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Projetos de apoio e incentivo ao esporte

Criciúma vem investindo em projetos para manter atletas em equipes de rendimento

Por Lucas Renan Domingos

9 min de leitura

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Foto: Divulgação

Esportes em geral não dependem apenas do atleta para serem praticados, também é necessário que esse atleta em específico possa contar com uma rede de apoio e incentivo. Além de pessoas para assistirem e acompanharem as competições, também há necessidade de apoio financeiro para uniformes, materiais, transporte e alojamento para competições e locais adequados para treinamentos.

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A Fundação Municipal de Esporte (FME) de Criciúma é a instituição responsável por essas funções dentro do esporte, promovendo projetos que mantenham a assiduidade dos atletas nos treinos, que os apoiem, e, além de tudo isso, que façam crescer o interesse dos jovens da região pelos diversos esportes oferecidos.

“O município possui vários programas de apoio e incentivo na questão esportiva. O auxílio atleta é um deles, é uma lei que oferece aos atletas um valor para despesas recorrentes no esporte. Esse recurso tem como objetivo manter o atleta dentro das equipes de rendimento, pensando em um futuro dentro desse esporte”, afirma Gustavo Oliveira, diretor técnico da FME.

De modo geral, há outras formas de incentivo dentro do município também para atletas que não fazem parte de equipes de rendimento. Há espaços para treinamento, como quadras, pistas e campos nas praças públicas de Criciúma.

A região também promove o projeto “Mais esporte, mais futuro”, que visa trazer crianças para aqueles esportes em que há a necessidade de se começar a praticar quando o corpo ainda é jovem. É esse projeto que firma a parceria entre a Fundação e a Satc para oferecer um ambiente de treinamento aos pequenos ginastas.

“A ginástica é um exemplo de modalidade que depende de questões fisiológicas. A rotina de treinamentos precisa ser iniciada ainda jovem, porque o crescimento prejudica algumas habilidades que devem ser desenvolvidas, por isso surgiu a necessidade de incentivar crianças a entrarem logo cedo no mundo do esporte”, explica Gustavo.

Basquetebol: o trajeto até Criciúma

No inverno de 1891 em Massachusetts, no Estados Unidos, um grupo de alunos frustrados pelo frio solicitou ao professor James Naismith que inventasse um esporte coletivo que pudesse ser praticado em um ginásio. Assim nasceu o basquetebol. As regras foram oficializadas no ano seguinte, pela Associação Cristã de Moços (ACM), onde Naismith dava suas aulas.

O esporte chegou ao Brasil em 1896, importado pelo americano Augusto Louis para a Associação Atlética Mackenzie, de São Paulo. O jogo passou por diversas adaptações até de fato se concretizar como modalidade. A Federação Internacional de Basquetebol (Fiba) foi constituída em 1932. Quatro anos depois, o basquete estreava nas olímpiadas, em Berlim.

No Estados Unidos o basquete virou febre nacional. Apesar da principal liga de basquete americana, a NBA, surgir anos após, em 1946, o país berço do esporte adotou a modalidade como cultura. No Brasil, o esporte se concentrava em São Paulo e Rio de Janeiro. A Confederação Brasileira de Basketeball (CBB) surgiu em 1933. Na época, a prática do basquete se resumia a estes estados. Com o passar dos anos o esporte conquistou relevância nacional.

Chegada em Criciúma

No ano de 1974 Criciúma sediava os Jogos Abertos de Santa Catarina (Jasc). Porém, a cidade não possuía um time de basquetebol. Coube então a missão de encontrar um jogador e técnico para Fidélis Back, na época presidente da Comissão Municipal de Esporte (CME) de Criciúma. Back entrou em contato com José Antônio Carrilho, que acabava de se graduar pela Escola Superior de Educação Física de Bauru.

Carrilho aceitou o convite com uma condição: a criação de uma escola de base de basquetebol. O pedido foi aceito e então o primeiro time de basquetebol de Criciúma foi criado. No ano em questão, o Criciúma não obteve resultados satisfatórios. “Precisavam montar um time de basquete, então vim aqui, montei. Peguei uns caras que brincavam de basquete. E a sequência foi a escolinha. Que foi a retroalimentação para que depois de um tempo a gente tivesse um time que jogava os jogos abertos”.

A escola de basquete foi um sucesso. No ano seguinte, em 1975, com o time infantil, conquistava o título catarinense em Blumenau. O mesmo time disputava o infanto-juvenil no ano seguinte, conquistando o bicampeonato. Os atletas vinham dos colégios Marista, São Bento e Michel e treinavam sob a tutela de Carrilho, no ginásio Colombo Machado Salles.

Os treinos eram rigorosos. Com a falta de equipamentos, o técnico tinha que ser criativo. “Eu era muito carrasco no preparo físico. Fazia muito percurso. Nós íamos até o morro da bananeira, já fomos até o morro da TV, fazer percurso. O que a gente fazia: pegava uma câmera de pneu, botava no pescoço, amarrava as bocas, aquela escadaria do ginásio a gente ficava subindo, com aquilo no pescoço. Em um pé, com os dois pés, esse era o treinamento de impulsão que a gente fazia”. O resultado dos treinos era visível em quadra, porém os jogadores que mais se destacavam acabavam indo para outros times, que apresentavam melhores ofertas.

Atualmente o Criciúma possui uma paixão pelo esporte. Mesmo que ofuscado pela força do futebol na cidade, o basquete possui sua relevância. O time masculino, segundo Carrilho, consegue se colocar em nível igual com as grandes potências do estado, Blumenau e Joinville. Porém, a maior força da cidade em termos de basquetebol é a modalidade feminina.

A força do basquete feminino

O time de basquetebol feminino de Criciúma nasceu de uma parceria entre a prefeitura e o colégio Satc. No ano passado o Mampituba ingressou nesta parceria. A técnica responsável pelo time, Luana Minotto, acentua que conforme o projeto ganha destaque nacional instituições começam a demonstrar interesse. “Antes de mim não tinha basquete feminino aqui, quando eu comecei tinham poucas pessoas envolvidas, agora que temos pessoas falando de basquete”.

Luana assumiu o time em 2014 e no ano seguinte conquistaram seu primeiro título. Desde então, o desempenho de Criciúma no basquete feminino só melhorou. Os times são divididos em nove categorias: dos sete aos dez anos, dos 11 aos 12, sub-13, sub-14, sub-15, sub-16, sub-17, sub-18 e sub-19. No ano de 2021, todas as categorias chegaram ao final do estadual e as categorias sub-16, sub-18 e sub-19 foram campeões.

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Em nível nacional o projeto mantém o bom desempenho. Chegando em terceiro lugar no sub-16 e em quarto no sub-14. “A gente tem um bom desempenho, aqui dentro do Brasil a gente chega sempre. Pra gente é muito gratificante, a maioria das meninas são da casa, então foi a gente que formou. É bem trabalhoso, quando a gente chega nos resultados a gente vê que o trabalho tá dando certo”, ressalta Luana. Além do sucesso nacional, algumas atletas conseguiram constituir uma carreira nos Estados Unidos, jogando profissionalmente.

Basquete 3x3: a modalidade preferida dos jogadores casuais

A modalidade 3x3, que consiste em dois times de três jogadores disputando uma partida em meia quadra, é a modalidade preferida dos jogadores casuais. Em Criciúma, a quadra mais utilizada é a da praça da Cesaca.

Os times são decididos pelo lance livre, quem acertar entra para um time, quem ficar de fora forma outro time. Os jogos acontecem ao longo do dia, e muitas pessoas saem de sua cidade para jogar na Cesaca. “Eu saio de Cocal do Sul para jogar na Cesaca porque eu quero praticar meu esporte em uma quadra que tenha uma estrutura razoável e que me proponha o mínimo de prazer”, comenta o auxiliar contábil Junior Loh.

A praça conta com duas quadras integradas, suportando a prática simultânea de esportes como futebol e basquete, por exemplo, mas além do basquete os frequentadores, em suma maioria, preferem utilizar o espaço disposto para andar de skate. “Eu gosto de andar aqui porque tem esses bancos de cimento que dividem a quadra, é muito bom para fazer manobras de borda, por exemplo”, comenta o estudante Alisson Bombazar.

Ginástica: aumento na busca pela modalidade

A ginástica artística estreou nos Jogos Olímpicos no início da Era Moderna, em Atenas, em 1896. Os gregos acreditavam que a ginástica era uma junção de mente e corpo, e a praticavam como uma forma de garantir a boa forma, além de ser utilizada como uma preparação para outros esportes.

A modalidade já foi chamada de ginástica olímpica, ginástica desportiva e ginástica de aparelhos, já que esse esporte combina sequências de exercícios acrobáticos em diferentes tipos de aparelhos.

Foi o alemão Friedrich Ludwig Christoph Jahn quem criou a primeira escola de Ginástica Artística, em 1811, e desenvolveu os aparelhos cavalo com alças, trave, barras paralelas e horizontais, usadas até hoje, além de aperfeiçoar movimentos e saltos, mas foram os imigrantes europeus que trouxeram a modalidade para o Brasil, mais especificamente para Santa Catarina. Em 1858 criava-se a Sociedade de Ginástica de Joinville.

Ascensão da Ginástica em Criciúma

Em Criciúma acontecem treinos de ginástica rítmica e artística pela Fundação Municipal de Esportes. Segundo a treinadora e ex-atleta da modalidade artística Laís Bristot, o interesse por esse tipo de esporte cresceu durante os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, que ocorreu em 2021 por conta da pandemia de Covid-19.

De acordo com ela, as crianças estavam “presas” em casa, e a partir daí acompanharam a trajetória da ginasta Rebeca Andrade, que conquistou medalha de ouro durante as competições. Dessa forma, passaram a sentir interesse pelo esporte e assim a busca por aulas de ginástica cresceu no município.

“Costumamos perguntar aos novos alunos o motivo de terem escolhido a ginástica e muitas vezes ouvimos que foi porque assistiram às competições de ginástica nas olimpíadas”, comenta.

Na região, a instituição responsável por incentivar este, entre outros esportes, é a Fundação Municipal de Esportes (FME), que em parceria com a Satc oferece um ambiente para iniciação à ginástica artística, para crianças de oito a 11 anos, onde Laís ministra algumas aulas.

“Eu e outras três professoras precisávamos de um lugar para treinar e a Satc nos cedeu um local para isso. A partir disso passamos a nos entender melhor com a instituição, e assim nasceu a parceria com a FME. A SATC cedia o espaço e a Fundação cedia o projeto”, relata Laís.

Segundo a ex-atleta, o incentivo ao esporte ainda na infância se faz muito necessário, uma vez que os treinos ensinam aos pequenos responsabilidade, disciplina e inteligência emocional para lidar com a pressão das competições.

*Sob a supervisão de Nádia Couto, professora do curso de Jornalismo do Centro Universitário Satc

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