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'Tem greve? Não tem problema’, afirma Clésio Salvaro sobre paralisação dos servidores municipais

Imbróglio

Os servidores municipais deliberaram por estado de greve a partir de hoje

Por Rafaela Custódio17 de maio de 2023 7 min de leitura
Rafaela Custódio/Arquivo/Portal Engeplus

A negociação sobre o reajuste salarial dos servidores municipais de Criciúma está trazendo descontentamento para todos os lados. O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Criciúma (Siserp) não está satisfeito com a proposta do município de 4,36%, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e pede 14,61%, que seria o reajuste de 4,36% e mais 10,25% em relação a anos anteriores. Já sobre a carreira dos professores, o município modifica o percentual de diferença de salários que hoje é de 20% entre professores formados no Ensino Médio e professores com faculdade para 5%. Já o prefeito Clésio Salvaro garante que não modificará os valores colocados em mesa.

Os servidores municipais de Criciúma deliberaram por estado de greve a partir desta quarta-feira, dia 17. Conforme a presidente do Siserp, Jucélia Vargas, a decisão foi tomada em assembleia, sendo aprovada por unanimidade. O encontro ocorreu na noite desta terça-feira, dia 16. Na próxima segunda-feira, dia 22, os servidores terão um dia de paralisação com algumas ações.

A ideia é até sexta-feira tentar uma abertura para negociação. "Continuamos na luta e principalmente tentar o diálogo, a abertura com o governo, secretários para que essa proposta avance e que a gente não precise fazer um dia de paralisação, que segunda-feira o projeto seja diferente do que está", afirma a presidente.

Salvaro destacou que não vai aumentar impostos para pagar o reajuste salarial e, não abre mão dos 4,36%. “Assumi um compromisso de não aumentar os impostos existentes e não criar impostos. Morar em Criciúma é morar em uma das cidades que paga o menor imposto. O Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) de Criciúma é o mais barato de Santa Catarina. A margem que temos de arrecadação é mínima, mas podemos ser melhor na eficiência do gasto, isso não significa tirar do couro do trabalhador. Quando se diz 4,36% [de reajuste] o impacto na folha de pagamento é de R$ 2.270.00,00 ao mês, impactando R$ 27 milhões ao ano”, detalhou em entrevista ao jornalista João Paulo Messer, da Rádio Eldorado.

O chefe do Poder Executivo criciumense ainda questionou os últimos atos. “Por que não votaram no projeto ontem [na Câmara de Vereadores]? Liberei minha base para votar. Vai impactar na folha R$ 2.270.00,00. Alguns professores vão ganhar 29.7% de aumento, a grande maioria 12.41% e ficam reclamando, então pedem a conta. O debate é político. Estão de olho na próxima eleição. Como ano que vem é ano eleitoral e não vamos encaminhar proposta, pois essa vale para 2023 e 2024, é um projeto eleitoreiro”, observa.

Ao ser questionado sobre os descontentamento dos servidores com sua gestão, Salvaro foi enfático. “Gosto do servidor que trabalha e não gosto do vadio. O vadio não dá. Mas o debate é eleitoreiro. É a eleição do próximo ano. Como o debate é eleitoreiro, vamos jogar na política. Era para ter rejeitado o projeto ontem, simples assim. Os meus vereadores estão liberados para votar à vontade. O governo vai negociar qualquer coisa abaixo do impacto de R$ 2.270.00,00, estamos dispostos, e qualquer coisa acima tem possibilidade zero [de passar]. Não vou mandar projetos de lei para aumentar os impostos dos cidadãos. Tem negociação? Para impactar menos de R$ 2.270.00,00 na folha. Podem votar contra o projeto, tem um detalhe, não pago os dias parados, não existe compensação. Zero compensação e desconto dia e repouso”, afirma.

Ele emendou afirmando que não paga salário para quem não trabalha. “Como vou pagar para quem não trabalhou? O cidadão contribuinte na minha cidade espera isso de um gestor, responsabilidade com dinheiro. O servidor não está sendo massacrado. Poderia ganhar mais? Mas procure outras prefeituras ou a iniciativa privada”, destacou. “Quero agradecer aos bons servidores municipais que recebem funções gratificadas e que dão o melhor de si a população, pois são eles que fazem da cidade ter uma avaliação positiva. O Salvaro está exagerando? Olha o resultado das urnas nas eleições. Sou grato aos servidores que se dedicam e atendem bem a população. O pior servidor é que atende mal o público”, acrescentou.

Salvaro afirmou que servidores municipais que fazem piquete não são bem vistos em sua gestão. “Nós vivemos em outro tempo. Nós não merecemos isso. Nossa cidade caminha a passos largos. Nós temos uma saúde boa, uma educação que compete com qualquer escola particular. Os professores de Criciúma são os que mais ganham em todo território nacional. Das 10 principais cidades catarinenses, nós ficamos com o segundo melhor salário, mas agora com índice de 12.41% teremos o melhor salário de Santa Catarina. Estou seguro e sou responsável com a gestão pública”, pontua.

Impostos

Salvaro insistiu que não vai mandar um novo projeto para à Câmara de Vereadores. “Aqui, é onde as pessoas pagam os menores impostos. Não está contente? Pede a conta. Vai trabalhar em outro município ou procura outro emprego. Não pedem a conta, pois não conseguem emprego em lugar nenhum. Ninguém é obrigado a trabalhar onde não quer. Não está satisfeito com o trabalho? Pede a conta. O prefeito não consegue demitir porque são estabilizados, porque se não fossem, colocaria todos na rua”, afirma.

Greve dos servidores

Com a assembleia dos servidores municipais, eles definiram por estado de greve e, Salvaro, não se preocupou com o ato. “Tem greve? Não tem problema. Já enfrentei greves politiqueiras 2009 e 2010 e enfrento de novo e garanto: o acesso de quem quiser trabalhar, terá. O servidor mesmo com greve e que quiser trabalhar o direito de ir e vir estará garantido. Acha que o prefeito está errado? Entra na Justiça. Sabe por que não entra na Justiça? Porque estamos certos e garantidos. Questionei minha equipe jurídica se estamos falhando em algo? Não estamos, estamos corretos. Então deixa entrar em greve”.

Diálogo

O prefeito garantiu que quer conversar e tratar o assunto de outra maneira. “Gostaria muito que o assunto fosse tratado de outra forma, o diálogo poderia ser as melhores condições de trabalho, meritocracia, quanto mais você produz, mais ganha. Temos uma empresa contratada que faz a conferência [da meritocracia], temos o 14° salário e os professores ficam quietos. Nosso governo trabalha, governamos uma cidade com 240 mil habitantes com cinco secretários. Nunca mais se ouviu falar que a Prefeitura de Criciúma é um cabide de emprego”, finaliza.

O Portal Engeplus está acompanhando o caso dos reajustes salariais e você pode ler mais sobre assunto abaixo:

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