Saberes ancestrais guiando o futuro: Criciúma fortalece políticas educacionais antirracistas
Consciência Negra
Evento reuniu mais de 120 educadores da AMREC para compartilhar conhecimentosmntos

Governo de Criciúma, por meio da Secretaria Municipal de Educação e do Programa Municipal de Educação para a Diversidade Étnico-Racial (PMEDER), realizou nessa quarta-feira, dia 19, o encontro “Tecendo Saberes: Práticas Pedagógicas para a Diversidade Étnico-Racial”, em parceria com o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas da Unesc (NEABI). O evento, de caráter acadêmico-pedagógico, reuniu mais de 120 professores da Educação Básica das redes municipais da AMREC para a socialização de experiências e metodologias de educação antirracista.
Durante todo o dia, cerca de 18 escolas apresentaram práticas desenvolvidas em sala de aula voltadas à desconstrução de preconceitos, à valorização da cultura afro-brasileira e indígena e à promoção de uma sociedade mais justa e igualitária. Também foram realizadas seis oficinas temáticas, voltadas ao aprofundamento de saberes ancestrais e ao fortalecimento do trabalho pedagógico.
Criciúma foi pioneira ao inserir conteúdos sobre cultura afro-brasileira e africana no currículo da rede municipal, ainda antes da promulgação da Lei 10.639/2003, que instituiu o ensino obrigatório da temática e reconheceu o dia 20 de novembro como Dia Nacional da Consciência Negra.
O prefeito Vagner Espindola destacou que o pioneirismo do município representa um compromisso contínuo com justiça racial e transformação social. “A educação antirracista não é um tema pontual, mas um compromisso permanente com o respeito, a igualdade e a formação de cidadãos conscientes do seu papel na sociedade. Criciúma vai além de cumprir a legislação: lidera com inovação e responsabilidade social, reforçando diariamente nosso compromisso com os direitos das crianças e adolescentes”, afirmou.
A secretária de Educação, Geovana Benedet Zanette, reforçou o trabalho diário das professoras na ressignificação de estereótipos e na valorização dos saberes africanos e indígenas dentro do calendário escolar. “As práticas apresentadas hoje mostram o quanto nossas escolas estão comprometidas em romper visões equivocadas e promover o reconhecimento da riqueza cultural e histórica dos povos africanos. Essa mudança começa na sala de aula e transforma vidas”, completou.
Educação como instrumento transformador
Para a coordenadora do PMEDER, Andreza Aparecida Fidelis, o evento fortalece o processo pedagógico de combate ao racismo e de afirmação identitária. “Este encontro compartilha conhecimentos que chegam às salas de aula como ressignificação da cultura afro-brasileira. A memória é uma ferramenta de poder. Quando empoderamos nossas crianças, elas transformam sua negritude em algo positivo e significativo”, destacou.
A coordenadora do NEABI, Normélia Ondina Lalau de Farias, ressaltou o impacto da educação antirracista nas novas gerações e o papel de Criciúma como referência nacional. “Prevemos que as futuras gerações, ao estudarem o continente africano com profundidade, transformem não apenas o ambiente escolar, mas também suas famílias e comunidades. O aumento da autoestima das crianças negras e o respeito das crianças não negras é resultado desse trabalho contínuo”, afirmou.
Pioneirismo e conquistas nacionais
O trabalho desenvolvido pela rede municipal de ensino de Criciúma recebeu, neste ano, dois importantes reconhecimentos nacionais que reforçam o compromisso do município com a equidade racial, a inovação pedagógica e a formação integral dos estudantes.
A Educação Municipal recebeu, em janeiro, o Selo Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, concedido a apenas 13 municípios catarinenses pelas ações de educação para relações étnico-raciais e foi destaque na Mostra de Experiências Inspiradoras do Ministério da Educação, com o Protocolo de Prevenção e Enfrentamento ao Racismo (PPER).
“Esses reconhecimentos em destaque nacional validam uma prática pedagógica inovadora e consolida políticas públicas comprometidas com a formação integral dos nossos estudantes e com a construção de uma sociedade mais justa, consciente e preparada para o futuro”, concluiu Geovana.
Colaboração: Gregori Flauzino.



