Roberto Azevêdo e sua saída da OMC
Roberto Azevêdo fica como presidente da OMC até agosto

O brasileiro Roberto Azevêdo anunciou nesta quinta-feira (14/05) que deixará o cargo de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) em 31 de agosto, um ano antes do final de seu segundo mandato. Essa será a primeira vez na história do organismo criado em 1995 em que o chefe da organização renuncia.
"É uma decisão pessoal, familiar e estou convencido de que servirá aos interesses da organização", disse Azevêdo, de 62 anos, ao anunciar sua decisão em uma videoconferência que reuniu representantes dos 164 países e territórios membros do organismo multilateral.
À frente da OMC desde 2013, Azevêdo ressaltou que sua saída não ocorre por motivos de saúde, por ambições políticas e nem foi decidida espontaneamente. "Entre o confinamento e minha recente operação no joelho, tive mais tempo do que o habitual para refletir e cheguei a essa decisão após longas conversas com a minha família", acrescentou.
Azevêdo defendeu que a OMC precisa de um novo diretor-geral para delinear uma nova agenda diante da realidade que surgirá após a pandemia de covid-19, na qual "se deve garantir que o comércio contribua para a recuperação econômica mundial".
Azevêdo deixa o comando do organismo num momento crítico para a OMC devido ao bloqueio de seu principal mecanismo de resolução de disputas, o Órgão de Apelação, paralisado desde dezembro pela recusa dos Estados Unidos em nomear novos juízes.
Essa situação mergulhou a organização em uma crise sem precedentes em seus 25 anos de história, bloqueando seus principais mecanismos e uma das poucas instâncias internacionais cujas decisões são vinculativas.
Para contornar esse bloqueio, China, União Europeia e outros membros da OMC anunciaram em abril o lançamento de um órgão alternativo para a resolução de disputas.
Azevêdo comanda a OMC desde maio de 2013, após superar seis candidatos que disputavam também o cargo. Ele foi reeleito para um segundo mandato de quatro anos em 2017, numa disputa sem adversários.
Apesar dos esforços do brasileiro, que priorizou o aumento da capacidade comercial dos países menos desenvolvidos, durante seu mandato não houve grandes avanços nas negociações de acordos comerciais internacionais e, em 2015, foram abandonadas as conversas conhecidas como Rodada de Doha, que visavam uma maior integração das economias em desenvolvimento no organismo.
Destaque internacional
The Guardian diz que Azevêdo, 62 anos, deixa a OMC um ano antes de encerrar seu mandato. O brasileiro tem servido à Organização Mundial do Comércio desde 2013. O seu segundo mandato deveria terminar em agosto de 2021.
Segundo o site do jornal britânico, Azevêdo ameaça suspender as barreiras de mercado em meio à pandemia do coronavírus. Sem as barreiras comerciais o crescimento global seria garantido e evitaria um aumento ainda maior da crise global pós-coronavírus.
O anúncio da saída do brasileiro, que fica na OMC até agosto de 2020, também ocupou outros sites internacionais.
O site de investidores internacionais Bloomberg também destaca a saída do diplomata brasileiro em um momento dramático para a OMC.
O cargo estará vago, segundo o site, em um momento da briga comercial entre EUA e China e em um mercado prestes a entrar em profunda recessão.
The New York Times e Financial Times destacam o fato da saída prematura e que a organização entra em colapso diante dos riscos já colocados diante dela.
Os jornais impressos de amanhã deverão dar destaque ao anúncio pela capacidade de conseguir consenso do diplomata e pela forma repentina do anúncio desta tarde. As redações preparam os textos de análise da trajetória do brasileiro no comando da OMC e suas conquistas. Os desafios da organização em meio à luta comercial de Trump e Xi Jinping está na pauta de impressão dos principais jornais mundiais.
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