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Venezuelano celebra captura de Maduro em Içara: 'uma das maiores felicidades'

Segundo ele, o governo é responsável por anos de sofrimento à população

Por João Gabriel da Rocha

4 min de leitura

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Foto: EPA/Miguel Gutierrez/Agência Lusa

O sentimento após a captura do presidente Nicolás Maduro é de felicidade para o venezuelano Fernando José Calma Hernández, que vive em Içara há mais de dois anos. Segundo ele, o atual governo da Venezuela é autoritário e opressor, responsável por anos de sofrimento à população.

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Hernández nasceu em Caracas, capital do país, mas decidiu deixar a Venezuela em busca de melhor qualidade de vida e mais oportunidades no Sul de Santa Catarina. Antes de se estabelecer em Içara, ele morou por quase dois anos em Criciúma. “É uma cidade linda, tranquila, com muitas pessoas acolhedoras e que deu muitas oportunidades para mim e minha família”, destacou ao Portal Engeplus.

A decisão de deixar o país natal sozinho e se distanciar da família foi um dos momentos mais difíceis de sua vida. “Na minha cabeça vinham muitas coisas: não conheço ninguém, vou trabalhar com o quê? Será que vai dar certo? E a pior de todas: vou voltar ao meu país e abraçar minha mãe e meu pai algum dia?”, desabafou.

Segundo Hernández, a realidade na Venezuela é marcada pela insegurança alimentar e pela precariedade econômica. “Lá, quem tem um trabalho é para comprar um pouco de comida para a família. As pessoas vivem o dia a dia pensando no que vão comer amanhã. Quem mora lá sabe que 95% da população passa por isso”, relatou.

Hernández também criticou quem citou uma possível exploração do petróleo da Venezuela como argumento para se posicionar contra a captura de Maduro. Confira o vídeo:

Possível recomeço e visão do futuro

Ele afirmou que a captura de Maduro representa um momento de esperança e possível mudança para o país. “Para nós, venezuelanos de bem e trabalhadores, é uma das maiores felicidades que podíamos ter. Começa a cair um regime opressor, que durante muitos anos só deixou cicatrizes muito ruins para o nosso povo”, opinou.

Apesar disso, Hernández ressaltou que muitos moradores não conseguem sair às ruas para comemorar devido ao forte controle exercido pelas forças armadas. “Ninguém pode fazer isso na Venezuela. Existem grupos nas ruas para oprimir e matar a população”, lamentou.

Hernández também destacou que a crise alimentar é agravada pelos salários baixos e pelo controle estatal. “É a pior desvalorização do mundo inteiro. Na Venezuela, tudo o que envolve alimentos é controlado pelo governo e seus generais”, enfatizou.

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Atualmente, ele vive em Içara com a esposa e os dois filhos, enquanto pais, avós e outros parentes permanecem na Venezuela. “Ainda existe muito medo, ainda mais para quem tem familiares lá. O governo tem o poder de prendê-los e fazer desaparecer pessoas. Muitos membros do governo de Nicolás Maduro seguem no controle das forças armadas”, concluiu.

Sobre a captura de Nicolás Maduro

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado, dia 3, que o país realizou um ataque de grandes proporções contra a Venezuela. Segundo ele, ações por via aérea e terrestre atingiram a capital Caracas e outras cidades venezuelanas.

Em publicação nas redes sociais, Trump declarou que a operação foi bem-sucedida e resultou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

De acordo com o chefe da Casa Branca, o casal foi retirado do território venezuelano após a ofensiva. “Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque em larga escala contra a Venezuela e seu líder, que foi capturado e levado para fora do país juntamente com sua esposa”, escreveu Trump.

O presidente norte-americano acusa Maduro de chefiar uma organização criminosa ligada ao tráfico internacional de drogas. Por outro lado, o governo venezuelano nega qualquer envolvimento com o tráfico de drogas.

*Contém informações da Agência Brasil.

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