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Contexto Internacional

Putin ordena envio de tropas para o leste da Ucrânia

Líder russo fala em missão de paz para as repúblicas separatistas no leste ucraniano

Por André Abreu

3 min de leitura

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Foto: Maxar Technologies

O Kremlin confirmou nesta segunda-feira (21/02) que o presidente russo, Vladimir Putin, deu a ordem para que suas tropas, enviadas nas últimas semanas para a fronteira russa com o leste da Ucrânia, adentrem o território controlado por separatistas pró-Moscou no país vizinho.

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A ordem veio pouco depois de Putin reconhecer a independência das autoproclamadas "repúblicas populares" de Lugansk e Donetsk, controladas pelos separatistas. O anúncio do líder russo significa um novo e severo agravamento nas tensões entre o Ocidente e a Rússia.

O envio forças russas para a região estava previsto nos acordos assinados por Putin com os líderes das duas regiões. Segundo o Kremlin, o objetivo da permanência de suas tropas no leste ucraniano seria realizar "funções de manutenção da paz”.

Não foi mencionada uma possível data para o envio das tropas, ou maiores detalhes a respeito. A ordem especifica apenas que "passa a valer a partir do dia em que foi assinada”. Nos documentos, Putin também ordenou ao Ministério russo do Exterior que estabeleça "relações diplomáticas” com as duas "repúblicas”.

Kiev não confirmou a entrada de tropas russas no leste ucraniano, mas algumas autoridades locais relataram que os soldados já teriam atravessado a fronteira. Pessoas na cidade de Makiivka, a 15 quilômetros de Donetsk, afirmaram ter visto veículos blindados russos se movimentando pela região.

Manutenção da paz

Uma fonte anônima informou que um grande comboio transportando soldados armados e equipamentos teria sido visto em solo ucraniano se deslocando rumo para a cidade de Yasynuvata, também nas proximidades de Kiev. Inúmeros relatos em mídias socias mostram imagens de veículos russos, supostamente, dentro do território da Ucrânia.

O envio de tropas poderá ser visto com uma ocupação militar da região. O artigo 3 dos acordos assinados por Putin em Moscou com os líderes das duas regiões separatistas especifica a "implementação de funções de manutenção da paz pelas forças da federação Russa”.

Os tratados, cujos conteúdos foram publicados no portal de internet da Duma (câmara baixa do Parlamento russo), afirmam que a Rússia deve estabelecer e administrar suas próprias bases militares no leste ucraniano, e asseguram o intuito de "proteger as fronteiras conjuntas”.

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Os textos "criam a base legal para a presença no território [das duas regiões] de formações militares russas, cuja presença é necessária para manter a paz na região e assegurar segurança confiável”.

Os acordos têm validade inicial de dez anos, com a possibilidade renovação automática.

A estratégia de Putin busca isolar o Ocidente na tentativa de proteger a Ucrânia e coloca em xeque a liderança diplomática dos Estados Unidos, sob o governo Biden. A retirada das tropas do Afeganistão enviou uma mensagem para o mundo de que os EUA precisam arrumar a casa primeiro antes de resolver conflitos externos.

A ameaça russa coloca o presidente Biden numa posição não muito confortável em um ano eleitoral em que pode perder o controle do Congresso.

(Na imagem a movimentação de tropas, helicópteros e equipamentos militares russos na fronteira com a Ucrânia.)

*Com informações da Deutsche Welle.

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