Setor plástico Sul catarinense enfrenta incertezas com impactos da guerra no Irã
Impacto amplo
Ao longo do ano, segmento sentiu efeitos sobre matérias-primas, fretes e logística

Com o decorrer da guerra no Irã, diversos países e setores de fabricação e venda vêm sofrendo diferentes impactos. No início do conflito, o setor plástico brasileiro sofreu com os valores do petróleo, frete e logística, além de risco de desabastecimento e falta de materiais, como as resinas, matéria-prima para o plástico.
Segundo o diretor executivo do Sindicato das Indústrias Plásticas do Sul Catarinense (Sinplasc) e partner (sócio) da EC Advocacy & Advisory, Elias Caetano, o principal problema enfrentado pelo setor atualmente é a imprevisibilidade. “O Brasil depende de importações para suprir a necessidade de dois itens principais, o polietileno e o polipropileno, que são materiais amplamente utilizados para a fabricação de embalagens, sacolas, potes e itens domésticos”, explicou.
De acordo com Caetano, hoje o setor plástico não enfrenta as mesmas altas de valores que teve no início do conflito, porém os preços das resinas virgens, matéria-prima feita diretamente de fontes fósseis (como petróleo), permanecem acima do normal. “Já houve uma correção de 15%, mas o cenário varia bastante conforme a resina, sua origem e o frete”, afirmou.
Indústrias mais afetadas
As principais instituições atingidas pelos impactos da guerra, foram as indústrias de embalagens flexíveis e fabricantes de descartáveis, duas consumidoras intensivas de polietileno e polipropileno. “São segmentos muito relevantes no Sul catarinense e nos quais a matéria-prima representa a maior parcela do custo de produção. Por isso, oscilações de preço, frete ou disponibilidade das resinas são sentidas rapidamente pelas empresas”, afirmou Caetano. Além das fabricantes, produtores de invólucros rígidos e outros transformados que dependem de resinas virgens ou materiais de engenharia importados também foram afetados.
“Por outro lado, a indústria de reciclagem tem uma dinâmica diferente e pode inclusive ganhar importância estratégica. Isso acontece porque a matéria-prima reciclada nacional reduz parte da exposição da cadeia aos choques por oscilações externas e, com materiais virgens a preços altos, os reciclados também ganharam fôlego”, argumentou.
Além de indústrias, o comércio também passou por alterações com as altas nos preços. “O plástico é um insumo transversal. Quando resinas encarecem, sobe o custo das embalagens utilizadas por alimentos, medicamentos, higiene e diversos outros produtos. Isso não significa que uma alta de 20% na resina gere 20% de aumento no alimento: o impacto é diluído conforme o peso da embalagem no custo total, mas parte desse aumento pode chegar ao consumidor. A indústria de alimentos consome quase 20% da produção total de plásticos do país”, explicou o presidente.
Caetano ainda destacou que não há um índice confiável que permita dizer qual o percentual de aumento no valor dos produtos por causa da guerra. “O presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) tem alertado que as tarifas de 20% sobre o polietileno e o polipropileno de fornecedores externos podem transferir os custos para produtos, como alimentos, medicamentos e cosméticos, mas isso é uma expectativa, tendência comum de repasse. Não é uma inflação já ocorrida e medida”, finalizou.

