Rodovia de Criciúma registra mais de 20 atropelamentos de animais silvestres
Apenas em 2025
Principais espécies afetadas foram os quatis e também os gambás-de-orelha-branca

Somente em 2025, a rodovia Júlio Gaidzinski, localizada entre os bairros Mina Brasil e São Simão, já registrou o atropelamento de aproximadamente 25 mamíferos silvestres, que passam pela Área de Proteção Ambiental (APA) do Morro Cechinel, em Criciúma. As principais espécies afetadas foram os quatis e os gambás-de-orelha-branca, conforme os registros do biológico Vitor Bastos.
Porém, além dos quatis e dos gambás-de-orelha-branca, outras espécies também foram afetadas. O biólogo ressaltou que o trecho, que pertence à rodovia SC-108, que liga os municípios de Criciúma, Cocal do Sul e Urussanga, também já registrou o atropelamento de cachorros-do-mato, ouriços-cacheiros, tatus-galinhas, furões, gatos-maracajá e capivaras.
“Se formos comparar com outras regiões do Brasil, a Área de Proteção Ambiental do Morro Cechinel é uma área vegetal pequena, por assim dizer. Então, quando morre um indivíduo de determinada espécie daquela região, já afeta o crescimento da população daquele determinado animal nas próximas gerações. Quanto mais atropelamentos, mexemos com a população e estamos perdendo as cargas genéticas. A floresta vai ficando cada vez mais pobre”, disse, em entrevista ao Portal Engeplus.
Como uma forma de solução, Bastos disse que o problema poderia ser resolvido caso seja construído passagens subterrâneas para os animais silvestres que transitam naquela localidade. “Além disso, também pode ser feito o cercamento da floresta. É algo considerado fácil de resolver, mas o maior problema é que alguém precisar autorizar a construção desta obra”, afirmou.
Estado está ciente do problema
Ainda na manhã de hoje, o Portal Engeplus também entrou em contato com o coordenador regional sul da Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade (SIE), Miro Ghisi, que informou que o governo do estado está ciente dos casos de atropelamentos na rodovia Júlio Gaidzinski. Porém, o coordenador explicou que para ser feito intervenções é necessário um processo de estudo.
“Estamos cientes, porém, nosso foco é cuidarmos do trânsito e da circulação. As intervenções em relação aos animais silvestres devem ser feitas pelos órgãos de proteção ambiental. Dessa forma, se vier de determinado órgão ambiental a necessidade de realizarmos uma alteração, como travessias ou cercamentos, vamos acatar. Porém, até momento, não temos domínio sobre esta situação”, ressaltou Ghisi.



