Engeplus
Esportes

A difícil

A difícil vida de árbitro de futebol

“Muitas vezes tive que sair escoltado em camburão, levei chute, soco, tijolada: de tudo já aconteceu comigo”, conta árbitro que apitou a final do Praião

Por Redação Engeplus

3 min de leitura

Compartilhar:
Foto: Foto: Antonio Rozeng

A decisão do Praião do Balneário Rincão foi mais uma final que entrou para o extenso currículo do árbitro Eliseu Cardoso Machado, de 34 anos. O criciumense, que começou a apitar profissionalmente quando tinha apenas 16 anos, revela que já passou por situações bem complicadas, como a registrada no último domingo, ao longo da sua carreira.

O árbitro aponta a origem do tumulto na decisão do Praião. “Depois de ter expulsado um dos dirigentes da equipe do Praia, ele ficou exaltado, no intervalo da partida veio tirar satisfação comigo, e começou todo o tumulto. Um torcedor, que é jogador do Praia, saiu da arquibancada e me deu um soco nas costas. No momento só pensei em me defender, me controlei para não reagir, pois tinha que ser o mais controlado de todos para não gerar mais tumulto”, pondera.

A confusão registrada na final do Praião, infelizmente, já não é nenhuma novidade no futebol amador da região. “Muitas vezes tive que sair escoltado em camburão, levei chute, soco, tijolada: de tudo já aconteceu comigo”, conta o árbitro, que relembra o seu pior momento na arbitragem. “Nunca esqueço. Foi no campo do Catarinense, no jogo Flamenguinho e Vila Zuleima, um torcedor do Flamenguinho atirou um tijolo na minha cabeça, apaguei e fui acordar dentro do carro do bombeiro indo para o hospital. Foi o pior dia da minha vida”, destaca.

Eliseu também fala sobre a principal dificuldade encontrada pela arbitragem nas partidas de futebol amador. “A principal dificuldade é a falta de segurança. As pessoas não sabem que ali tem alguém igual a eles, mas que naquele dia foi designado para uma função bem difícil. Você tem que tomar uma decisão em segundos, que pode até mudar o resultado de uma partida”, argumenta.

Mesmo enfrentando adversidades, Eliseu não pensa em largar o apito tão cedo. “Nunca pensei em desistir, mas dar uma parada por um tempo já pensei. Faço isso porque gosto de estar envolvido com o esporte. Pretendo continuar apitando por mais um bom tempo, completo 35 anos em maio, e posso apitar até os 45 anos”, assegura o árbitro, que fala sobre o seu início de carreira. “Como a grande maioria dos garotos, também sonhei em ser jogador de futebol. Como não deu certo, não queria ficar fora do esporte e me tornei árbitro de futebol. Comecei a trabalhar de gandula no Mampituba, e teve um dia que faltou um árbitro e me chamaram para apitar um jogo, na época tinha 13 anos. Entrei em campo e apitei aquele que seria o primeiro de muitos jogos que participaria não como jogador, mas como árbitro de futebol”, revela.

Após apitar muitas “peladas”, aos 16 anos Eliseu foi convidado para integrar a Liga Atlética Içarense (LAI), onde permaneceu por cerca de três anos, na sequência o árbitro passou a fazer parte do quadro da Liga Atlética da Região Mineira (Larm). No currículo de Eliseu estão várias finais de campeonato, o prêmio de revelação do Praião 2011/2012, além de ter sido eleito por três vezes como melhor árbitro da Taça Cecrisa.

Como a imensa maioria dos profissionais da arbitragem, Eliseu exerce outras atividades fora do futebol. “Sou pós-graduado em educação física, e trabalho como professor. Também faço recreação em festas, eventos, me visto de palhaço. Então nem ligo muito quando a torcida me xinga de palhaço”, brinca o árbitro, que tem como ídolo Carlos Eugênio Simom.

Compartilhar:
Leia a seguir Metropolitano e Criciúma já tem novo horário
Publicidade