Educação

SC tem a menor proporção de jovens que nem estudam e nem trabalham no Brasil

Nem-nem

Resultado sinaliza uma boa estratégia de inclusão de jovens no mercado de trabalho

Por Patrick Stüpp03 de março de 2025 5 min de leitura
Marco Favero/Arquivo/Secom

A parcela de jovens catarinenses entre 14 e 24 anos de idade que não estudam e que estão fora da força de trabalho ou estão desocupados é de 10,6%. Esse resultado posiciona Santa Catarina como o Estado com o menor índice de ‘nem-nem’ do país. O resultado é significativamente menor que a média nacional, de 17,3%, sinalizando uma boa estratégia de inclusão de jovens no mercado de trabalho de Santa Catarina.

Os dados sobre os ‘nem-nem’ em Santa Catarina são inéditos e foram gerados pela Diretoria de Políticas Públicas da Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan). Para tanto, foram feitos cruzamentos e análises pormenorizadas dos resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). O estudo tem como base os dados divulgados pelo Indíce Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) em fevereiro de 2025.

A expressão ‘nem-nem’ refere-se à denominação inglesa Not in Education, Employment, or Training (NEET). Em tradução literal, significa que a pessoa ‘não estuda, não trabalha, e não está em formação’. A expressão caracteriza os jovens que por algum motivo se encontram fora do mercado de trabalho e fora do sistema educacional.

Cabe ressaltar que a qualificação e inserção dos jovens no mercado de trabalho é uma preocupação que atravessa as esferas estaduais, nacionais e internacionais. Uma alta proporção de população ‘nem-nem’ pode significar que a juventude não está se qualificando para trabalhos futuros e também não está adquirindo experiência de trabalho no presente. Isso pode comprometer a inserção do jovem no mercado de trabalho, principalmente em relação a postos que requerem mais qualificação e, consequentemente, oferecem melhor remuneração.

Atenção internacional

Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) revelam que, globalmente, 20,4% dos jovens não estudam, não trabalham e não estão em programas de qualificação profissional. Na América Latina, esse percentual, apesar de alto, apresentou leve queda entre 2019 e 2023, passando de 21,3% para 19,6%. Quando estratificados, os dados da OIT revelam que dois de cada três jovens ‘nem-nem’ são mulheres.

No Brasil, de acordo com os dados da PNAD Contínua, o percentual de ‘nem-nem’ registrou queda de 18,3% para 17,3% entre o quarto trimestre de 2022 e o quarto trimestre de 2024. Já em relação aos dados estratificados, Santa Catarina segue a tendência internacional.

O estado apresenta 63,5% de mulheres que não estudam e nem trabalham e 36,5% de homens na mesma situação, entre a juventude “nem-nem” pesquisada. A Síntese de Indicadores Sociais do IBGE sobre 2023 revela os principais fatores que levam os jovens brasileiros à condição de “nem-nem”, conforme quadro anexo:

Panorama catarinense

A análise demográfica dos dados revela que 65,3% da população ‘nem-nem’ se identifica como branca. Já 33,8% se identifica como preta ou parda e 0,88% como indígena. Esses índices têm estreita relação com o número populacional do estado com idade entre 14 e 29 anos.

Entre o quarto trimestre de 2022 e o quarto trimestre de 2024, Santa Catarina registrou pequeno aumento no percentual de jovens ‘nem-nem’ entre 14 e 24 anos. Ou seja, o índice cresceu de 10,2% para 10,6%. Esse desempenho é o melhor alcançado no território nacional, seguido pelo Distrito Federal (10,7%) e pelo Rio Grande do Sul (11,6%).

“A geração de micro dados como os relacionados aos jovens no mercado de trabalho em Santa Catarina é essencial para traduzir a realidade socioeconômica local”, declara o Gerente de Avaliação e Monitoramento de Políticas Públicas da Seplan, Pietro Aruto. Ele pontua que, ao cruzar os dados de forma detalhada, é possível compreender o cenário catarinense, os motivos desencadeadores e as possíveis ações estratégicas que o Governo pode adotar.

Outro dado significativo em Santa Catarina diz respeito ao percentual de 5,4% de desocupação entre os jovens de 18 a 24 anos de idade. O índice é o terceiro menor do país, atrás apenas de Mato Grosso (4,7%) e Paraná (5,3%).

Educação básica, técnica e profissional

O Secretário de Estado do Planejamento, Edgard Usuy, ressalta que os resultados em Santa Catarina evidenciam o sucesso das políticas públicas implementadas no estado para diminuir o índice de jovens que não estudam e não trabalham, promovendo mais oportunidades e inclusão social. “A média catarinense de jovens desocupados é de 5,4%, o que representa uma superação positiva de 58% em relação à média nacional de 12,9%”, reforçou.

Ele salienta, ainda, que o Governo do Estado analisa a questão dos jovens de forma humanitária e estratégica, visto que muitos deles enfrentam desafios sociais e econômicos. Nesse sentido, o secretário esclarece que o Estado soma esforços para fortalecer a educação básica, técnica e profissional. Assim, Santa Catarina busca a formação integral dos jovens, além de apoiar a melhoria do mercado de trabalho como um todo.

A Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan), por meio da Diretoria de Políticas Públicas, desenvolve estudos pormenorizados com base nos dados oficiais. Acesse os boletins aqui.

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