12 Horas
12 Horas Rock: Criciúma é muito mais rock'n roll do que se imaginava
Por Redação Engeplus
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“É só mais uma tarde de sábado. Você, adolescente isolado na região de Criciúma, sem muitas opções para matar o tédio, refugia-se no computador mais próximo e procura a salvação do seu humor em um blog de tirinhas meme, numa conversa de MSN, postagem do Facebook ou num episódio novo daquele seriado que você ainda não assistiu direito. O tédio não te mata, mas a rotina faz o esforço parecer que tudo ficou no zero-a-zero.
Bom, nesse último sábado foi diferente. Dia 5 de Maio, 16 bandas invadiram o Parque das Nações Cincinatto Naspolini, em Criciúma, armados com músicas próprias, gêneros variados e muito rock'n'roll. O 12 Horas Rock foi realizado pelo Coletivo Murro, juntamente com a Fundação Cultural de Criciúma, a Stan Produções, a ASCAV e a A Hora Hard, além do apoio do Fora do Eixo Sul.
Toda essa gente trabalhou forte para criar uma relação de mutualismo. E não é que eles conseguiram? A começar pelo público: bastava uma volta pelo pátio da praça - cheia - para ver os espectadores com os olhos vidrados no palco. Os pés acompanhavam o compasso das músicas e os sons das conversas misturavam-se nos arranjos dos instrumentos. Quem passava por ali, tinha a atenção - e a vontade de ir embora - roubadas, fosse pela diversidade musical, pelas companhias que ali estavam, ou até mesmo pela situação inusitada.
O clima geral era de amizade. Muitos dos jovens ali encontraram possibilidades de conhecer gente nova, com a mesma mentalidade e com gostos similares. Era só perguntar para alguém e chegaria a essa conclusão. “Eu acho isso uma iniciativa boa. Além de promover as bandas da região, é uma oportunidade da galera se unir. As pessoas se conhecem mais, geram mais interação,” contou William Viana, um dos mais de três mil espectadores que compareceram ao evento.
Mas não foram apenas novas amizades que nasciam dessa oportunidade. O evento também serviu para as pessoas quebrarem os velhos paradigmas e má fama sobre os ouvintes de rock, estabelecidos no século passado. O senhor Coradini, surpreso com a situação, disse: “Todos os jovens ali, se divertindo legal, socialmente, estão criando uma imagem que nunca teve em Criciúma. Nunca aconteceu um evento desse tipo no município. Nota 10.”
As 16 bandas selecionadas, das mais de 50 inscritas no processo de seleção, também saíram com um sorriso no rosto. Os músicos que foram ao palco viram no evento uma chance de mostrar o seu talento para Criciúma. “Temos muitos músicos escondidos por aí nos bairros, que estudam, que tocam música dentro de casa, que criam e se dedicam. Esse evento consegue abrir a mentalidade deles, mostrando que não precisam se mudar para as grandes metrópoles para serem reconhecidas,” contestam Alisson e Giovanni, da banda Kingmars7.
Em geral, tanto os músicos quanto o público ficaram surpresos - Não sabiam que Criciúma tinha uma diversidade sonora tão grande dentro da cena do rock. No palco, bandas que passavam do Stoner ao Indie Rock, com paradas no Metalcore, HC, Progressivo, no Rock Clássico e no Blues. Dos gêneros mais tradicionais aos contemporâneos, o cardápio musical satisfez até mesmo os críticos mais ferrenhos.
Criciúma nunca teve uma experiência como essa: bandas mais experientes da cena Sul catarinense puderam dividir os palcos com bandas novas, e o público levou de coração as 12 horas de rock, encarando a programação e até mesmo uma queda de energia – que não foi o bastante para tirá-los de lá. Quem botou os pés na praça, saiu de lá com a mesma conclusão na cabeça: Criciúma é muito mais rock'n'roll do que se imaginava”.
Colaboração: Gabriel Darós Lourenço – equipe cobertura colaborativa 12 Horas Rock (Coletivo Murro)
