Saúde

Setembro Verde: a importância de conversar com a família sobre a doação de órgãos

Conscientização

O número de pessoas na lista de espera por um órgão em SC em julho foi de 1466

Por Emanuela Teixeira11 de setembro de 2025 4 min de leitura
Divulgação/Hospital São José/Criciúma

O Setembro Verde é o mês de conscientização para a doação de órgãos e tecidos. Durante esse mês, a causa levanta a importância da conversa entre as famílias sobre a vontade de doar. Conforme a Central Estadual de Transplantes de Santa Catarina, em julho de 2025, o número de pessoas na lista de espera por um órgão foi de 1466.

Conforme a médica intensivista e coordenadora da Comissão Hospitalar de Transplantes (CHT) do Hospital São José em Criciúma, Marina Casagrande do Canto, dia 27 é o dia nacional de doação de órgãos e tecidos. “O mês todo incentiva a conversa sobre o assunto. Mesmo tendo um dia específico é discutido durante esse período para não ficar só naquele dia. E ser algo mais dito e divulgado. Então, o Setembro Verde, tem a missão de divulgar sobre a doação de órgãos e falar sobre o assunto. Algo que geralmente as pessoas não conversam em casa”, explicou a profissional.

Por ser algo que não pode ser garantido de forma escrita, a médica pontuou a importância da conversa nas famílias sobre a vontade de ser doador. “Nós, em vida, não podemos deixar escrito. Não tem nenhum documento que a gente registre isso. Em outros países até tem, mas aqui no Brasil não tem como. A única possibilidade é os nossos familiares, que vão responder por nós. Que vão dizer se somos doadores ou não. Então por isso, é tão importante a campanha, para ser conversada entre as famílias e divulgado sobre o assunto”, destacou.

Existem duas formas de ocorrer a doação de órgãos, em vida ou quando a pessoa falece. Para doação em vida, é necessário um processo de testes e até mesmo entrevistas, para não ter risco de venda dos órgãos. “No Brasil, pelas leis, você pode doar sendo um familiar de primeiro grau, em vida, fígado, um pedaço do fígado e rim. Mas precisa de toda uma tipagem sanguínea para ver se é compatível. Se for uma pessoa que não é da família, tem que passar por uma série de entrevistas da central de transparência do estado, além de outros testes”, detalhou.

Lista de espera divulgada pelo site da Central de Tranplantes de Santa Catarina. (Divulgação).

Já em relação a pessoas que falecem, no geral podem doar a córnea. Outros órgãos do corpo só podem ser doados em caso de morte encefálica. “Quando a morte é de origem encefálica, ou morte cerebral, é o momento principal de doar esses órgãos. Hoje em dia regulamos, nos pacientes que entram em protocolo de morte encefálica, todo esse protocolo. Toda vez que existe uma possibilidade de morte encefálica em algum paciente, temos um protocolo seguir para diagnosticar”, relatou Mariana.

Para a médica a maior dificuldade que sente dentro desse meio é falta de conversa nas casas. “As pessoas não gostam de falar sobre morte. Elas já tem por si só uma dificuldade de tocar neste assunto. E falar sobre a doação é algo, ainda mais difícil. Mas No momento que alguém consegue doar algum órgão, ela ajuda uma pessoa a ter uma qualidade de vida de novo, a ter uma vida decente”, pontuou.

Durante esse mês de conscientização, o hospital irá realizar algumas ações em busca dessa divulgação para a causa. “A instituição tem feito alguns vídeos para as redes sociais, tanto de doadores, no caso as famílias doadoras, como de receptores, então as pessoas que receberam esses órgãos. Eu também respondi algumas perguntas, e vai ser também divulgado ali nas redes sociais do hospital”, contou Marina.

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Uma dúvida frequente da população, é se a família que doa pode conhecer quem recebe. A especialista contou que não. “Não é feita essa apresentação, é totalmente desconhecido. O único jeito de conhecer é se ligarem dois fatos. Então se sair um órgão aqui e chegar em tal lugar e a pessoa conhecer. Só se ficar muito evidente, daí talvez, as pessoas descobram, mas não. Tanto que, quando é passado para a Central de Transplante, não é divulgado o nome. Pelo risco, porque nem todo mundo, quer ter esse contato”, frisou.

Mariana ressaltou que o órgão que regulamenta e registra toda essa área tem sede em Florianópolis. “A instituição tem um site onde eles divulgam tudo, lista de espera, o próprio protocolo. Qualquer um pode acessar e baixar as leis”, enfatizou.

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