Contexto Internacional

Regiões ucranianas invadidas pela Rússia votam em referendo

Em meio à guerra, moradores de Lugansk e outras regiões votam sobre adesão à Rússia

Por André Abreu23 de setembro de 2022 2 min de leitura
Mikhail Tereshchenko/TASS

Apesar de não haver reconhecimento por grande parte da comunidade internacional, incluindo os EUA, os referendos promovidos pela Rússia nas regiões invadidas da Ucrânia começaram e prosseguem nos próximos dias. Sob o domínio militar de russos, os moradores têm que decidir se querem ou não fazer parte do império de Putin.

Se os eleitores não vão às urnas, as urnas vão até aos eleitores. Nas regiões separatistas da Ucrânia iniciaram-se, nesta sexta-feira (23), os chamados "referendos" sobre a anexação pela Rússia.

Nas regiões de Lugansk, Donetsk, Kherson e Zaporíjia (sob controlo parcial das forças russas) respira-se democracia, pelo menos para o mundo ver. Há urnas móveis disponíveis para que todos se possam pronunciar até à próxima terça-feira, mesmo que o desfecho já esteja claro em Moscou.

O resultado "positivo" foi, aliás, profetizado a plenos pulmões pelo líder separatista de Donetsk, Denis Pushilin: "hoje está se fazendo história. Todos os residentes do Donbas, que sobreviveram heroicamente a todos estes testes durante oito anos, estão envolvidos. As pessoas não foram desencorajadas pela escolha feita em 2014, pelo contrário."

Em Kherson os moradores também respondem à pergunta se querem ou não se juntar à Rússia.

Cenário idêntico é visto em Mariupol onde a Rússia conseguiu a ocupação depois de semanas de bombardeios que provocaram a morte de dezenas de civis.

A Ucrânia recusa baixar a guarda.

"Todos nós estamos trabalhando para aumentar o apoio à Ucrânia em todo o mundo. Esta é a melhor resposta que podemos ter a par do que as nossas tropas estão fazendo no campo de batalha todos os dias e a cada minuto. Esta é a melhor resposta aos referendos, processos e ameaças da Rússia", sublinhou Oleksandr Kornienko, vice-presidente do Parlamento ucraniano.

As urnas fecham dentro de quatro dias, em 27 de setembro.

Nas regiões de Donetsk e Kherson a votação presencial ocorrerá apenas no último dia.

Para a presidente da Câmara Alta do Parlamento russo (Duma), Valentina Matviyenko, os residentes das áreas ocupadas estão decidindo entre "a vida ou a morte."

Mensagem dos EUA para Rússia sobre armas nucleares

Também hoje autoridades dos EUA revelaram de forma extra-oficial para a imprensa norte-americana que enviaram uma mensagem direta e reservada para a Rússia contra o uso de armas nucleares. A mensagem fala em possíveis consequências para a Rússia se Putin insistir numa estratégia de uso de armas nucleares.

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