Tainha: governo federal anuncia aumento da cota de arrasto de praia para o Norte de SC
Flexibilização
Medida busca diminuir impacto do fim da safra após captura atingir 90% do permitido

O Ministério de Pesca e Aquicultura e o Ministério de Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) vai ampliar a cota da safra da tainha na modalidade arrasto de praia. A medida, porém, valerá apenas para o Litoral Norte de Santa Catarina. A informação foi confirmada nesta terça-feira, dia 9, após reunião entre membros do governo federal, do Governo de Santa Catarina e de representantes do setor pesqueiro.
A quantidade de ampliação da cota ainda não está definida e a pesca poderá ser retomada depois da publicação de portaria conjunta do MPA e do MMA. Até lá, a captura do peixe para arrasto de praia segue suspensa. Em 2026 a atividade registrou uma supersafra, com toneladas pescadas no litoral catarinense, o que fez a cota estabelecida chegar a 90% quase dois meses antes do previsto.
“Diante desse cenário positivo, o governo federal decidiu ampliar a cota de arrasto de praia para o Litoral Norte de Santa Catarina, que não conseguiu realizar a captura durante a temporada de pesca”, destacou Edipo Araujo, ministro de Pesca e Aquicultura do Brasil.
João Paulo Capobianco, ministro do Meio Ambiente e Mudança de Clima, defendeu que a ampliação só será possível por ações de controle adotadas ao longo da temporada para preservação da espécie. “Não é verdade que o governo federal quer acabar com a atividade no estado. O trabalho tem sido feito para garantir que a pesca continue acontecendo com responsabilidade, equilíbrio e segurança para a atividade pesqueira”, ressaltou.

Entenda o debate
A ação foi anunciada pelo governo federal após uma reunião emergencial na tarde desta terça-feira, dia 9, que debateu o encerramento da pesca da tainha na modalidade arrasto de praia. No último domingo, o MPA determinou o fim da safra após a cota de captura atingir 90%, conforme Portaria Interministerial MPA/MMA nº 51, publicada em 27 de fevereiro de 2026.
A notícia não agradou pescadores de Santa Catarina, que comemoravam uma supersafra com redes cheias e ficaram descontentes com o encerramento antecipado. Desde 2018, o governo federal passou a adotar cotas para a captura de tainhas, mas apenas em 2025 passou a valer para a modalidade de arrasto de praia. No ano passado, o limite estabelecido foi de 1,1 mil toneladas, que foi revisado para 1,3 mil em 2026.
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Na atual safra, conforme dados do PesqBrasil, ferramenta que monitora a quantidade de peixes capturados durante a safra, foram retiradas do mar 1,2 mil toneladas de tainha, o que corresponde a 91% da quota. A Secretaria de Aquicultura e Pesca de Santa Catarina (SAQ) avalia adotar medidas judiciais para reverter a situação e retomar a pesca.
O encontro na tarde desta terça-feira, que reuniu membros do Grupo de Trabalho da Tainha (GT Tainha), contou a participação de membros da Secretaria de Aquicultura e Pesca de Santa Catarina (SAQ), da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), da Federação dos Pescadores de Santa Catarina (Fepesc), da Federação Catarinense de Municípios (Fecam), da Associação dos Municípios do Nordeste de Santa Catarina (Amunesc), da Associação de Municípios da Região de Laguna (Amurel) e da Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí (AMFRI), além de membros das associações, sindicatos, fóruns e colônias de pescadores do litoral catarinense.



