Incerteza
Temendo desempregos, CDLs se juntam a manifesto estadual contra lockdown em Santa Catarina
Documento assinado por diversos órgãos foi encaminhado ao governador Carlos Moisés
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Um documento endereçado ao governador Carlos Moisés pede que se mantenha aberta a atividade econômica no estado e que ele não opte pelo lockdown. O ofício conta com o crivo de quase 150 órgãos espalhados por Santa Catarina, entre unidades da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDLs), associações, federações e sindicatos, todos ligados ao setor econômico.
A CDL de Criciúma é um dos órgãos que assinou o ofício e defende contrariedade a um possível lockdown. Para o presidente do órgão na Capital do Carvão, Tiago Marangoni, o fechamento irrestrito do comércio pode produzir a falência de diversas lojas e o desemprego em larga escala.
Ano passado, comércio ficou fechado por 26 dias. (Foto: Thiago Hockmüller/Arquivo Portal Engeplus)

“A economia faz parte do bem estar social. Nossa maior preocupação é que vai desestimular muito o emprego, isso é ruim. São famílias que dependem destes empregos. Temos uma grande responsabilidade, sabemos que há um problema, não só de saúde, mas que pode causar danos muito piores com desemprego, falta de renda e inflação. Estamos vendo o preço das coisas aumentarem. É perigoso o lockdown total ou parcial”, argumenta.

Apesar de aberto e com diversas ações para aquecer o setor, a CDL entende que o momento é de recuperação. O fechamento no ano passado, quase um mês entre março e abril, provocou prejuízos aos comerciantes que ainda buscam se reinventar em meio à pandemia. “Conversei com três lojistas que estão com empréstimo para não fechar. É boleto de R$ 20 mil, R$ 15 mil. Se fizer lockdown, como vão pagar? O varejo de moda está muito ruim. Tem lojas do comércio que estão no negativo. Tem outros setores que não estão tão ruins, mas estão abaixo”, explica Marangoni.
Neste cenário estamos apoiando ele (Carlos Moisés), que permaneça na decisão de não fechar. Ele tem esse intuito de manter a economia aberta, tanto que vemos recomendações do Ministério Público para fechar e temos que nos manifestar. Levamos essa carta de apoio para ele seguir firme no posicionamento de manter o organismo vivo e funcionando.
Tiago Marangoni, presidente da CDL
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Problema é outro
O presidente da CDL de Criciúma também explica que os comerciantes têm respeitado decretos e medidas sanitárias para prevenção ao novo coronavírus. E argumenta que o problema não está no setor, mas sim em festas clandestinas, reuniões informais e fora do ambiente profissional.
“Estamos reforçando com os associados, o comércio está se cuidando, utilizando álcool, usando máscara, não queremos fechar de novo. Percebemos que não somos o principal vetor de transmissão. São reuniões informais, festas clandestinas, onde as pessoas não mantêm distanciamento. No ambiente profissional as pessoas se comportam mais e quando saem baixam a guarda”, lamenta.
Horário do comércio pode aumentar
Enquanto tiver os números fortes neste aspecto, temos que contribuir, expandir. E quando voltar ao normal, que bom. Neste momento temos que nos mexer e pensar em novas formas de evitar o contágio.
Tiago Marangoni, presidente da CDL
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Nesta quinta-feira, dia 11, a diretoria da CDL se reúne para avaliar a extensão do horário de atendimento em lojas associadas. A ideia é oferecer possibilidades para precaver aglomerações e evitar o fechamento do setor. Marangoni explica que a ação vai sim gerar custos aos empregadores, porém, a oneração é muito menor que a falta de receita gerada por um possível lockdown. De acordo com ele, a extensão do horário também provocará redução do movimento em horários chaves no transporte coletivo.
“Em Criciúma estamos tentando mudar o horário de atendimento do comércio e expandir até 19h30 para que o comércio não fique no mesmo horário da indústria. É o esforço que todos tem que fazer. Ampliar o horário de atendimento vai diminuir a aglomeração. É melhor ampliar, trazer mais conforto, do que estar com lojas fechadas e com problema muito grande mais para frente. Já estamos contribuindo, mas podemos fazer mais”, pondera.
A reunião está marcada para as 11 horas.



