Viu pinguim na praia? Entenda por que eles estão aparecendo mais no Sul de SC
Patagônia ao Litoral
Animais marinhos estão passando pela temporada de migração

Recentemente, você viu algum pinguim na praia? Caso a resposta seja positiva, o fator se deve a temporada de migração dos animais marinhos para a região Sul do Brasil. Vindo das colônias reprodutivas da Patagônia, na Argentina, as espécies comumente avistadas são os pinguins-de-magalhães (Spheniscus magellanicus), que chegam ao litoral catarinense de forma frequente no outono
Segundo informações da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), responsável técnica pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas, o aumento de registro da espécie é comum nas praias do Sul do Brasil neste época do ano. De modo geral, os animais se deslocam de suas áreas reprodutivas na América do Sul em direção às águas brasileiras, em buscas de alimentos e águas mais quentes, principalmente durante o outuno e inverno.
“Ao aumento substancial de registros ao longo das próximas semanas é esperado e acompanha o padrão sazonal da espécie. Historicamente, o pico de ocorrências envolvendo os pinguins-de-magalhães ocorre entre os meses de junho e agosto, considerado o período que a migração dos animais marinhos se torna mais intensa em nosso litoral”, informou.
Número de ocorrências
De acordo com informações da universidade, cerca de 33 ocorrências envolvendo pinguins-de-magalhães foram registradas entre os dias 1° de janeiro e 28 de abril de 2026. Os dados divulgados ocorreram ao longo dos 260 quilômetros de extensão, entre os municípios de Laguna e Palmares do Sul (RS). Deste montante, 21 individuos foram encontrados mortos e 12 foram localizados vidas nos balneários.
Veja os dados dos trechos no Sul catarinense:
Entre barra de Laguna e Camacho, responsabilidade da Udesc:
Registrou uma ocorrência (morto)
Entre barra de Laguna e Camacho, responsabilidade da Unesc:
Registrou seis ocorrências (quatro mortos e dois vivos)
Barra do Rio Araranguá e barra do Rio Mampituba, reponsabilidade do Educamar:
Registrou 12 ocorrências (cinco mortos e sete vivos)
“Quando um animal é encontrado vivo, demanda reposta rápida das equipes de monitoramento e atendimento veterinário, que realizam avaliação clínica e, quando possível, a reabilitação dos indivíduos encontrados debilitados. Dos 12 pinguins encontrados vivos, dez foram encaminhados para tratamento nas bases, um estava saudável e não precisou de atendimento e um morreu por causa indeterminada”, frisou à Univali.
Encalhou? Saiba o motivo e o que fazer
Conforme o Educamar, órgão ambiental de Araranguá, a principal característica da espécie é que os pinguins são animais gregários, ou seja, vivem em bandos e a maioria fica em alto mar. Já os que se aproximam das praias geralmente estão debilitados. Muitos são juvenis e, por conta disso, na primeira viagem migratória podem ter dificuldades de se alimentar, enfraquecem e ficam debilitados.
“Além disso, também tem os que interagem com redes de pesca. Isso se chama captura acidental ou incidental, já que mesmo não sendo alvos de pesca, as aves são capturadas. Com isso, encalham nas praias exausto, desidratados, desnutridos e com hipotermia, precisando de atendimento veterinário”, ressaltou a instituição.
Saiba o que fazer em caso de encalhe:
Mantenha distância e não toque, pois são animais selvagens e podem se defender com o toque;
Atenção à saúde, podem transmitir doenças, como a gripe aviária;
Não coloque gelo, na maioria dos casos o animal está com hipotermia;
Afaste pets e curiosos;
Não devolva ao mar.
%galeria%



