UTI e maternidade do Hospital São Donato podem ser fechadas por corte de verbas do Governo do Estado
Emergência na saúde
Novo governo não renovou convênios com o HSD, que pode demitir 70 funcionários em maio

O corte de repasses financeiros do Governo do Estado para o Hospital São Donato (HSD) pode provocar demissões de funcionários, fechamento de leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e o fim dos atendimentos na maternidade. No início de janeiro, não houve a renovação dos convênios que previam repasses de R$ 150 mil para manutenção da maternidade e cerca de R$ 630 mil para complementação do custeio dos 20 leitos de UTI - dez deles habilitados durante a pandemia da Covid-19.
O diretor-administrativo do Hospital São Donato, Júlio De Luca, afirma que tem até o início de maio para voltar a receber contrapartidas do Governo do Estado, caso contrário, não conseguirá sustentar os serviços e ainda terá que demitir 70 funcionários enfermeiros, técnicos em enfermagem e serviços gerais, sem contar médicos contratados como pessoa jurídica.
“É uma situação bastante complicada. Vamos avisar a Unesc que a partir de maio os alunos procurem outros locais para estágio, em maternidade e UTI, uma vez que o São Donato não terá mais estes serviços. É um momento de mobilização e conscientização de nossas autoridades”, avalia.
A estimativa é que a ala de UTI do HSD tenha ocupação média de 80%. O diretor explica que a secretária de Estado da Saúde, Carmen Zanotto, não justificou o corte no repasse, apenas disse que vai rever os contratos. “Ela acha que o São Donato está recebendo em dobro. Mas tu tens o Corpo de Bombeiros e paga todo mês o salário, a manutenção do caminhão, a estrutura e torce para não ter incêndio. Tu não paga só quando tem incêndio, e sim porque precisa da estrutura à disposição. Aí entra no Instagram da Secretaria de Estado da Saúde, ela baixou um decreto emergencial em função da dengue e do inverno que se aproxima. E isso fechando leito de UTI?”, questiona.
Adiantamento insuficiente
Sem a nossa maternidade, o único hospital com porta aberta para atender é o Materno Infantil Santa Catarina e não terá mais nenhum hospital de retaguarda 24 horas. A UTI, quando precisar de leito, vai conseguir em outro local do estado. Vai ficar longe, se é que vai conseguir leitos. É preciso mobilização das autoridades e vontade política do Governo do Estado.
Júlio De Luca, diretor-administrativo do Hospital São Donato
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Com o déficit gerado pela falta de recursos, o HSD buscou alternativas para manter os atendimentos e evitar as demissões. Uma delas partiu da Prefeitura de Içara, que adiantou o repasse de R$ 400 mil, separados em duas parcelas de R$ 200 mil, valor correspondente ao convênio de manutenção do pronto-socorro. O recurso foi utilizado para manutenção da maternidade e isto quer dizer que no final do ano ainda será necessário encontrar a solução para repor este dinheiro do pronto-socorro.
“O município de Içara antecipou um valor do convênio para pagamento do pronto-socorro, para continuarmos com a maternidade. O que o Estado paga é insuficiente. Hoje precisamos de R$ 250 mil. O Estado estava passando, até 31 dezembro, R$ 150 mil, que hoje já são insuficientes”, avalia.
A estimativa média do HSD é de 90 partos por mês. Sem o serviço em Içara, a demanda deve ser repassada automaticamente para o Hospital Materno Infantil Santa Catarina (Hmisc). Já as cirurgias de alta complexidade serão transferidas para outros hospitais de Santa Catarina.
“Vamos fechar e retroceder 20 anos no tempo. Isso vai trazer consequências, o Governo do Estado quer limpar a fila de cirurgias, mas para fazermos cirurgias de alta complexidade, de ortopedia, vamos precisar de leitos de UTI, sem isso não consiguiremos fazer. Nem a de média complexidade vamos garantir, porque não terá retaguarda para fazer a cirurgia”, alerta.
O HSD ainda não contabilizou o prejuízo que terá com as possíveis rescisões de funcionários.



