Saúde mental de crianças e adolescentes movimenta rede de atendimento em Criciúma
Solução precoce
Rede municipal orienta famílias e escolas a reconhecer sinais e buscar suporte

Ansiedade, sintomas depressivos, dificuldades de socialização e regulação emocional, e conflitos familiares estão entre as principais demandas relacionadas à saúde mental de crianças e adolescentes atendidas pela Rede de Saúde Mental de Criciúma. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, vem sendo observado uma maior procura por atendimento desta faixa etária, desde casos que chegam como prevenção até situações que demandam atendimento especializado.
Gerente de Saúde Mental de Criciúma, Leandro Maffei, explicou em entrevista ao Portal Engeplus que na rede são recebidas, principalmente, crianças e adolescentes em fases iniciais de sofrimento, encaminhadas por familiares, pela escola ou pela atenção básica de saúde. De acordo com ele, este movimento de prevenção é algo a ser fortalecido na rede, visando a intervenção precoce nos casos que envolvem a saúde mental dos jovens.
“Além destes casos, também recebemos situações de maior gravidade. Por isso, temos trabalhado para mudar a ideia de que saúde mental começa no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) ou somente quando ocorre uma crise. Saúde mental começa na prevenção, na orientação, na identificação dos primeiros sinais e no acesso oportuno ao cuidado”, destacou.
Observação na rotina escolar
No caso infantojuvenil, em Criciúma, segundo Maffei, as ações da rede são articuladas junto da Secretaria de Educação e Assistência Social, dependendo da necessidade apresentada. Segundo a secretária de Educação, Geovana Zanette, professores e equipes diretivas costumam ser os primeiros a perceber mudanças significativas no comportamento dos estudantes.

“Há alguns sinais que, apesar de não permitir diagnóstico, indicam a necessidade de escuta e avaliação cuidadosa, como isolamento, choro frequente, irritabilidade intensa, queda repentina no rendimento, dificuldade de concentração, faltas recorrentes, ansiedade excessiva e violência”, observou a secretária.
Geovanna explicou que, desde 2025, o município tem implementado o Serviço de Apoio Psicossocial Educacional (Seape), que consiste na atuação de psicólogos e assistentes sociais nas unidades de ensino para apoio às equipes, professores e estudantes, sem caráter clínico. Os estudantes que apresentam algum comportamento que demada atenção são acolhidos, com conversas que podem envolver as famílias. Conforme a complexidade, os profissionais orientam as equipes escolares ou encaminham para outros serviços da rede de proteção.
“A equipe do Seape acompanha e orienta a escola a não confundir e nem transformar dificuldades de desenvolvimento ou problemas pedagógicos e sociais em diagnósticos. As causas das queixas precisam ser identificadas, podem ser pedagógicas, familiares, sociais, emocionais ou relacionadas à saúde, exigindo análise ampla e multiprofissional para abordagem, intervenção ou encaminhamentos”, destacou.
Acolhimento familiar

Nos consultórios, segundo a psicóloga Laís Wasielevski, a demanda mais presente entre crianças e adolescentes é a ansiedade. Além de questões da própria idade, ela explicou que a ansiedade também costuma vir dos meios sociais, que passam por transição nesta faixa etária e acabam ficando mais complexos. Para ela, a forma como a família lida com queixas ou sinais que os filhos apresentam é fator decisivo na adaptação.
“É importante que os pais saibam que estão lidando com uma geração diferente e que, por isso, a conversa deve ser diferente, tentando acolher, ouvir e considerando verdadeiramente as demandas dos filhos. É importante estabelecerem limites e responsabilidades, mas com abertura para entenderem o que os filhos dirão. Apenas cobrar e brigar não é válido como forma de comunicação”, destacou.
Como sinais, a psicóloga pontuou que mudanças consideráveis do comportamento e rotina da criança ou adolescente devem ganhar atenção dos pais quando começam a causar impactos na qualidade de vida. “Gosto sempre de falar para as famílias incluirem seus filhos em atividades físicas, manuais, ou qualquer atividade para que eles consigam existir além da casa e da escola. Essas atividades extras melhoram o convívio social, a autoestima e também a ansiedade”, indicou Laís.
Segundo Maffei, atualmente no município, a integração das redes de saúde e ensino é o que vem fazendo a diferença nos atendimentos. Para ele, o diálogo, tanto das secretarias quanto dentro dos núcleos familiares é essencial nos casos envolvendo saúde mental.
“Precisamos dialogar, principalmente quando percebemos mudanças importantes no comportamento ou no desempenho de uma criança ou adolescente. Para as famílias, é observar alterações persistentes no sono, na alimentação, no rendimento escolar, no convívio familiar ou social. Não precisamos esperar que aconteça uma crise para procurar ajuda”, finalizou.



