/Portal Engeplus)

O TAC serve como uma forma de pressionar a Prefeitura para a abertura de um concurso público. Em outubro, vereadores estiveram reunidos com a promotora Caroline para pleitear uma mudança no termo assinado em 2016.

Na ocasião, a promotora reafirmou que se o município não apresentasse um plano para a contratação de servidores efetivos, não seria possível modificar o TAC. “A situação das contratações no município de Criciúma já se arrasta há muito tempo. São 10, 15 anos. Dos servidores municipais em exercício hoje em Criciúma, 1.140 são temporários. Isto é um terço do total”, avaliou promotora durante o encontro.

No dia 13 de novembro, o Siserp reuniu professores para um protesto em frente ao Paço Municipal para reivindicar a abertura de concurso público e assim preencher vagas que atualmente são distribuídas para ACTs.

Conforme o sindicato, a não abertura de concurso, aliado ao TAC, poderá prejudicar cerca de 600 professores que vinham trabalhando como ACTs e agora precisarão buscar processos seletivos e concursos em outros municípios.

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Primeiro a reforma, depois o concurso

Por outro lado, a Prefeitura de Criciúma explica que não há previsão para a realização de um concurso público. Primeiro porque o Paço Municipal aguarda a tramitação no Congresso Federal da reforma administrativa, que impactará os governos na esfera federal, estadual e municipal.

E segundo, conforme explicado pela procuradora-geral do Município, Ana Cristina Youssef, é que o próprio prefeito Clésio Salvaro pediu aos secretários um levantamento da necessidade de cada pasta. Só a partir disto, o município terá subsídio para definir a necessidade de abertura de concurso.

“A previsão é para assim que passar a reforma administrativa. Acreditamos que será em 2020, pois já está no Congresso. Quando for assinada pelo presidente e homologada nas prefeituras, nosso prefeito se comprometeu em realizar o concurso público”, explica a secretaria de Educação, Roseli de Lucca Pizzolo.

Ainda conforme o Siserp, o último concurso realizado no município ocorreu em 2014, teve validade estendida para 2016 e no ano passado, por meio de intervenção judicial, cerca de 110 profissionais foram chamados.

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