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Segurança

Quatro anos

Vitor Bianco Júnior avalia período à frente da 6ª Delegacia Regional de Criciúma

Delegado elenca metas alcançadas e relata decepção com falta de recomposição de efetivo

Por Lucas Renan Domingos

5 min de leitura

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Foto: Amanda Ludwig/Portal Engeplus

O delegado Vitor Bianco Júnior encerrou nessa terça-feira, dia 31, a sua trajetória na função de delegado regional da 6ª Delegacia Regional de Polícia de Criciúma (6ª DRP). Foram quatro anos e um mês no cargo administrativo, que agora será de responsabilidade do delegado André Milanese. Em entrevista ao Portal Engeplus, ele faz um balanço do período.

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Júnior se tornou delegado regional em Criciúma em janeiro de 2019. Entre seus principais objetivos ao chegar na função estavam recomposição de efetivo, dar melhores condições de trabalhos para os policiais, renovação de viaturas e efetuar reparos e reformas em delegacias da região e a construção do Complexo da Polícia Civil. O delegado declara que deixa a 6ª DRP com parte das metas alcançadas, mesmo que as principais não tenha sido possível de cumprir por conta de burocracias e decisões do Governo do Estado.

“Conseguimos dar melhores condições de trabalho aos policiais. Uma das medidas foi o fechamento dos plantões nas delegacias de comarca. Hoje todos os flagrantes são encaminhados para a Central de Plantão Policial em Criciúma. Tinha noites que o delegado plantonista e o escrivão tinham que ir duas vezes para Lauro Müller e voltar, por exemplo. Era um desgaste enorme”, lembra Júnior.

Outra demanda que o delegado conseguiu encaminhar foi a troca de viaturas. Por meio de convênios firmados com os municípios foi possível efetuar a compra de veículos para todas as delegacias de comarca. “Nos próximos dias, o governador deve vir a Criciúma para fazer a entrega de mais 11 veículos para substituir algumas que ainda precisam ser trocadas”, acrescenta.

Em relação às estruturas, houve avanços. As delegacias de Orleans, Urussanga e Lauro Müller eram as com maiores problemas. “A de Orleans foi feito uma reforma do telhado. Em Urussanga tem o projeto de reforma e é preciso recursos para a execução. A situação mais crítica é Lauro Müller. Na delegacia chove mais dentro do que fora. E o encaminhamento do projeto também é complicado devido a questões ambientais”, lembra.


Sede da 6ª Delegacia Regional de Polícia, em Criciúma - Foto: Thiago Hockmüller/Portal Engeplus

Efetivo foi a decepção

A recomposição de efetivo foi a maior decepção de Vitor Bianco Júnior no seu período como delegado. Quando chegou no cargo a 6ª DRP tinha 174 policiais. Hoje, quatro anos depois, são 146 profissionais. Não só não foi possível elevar o número de delegados, escrivães e agentes, como a condição ficou ainda pior.

De acordo com o delegado, o último concurso realizado no Estado para contratação de escrivães e agentes aconteceu em 2017. Já para a função de delegado, a última concorrência foi em 2014. Em Santa Catarina, atualmente, são menos de 3,5 mil policiais civis, quando a lei prevê que eles deveriam ser 5.994 profissionais.

“A nossa região é disparada a pior. Em Criciúma deveriam ter três delegados na 1ª DP, tem só um. Mais três delegados na 2ª DP e tem só um que já protocolou o pedido de aposentadoria. A DPCAMI, da mesma forma. A DIC, em 2005, tinha quatro delegados, quatro escrivães e 16 agentes. Hoje tem dois delegados, dois escrivães e oito agentes. É a metade do efetivo, sendo que na época Criciúma tinha próximo de 150 mil habitantes e atualmente são quase 250 mil”, ressalta.

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Júnior analisa que o número ideal de policiais civis na 6ª DRP seria próximo de 250. “Só este ano quase dez policiais vão se aposentar na nossa região. E vários outros ainda neste ano vão preencher os requisitos para pedir a aposentadoria. Hoje são 12 delegados e já tivemos 18 na região”, continua.

Complexo da Polícia Civil

Enquanto foi delegado regional, Júnior também encabeçou um projeto ousado, o da construção do Complexo da Polícia Civil. A ideia consiste em um espaço onde todas as unidades da Polícia Civil de Criciúma ficarão instaladas. A proposta não foi caminhou, mas ele garante que vai continuar contribuindo para ver a estrutura ser erguida.

“Já me coloquei à disposição do delegado André Milanese (novo delegado regional) para ajudar no que for necessário. Tiveram motivos diversos dentro do governo para não sair. Chegamos a ver um terreno, agora estamos avaliando outro. O prefeito da cidade também é parceiro, mas infelizmente não conseguimos caminhar”, declara.

Outra tentativa foi a mudança de sede da Divisão de Investigação Criminal (DIC), que atualmente está instalada na avenida Santos Domunt. A proposta consiste na transferência da unidade para o prédio que abrigava a Secretaria de Desenvolvimento Regional (SDR) e que foi doado pelo Governo de Santa Catarina para a Polícia Civil.


Atual sede da DIC - Foto: Rafaela Custódio/Arquivo/Portal Engeplus

“O projeto da DIC continua. Ainda precisa fazer as adequações e reformas onde seria a nova sede. Recebemos o valor do custo na última semana, que ficou próximo de R$ 1 milhão e estamos aguardando. No serviço público tudo é muito burocrático. Se passaram quatro anos e a gente caminha a passos lentos”, completa.

Depois de deixar a 6ª DRP, Vitor Bianco Júnior entrou em licença pelo período de um mês. Em março ele retorna para a atividade-fim dos delegados, que é a investigação, assumindo a coordenação da DIC e respondendo também pela Divisão de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP) e Divisão de Repressão a Entorpecentes (DRE).

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