Final feliz
Vítima de assalto que teve salário roubado em Criciúma recebe doações e recupera pagamento
Valor levado por ladrões seria utilizado para pagar contas e comprar materiais escolares
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Como todo trabalhador brasileiro, a servente de limpeza Yasmin Brandão, de 28 anos, esperou pelos primeiros dias do mês para receber o salário. Na última sexta-feira, dia 4 de fevereiro, ela aproveitou o intervalo do trabalho para ir até o caixa eletrônico de um banco no Centro de Criciúma sacar R$ 1,2 mil do pagamento que havia recebido, mas foi surpreendida por um assalto e teve todo o dinheiro roubado.
Logo após sair da agência e caminhar aproximadamente 100 metros, Yasmin foi abordada por três criminosos, um deles estava armado. “Eles me perguntaram a hora, daí eu falei que não tinha e um deles me surpreendeu com a arma e anunciou o assalto”, conta a servente de limpeza. “O assaltante colocou a arma na minha cintura e falou: ‘Eu vi que você saiu do banco agora, me dá o dinheiro’. Aí eu tirei do meu bolso e entreguei”, detalha.
Com todo o salário da vítima em mãos, o trio de ladrões, dois homens e uma mulher, fugiu em direção à Praça Nereu Ramos e não foram mais localizados, mesmo com as rondas realizadas pela Polícia Militar (PM). “Por sorte eu tinha deixado o meu celular carregando na escola onde trabalho”, comenta Yasmin, lembrando que também poderia ter perdido o aparelho.
Planos com o dinheiro
Vivendo em Criciúma há apenas dois meses, depois de deixar a cidade de Porto Alegre (RS) para vir morar com os pais no Sul Catarinense, a servente de limpeza disse ter ficado desestabilizada com o assalto. “Eu jamais iria imaginar, porque o índice de assalto em Criciúma é baixo. Nem passou pela minha cabeça que isso poderia acontecer”, relata. Com o dinheiro Yasmin ia fazer o que faz a maioria dos assalariados. A gente trabalha para pagar as contas, né?”, lamenta.
Eu fiquei mais chateada porque eu sou mãe de gêmeos de dez anos (foto acima) e estava planejando comprar o material escolar deles. Eu já ia comprar algumas coisas no Centro, aproveitar meu intervalo. Infelizmente tive esta má sorte
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Yasmin Brandão, vítima de assalto no Centro de Criciúma
Se uns roubam, outros são solidários
Só que a tristeza da jovem por conta do assalto logo virou alegria. E a ajuda partiu da solidariedade de pessoas desconhecidas. Depois de ler a matéria sobre o roubo, Liliane Fernandes, CEO de uma empresa de recrutamento e seleção de pessoas, se comoveu com a história de Yasmin.
“Eu vi a notícia que ela tinha sido assaltada, que era R$ 1,2 mil e que o valor era todo o salário dela. Trabalhando na minha empresa, eu sei o quanto é difícil para algumas pessoas ter um salário para sustentar a família e quanto muitas pessoas ficam felizes em ter um trabalho. Ao saber que aquele R$ 1,2 mil era o a única coisa que ela tinha, eu pensei em ajudar”, afirma Liliane.
Leia também: Mulher é assaltada no Centro de Criciúma após sacar salário em banco
Aproveitando seu engajamento nas redes sociais, a CEO começou a divulgar o caso até encontrar o contato de Yasmin. Após conversar com a servente de limpeza e ter acesso ao boletim de ocorrência, certificando-se de que a jovem era realmente a vítima do assalto, ela iniciou uma campanha na internet. O objetivo foi arrecadar o valor do salário roubado para que Yasmin não ficasse sem o pagamento.
“Eu fui em todas as pessoas que estavam falando que iam ajudar e passava o boletim e o pix da Yasmin. Teve bastante pessoas que colaboraram e muita gente veio atrás para pedir o pix para ajudar”, explica a CEO.
As doações vieram começaram a surgir de diferentes lugares. “Eu compartilhei nas redes sociais e começamos a repassar para familiares, amigos, colaboradores da minha empresa. Tivemos doações de São Paulo, Blumenau, Criciúma”, enumera Liliane.
Yasmin (à direita), os filhos e os pais - Foto: Arquivo Pessoal

Salário recuperado e um pouco mais...
A ação deu certo. No mesmo dia em que foi vítima de criminosos que levaram seu salário, Yasmin conseguiu reaver o valor do seu pagamento. Ela chegou a superar a casa dos R$ 1,2 mil, arrecadando um total de R$ 1.6 mil. “Eu agradeci muito, porque hoje em dia não é todo mundo que faz o que ela (Liliane) fez. A maioria das pessoas não ligam, mas eu realmente vi que tem muita gente boa, que se prontificaram na hora para me ajudar”, agradece Yasmin.
Com o dinheiro “extra” que conseguiu, a servente de limpeza vai fazer os pagamentos que já vinha planejando. “Ainda vou dar uma roupa para os meus filhos e fazer as compras de supermercado. É muito gratificante. Eu não esperava que em poucas horas eu ia ter meu salário de volta, até pedi para pararem com os pix, porque já tinha alcançado o valor. Tenho muita gratidão. Que Deus dê em dobro para cada um que me ajudou, que se sensibilizou com a minha história, só tenho a agradecer”, finaliza.
De acordo com Yasmin, a Polícia Militar chegou a identificar imagens dos suspeitos, mas até o momento nenhum deles foi encontrado. O caso agora está com a Polícia Civil, que procede com as investigações.



