Cheiro de enxofre
Queima de pirita no bairro Colonial: família pode deixar casa para novas intervenções em terreno
Prefeitura ofereceu aluguel social para auxiliar moradores; caso ainda não foi solucionado
Por Rafaela Custódio
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Segue sem solução a queima de rejeitos de pirita na rua Lúcia Jerônimo Adão, no bairro Colonial, em Criciúma. O problema se estende há quase três meses, forçando moradores da região a conviver com o forte odor de enxofre que propaga do subsolo. Os órgãos que acompanham o caso prometem intensificar as ações no local a fim de definir novas estratégias para parar a combustão.
Uma das medidas já sinalizadas é a remoção temporária de uma família do bairro. Foi na residência dos moradores que as chamas iniciaram, após o fogo ateado em madeiras se espalhar para o subsolo e atingir a camada de rejeito de mineração. A Prefeitura de Criciúma ofertou para a proprietária da casa um aluguel social de R$ 500 pelo período de seis meses, podendo ser prorrogado por mais seis.
A intenção é que a família tenha uma nova residência até que o problema seja solucionado. A Defesa Civil de Criciúma, a Agência Nacional de Mineração (ANM) e a Companhia de Pesquisa de Recursos Mineirais (CPRM) estão agindo para encontrar um método capaz de cessar a queima que já está se espalhando para terrenos vizinhos, conforme explicam o diretor da Defesa Civil de Criciúma, Fred Gomes, e o secretário de Assistência Social de Criciúma, Bruno Ferreira:
A proprietária da residência é Maria Lorena Adão, que trabalha como empregada doméstica. Além dela, moram na casa seus três filhos. A moradora diz aceitar a orientação do município de Criciúma para que ela deixe a casa, mas pede que uma garantia de solução para o assunto.
“Eles vieram aqui e jogaram terra no terreno e não resolveu. Eles querem que eu saia da minha casa. Mas vou para onde? Se eu sair daqui e eles vierem resolver logo em seguida, eu aceito ir para outra casa. Mas me falaram apenas que vão mexer e não falam o que vão fazer. Está saindo um monte de fumaça e cheiro. Se eles vierem e resolver o mais rápido possível, tudo bem. Se for para eu sair e não resolver, porque que eu vou sair? Eu quero é que solucione”, pontuou Maria.
Nos últimos dias a empregada doméstica tem buscado uma casa nova para ficar. “Com o valor de R$ 500 eu achei uma casa no Metropol. Ela tem só dois cômodos. É pequena. A minha aqui tem dois quartos, sala, cozinha e banheiro. E ela foi reformada recentemente. Troquei o telhado, ajeitei o banheiro. E tudo com doação, porque eu não tinha condição de pagar. Agora está nesta situação. Esta semana devo ir na prefeitura para ver como vai ficar o meu caso”, relatou.

Um dos quartos da casa da Maria está temporariamente desativado, servido apenas para depósitos de alguns móveis e colchões. É que a queima da pirita já avançou para baixo do imóvel, esquentando o piso. “Era o quarto onde a minha filha dormia. Agora ela não fica mais ali. Não tem como ficar ali. Às vezes é bem mais quente e o cheiro é bem forte”, afirmou.
A saúde também está prejudicada, já que a combustão gera o forte odor de enxofre. “Tenho dor de cabeça todos os dias e dor de estômago também. Já era para a gente ter saído daqui, mas ainda não encontramos casa”, frisou Maria.
A Defesa Civil atuou no terreno por, pelo menos, três vezes e segue monitorando. O órgão municipal espalhou areia barrenta e argila no local para abafar a pirita e tentar parar com a reação química. Além disso, removeu pneus que estavam queimando junto com o rejeito de mineração. Apesar de amenizar o cheiro, a queima segue acontecendo e se espalhando para residências vizinhas.
Maria mostra onde piso da casa esquenda por conta da queima de rejeitos de carvão - Foto: Thiago Hockmüller/Portal Engplus

“O município está agindo de maneira emergencial. O problema é que a queima, que não foi natural, foi provocada, está em uma área urbana. As intervenções que fizemos surtiram o efeito esperado, que era amenizar o cheiro. Agora seguimos monitorando para ver o que mais podemos fazer. Prezando pela vida humana, pedimos para a Assistência Social trabalhar para tirar eles dali para preservar a saúde”, alegou diretor da Defesa Civil de Criciúma, Fred Gomes.
Caso a família não aceite sair, a Defesa Civil pode determinar a interdição da casa. “Só que isso é uma medida que não queremos. Por isso estamos oferecendo o aluguel social”, disse. Gomes não apontou quais novas ações deverão ser realizadas no terreno.
Defesa Civil já atuou trêz vezes no terreno, mas queima de mal cheiro e fumaça seguem - Foto: Thiago Hockmüller/Portal Engeplus

“Aquilo é uma reação química. Não é como jogar água e apagar um fogo comum. Ali nem chama tem é tipo brasa. E colocar água piora. É uma questão muito técnica. Por isso notificamos também a ANM e o CPRM para que dividam esta responsabilidade. E devo formalizar algum pedido de ação do Ministério Público Federal tambpem. Precisamos descobrir a mineradora responsável por aquela área. Ou, se não encontrar, daí a União precisa atuar”, completou.
O Portal Engeplus apurou que uma equipe da ANM estará em Criciúma nesta semana para visitar novamente o local nesta terça-feira, dia 23. O objetivo dos profissionais é definir, jundo da Prefeitura de Criciúma, uma solução definitiva e rápida para o caso.
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