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A caminho de um pólo cultural: discussões, perspectivas

Por Redação Engeplus

4 min de leitura

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Ademar José Fabre *

O sucesso recente da 2ª Feira do Livro traz à reflexão o momento cultural vivido pela cidade e região, suas carências, seu potencial e suas perspectivas futuras.

A grande freqüência de público à feira vem provar que, ao contrário do que se pensa, o povo aprecia e prestigia o bom evento cultural, desde que seja organizado, bem produzido e divulgado, elementos que estiveram presentes na referida feira, em sua segunda edição.

A cidade tem contabilizado, nos últimos anos, bastante sucesso em eventos de natureza cultural, como: o festival de corais, apresentações avulsas de grupos corais da região, com destaque especial para o Coral Show Criança Feliz, além de orquestras sinfônicas, grupos teatrais e outros.

A Festa das Etnias é outro evento sobejamente consolidado, que celebra a cultura étnica, a dança folclórica e a gastronomia regional. Seu sucesso está a sugerir que a experiência pode ser ampliada, seja no sentido vertical, aumentando o número de grupos participantes, seja no sentido horizontal, criando-se, por exemplo, uma Festa Nacional do Folclore.

Na área de literatura, a Academia Criciumense de Letras - ACLE tem se destacado pelo apoio à produção editorial e, especialmente, pela promoção de concursos literários de caráter regional. A ACLE já é uma das mais dinâmicas e produtivas academias de letras do Estado.

Nada tem sido feito, até aqui, na área de cinematografia, nem mesmo um clube de cinema possuímos. No campo teatral, também predominam os grupos de fora, registrando-se quase total ausência de grupos locais.

Para dar suporte à cultura literária e proporcionar melhores condições de disseminar o gosto pela leitura, a cidade precisa contar com uma biblioteca pública em melhores condições: nossa biblioteca municipal está mal localizada, com instalações acanhadas, acervo diminuto e desatualizado. Outro órgão de apoio à cultura histórica e institucional é o arquivo público, também mal instalado e conservado, com infra-estrutura precaríssima.

Para aproveitar o potencial destacado, a infra-estrutura existente e suprir as deficiências apontadas, sugerem-se algumas medidas/propostas ou projetos para serem discutidos/implantados na cidade, em termos de cultura, contando-se, para tal, com o apoio logístico da Prefeitura Municipal e sua Fundação Cultural, além de empresas privadas e/ou instituições ligadas ao setor cultural:

a) ampliação da experiência dos corais, criando-se outros grupos, como: coral sinfônico, corais étnicos, grupo coral gregoriano.

b) criação de uma Orquestra de Câmara, para tornar-se o embrião de uma futura Orquestra Sinfônica do Sul.

c) Instalação do acervo da biblioteca pública e arquivo histórico municipal no antigo prédio do DNPM/CEPCAN, mediante restauração do edifício e adaptação/modernização de suas dependências internas para tornar o conjunto um marco arquitetônico da cidade, valendo-se de sua referência histórica.

d) Estúdio Cinematográfico, a ser implantado no bairro São Luiz: trata-se de projeto da iniciativa privada, com apoio institucional do Estado e Prefeitura, que envolve a indústria cinematográfica, mas também arte e cultura. No rastro de tal produção, é natural que se desenvolva na região a cultura nesta arte, podendo-se até pensar em cursos de formação na área técnica e artística e, até, num futuro festival de cinema.

e) Companhia de Teatro: além de apreciar/aplaudir a arte teatral apresentada na cidade, mas produzida fora da região, é importante possuir uma ou mais companhias locais para produzir teatro.

f) Projeto MAZOWSZE - O grande marco na área cultural da cidade e região será, certamente, se concretizada, a filial local do Balé Nacional da Polônia, chamado de MAZOWSZE, pela sua procedência da região central de igual nome daquele país.

Trata-se de grupo artístico nacional, inspirado no autêntico folclore de 39 regiões polonesas: compreende coral, solistas, orquestra e balé de alto nível, com mais de 5.300 apresentações, para número superior a 15 de milhões de expectadores, em 46 países.

Com experiência que lembra o Balé Bolshoi da Rússia e sua filial brasileira de Joinville, o MAZOWSZE, com instalação no bairro polonês de Linha Batista, seria um marco importantíssimo para concretizar nosso pólo cultural, com repercussões além-fronteiras.

Com esses projetos em funcionamento, a cidade e o município terão dado um salto quali/quantitativo a caminho da concretização de um verdadeiro pólo cultural da região carbonífera e sulcatarinense.

* Economista / MSC em Desenvolvimento Regional / ajfabre@gmail.com

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