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Vagner Espindola fala sobre experiência em situação de rua e defende ações eficientes para enfrentar problema

Criciúma

O episódio foi realizado em 10 de julho e prefeito percorreu várias ruas da cidade

Por Rafaela Custódio29 de julho de 2025 3 min de leitura
Divulgação/Decom

O prefeito de Criciúma, Vagner Espindola, compartilhou sua experiência ao viver, por um dia, como uma pessoa em situação de rua. O episódio, realizado em 10 de julho, teve como objetivo testar a eficácia das políticas públicas voltadas a essa população e aprofundar o entendimento sobre os desafios enfrentados por quem vive nas ruas da cidade.

“Desde que assumi o governo, tenho falado sobre a importância de nos colocarmos no lugar do outro, de sentir o que a outra pessoa sente para, assim, desenvolvermos políticas públicas mais sensíveis e eficazes. E nada melhor do que vivenciar essa realidade pessoalmente”, afirmou Espindola em entrevista ao jornalista João Paulo Messer, da Rádio Eldorado. Para ele, o primeiro passo foi compreender se as políticas que estão sendo implementadas em Criciúma estão, de fato, atendendo a essa população de forma eficiente.

Durante sua vivência, Espindola percorreu o centro da cidade, as praças do Congresso e Nereu Ramos, e teve contato direto com a solidariedade dos criciumenses. "Enquanto estava em uma lanchonete, um menino me trouxe um copo de café, um senhor me deu um pão. Em menos de 15 minutos, consegui R$ 5,75 apenas pedindo nas sinaleiras", relatou o prefeito.

Vagner Espindola com outros moradores em situação de rua.

No entanto, ele também observou que muitas dessas doações acabam sendo direcionadas ao tráfico de drogas, um problema que ele destaca como um dos maiores desafios na luta contra a situação de rua. “Não é 100% das pessoas nas ruas que estão lá devido às drogas, mas eu afirmo com certeza que é 100% das pessoas que não saem das ruas por conta das drogas. Elas acabam caindo nesse mundo alimentado pelo crime e pelo tráfico”, afirmou.

Espindola também teve uma interação com a equipe da assistência social, que tentou encaminhá-lo para a República (antiga Casa de Passagem) no bairro Pinheirinho. Contudo, ele foi reconhecido antes de revelar sua identidade.

O prefeito já planeja mudanças significativas na abordagem local, como a implementação de políticas de internação involuntária para aqueles que não têm mais condições de gerir a própria vida. “Muitos desses indivíduos já não sabem mais o que é bom para eles, e precisamos de protocolos mais rigorosos para garantir que eles recebam o tratamento necessário”, declarou.

Para garantir a efetividade dessas medidas, ele buscará o apoio do Estado e da União, ressaltando que os recursos destinados aos municípios para tratar da questão das pessoas em situação de rua são insuficientes. “Esse ano, Criciúma gastará quase R$ 3 milhões com clínicas de recuperação. Embora esses programas sejam eficazes, o orçamento é escasso. Precisamos que os governos estadual e federal também se envolvam, senão, essa conta ficará para os municípios”, frisou.

Em Criciúma, a cidade já oferece uma série de serviços de apoio, como o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop), a República e as clínicas de desintoxicação. Apesar disso, Espindola enfatiza que sem um combate mais eficiente ao tráfico de drogas e políticas mais integradas entre os níveis federal, estadual e municipal, a solução para a questão continuará sendo parcial. “Se não combatemos de forma mais eficiente o tráfico e a criminalidade, vamos continuar enxugando gelo. Precisamos de políticas públicas mais integradas, que se complementem e tragam resultados concretos. A cidade tem feito muito, mas não conseguimos resolver esse problema sozinhos. A ajuda do Estado e da União é fundamental para que as políticas públicas sejam mais efetivas e abrangentes”, finalizou.

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