Resgates marcam chegada dos primeiros pinguins de 2026 ao Litoral de SC
Ambiente
Eles foram encontrados nesse domingo, dia 12, em Balneário Arroio do Silva

Os primeiros pinguins-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) da temporada migratória de 2026 já foram registrados no Litoral catarinense. Duas aves encalharam vivas nesse domingo, dia 12 de abril, em Balneário Arroio do Silva.
Os animais são juvenis e apresentavam síndrome migratória. Um deles tinha suspeita de interação com redes de pesca. Segundo a médica-veterinária e responsável técnica do PMP-BP na Educamar, Amanda Dias, os pinguins estavam extremamente magros, debilitados e com temperatura corporal baixa. “Um deles apresentava lesões profundas nas asas e nas costas, sugerindo possível interação com redes de pesca”, explicou.
As aves receberam medicação, fluidoterapia e foram aquecidas com bolsa térmica e aquecedor para estabilização da temperatura corporal. Nesta segunda-feira, dia 13, passarão por nova avaliação para verificar a possibilidade de transferência à Unidade de Estabilização de Animais Marinhos da Udesc, em Laguna.
Os resgates
O primeiro acionamento ocorreu por volta das 7h30, por meio do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas (PMP-BP), após a identificação de um pinguim vivo na faixa de areia da Praia da Caçamba.
Enquanto a equipe se deslocava para o local, a moradora Sirlei Inácio Luiz permaneceu próxima ao animal para preservar sua integridade física e afastar possíveis riscos, como a aproximação de cães.
Cerca de duas horas depois, um segundo pinguim da mesma espécie encalhou nas proximidades da Praia da Meta, também em Balneário Arroio do Silva. O animal foi resgatado e encaminhado à base da Educamar, no Balneário Morro dos Conventos, em Araranguá, onde recebeu atendimento veterinário.
O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas (PMP-BP) é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, para atividades de pesquisa e aquisição de dados geológicos realizadas pela empresa TGS na Bacia de Pelotas.
Orientações à população
Em caso de pinguins encalhados, a orientação é não tocar nos animais, pois são silvestres e podem reagir. Também é necessário evitar contato próximo devido ao risco de transmissão de doenças, como a Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP).
A recomendação é manter distância, afastar curiosos e animais domésticos e não devolver o pinguim ao mar, já que o encalhe indica possível debilidade. Outro alerta importante é não colocar gelo no animal, pois, na maioria dos casos, eles apresentam hipotermia e precisam ser aquecidos.
Entre a Barra do Rio Araranguá e a Barra do Rio Mampituba, o resgate pode ser acionado pelo telefone 0800 641 5665, da Educamar.
Migração
Todos os anos, os pinguins-de-Magalhães chegam ao litoral brasileiro a partir do outono. Eles migram principalmente de colônias reprodutivas na Patagônia, na Argentina, com destaque para a região da Península de Valdés, seguindo cardumes e correntes de água fria.
Durante o trajeto, muitos animais encalham exaustos, desidratados, desnutridos e hipotérmicos, necessitando de atendimento veterinário. A temporada se estende até setembro ou outubro, quando ocorre o retorno às colônias.
A maioria permanece em alto-mar, nadando em grupos. Já os indivíduos que encalham são, em grande parte, juvenis em seu primeiro ano de vida, enfrentando pela primeira vez a migração. Sem experiência, têm dificuldade para se alimentar, se afastam dos bandos e acabam debilitados.
Além disso, há registros frequentes de interação com a atividade pesqueira. Embora não sejam alvo, os pinguins podem ser capturados incidentalmente em redes, caracterizando a chamada captura acidental (bycatch).



