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A nada mole vida de quem trabalha com a morte

Por Redação Engeplus

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Foto: Denis Luciano

Quando namorava Alessandra, Paulo tinha até medo de estacionar diante da casa dela enquanto aquele carro fúnebre ali estivesse. É que a família da futura esposa trabalhava, desde os anos 70, com o ramo de funerárias no interior do Paraná. Mas eis que algumas visitas em companhia da sogra para acompanhar clientes fizeram o jovem tomar gosto e hoje já são 11 anos atuando como empresário no ramo.

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“Compramos uma funerária em Torres quando viemos do Paraná, lá ficamos três anos e, em 2008, ganhamos uma licitação para abrir a funerária em Criciúma. Aqui estamos”, resume o empresário Paulo Reichle, que hoje toca com a esposa Alessandra o primeiro crematório do sul de Santa Catarina, inaugurado em Içara, bem como a funerária, com sede próxima ao Hospital São José.

“Para trabalhar com a morte tem que gostar, tem que ter dom”, define. Ele cita as mortes de crianças como os episódios mais emblemáticos e marcantes. “Teve o caso de uma menina de 7 anos cuja expressão do pai eu nunca vou esquecer. Ele agradecia a Deus por ter tido sete anos de oportunidades para conviver com a filha”, recorda o empresário. Pelo crematório passaram, ainda, casos bastante lembrados, como as mortes do goleiro Alexandre Pandóssio e da médica Mirella Maccarini Peruchi, entre outros.

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Paulo faz, com a sua equipe, todo o tratamento dos corpos quando dos óbitos e da preparação para os atos fúnebres. “Fazemos o embelezamento pensando que aquela pessoa precisa ser apresentada como uma princesa, um príncipe, para o ato de amor da despedida”, frisa. Ele conta que há serviços de maquiagem, cabeleireiro e embalsamentos que permitem velórios de até 30 horas. “Mas nosso principal papel é cuidar das famílias, para que elas se sintam em paz e confortadas neste momento difícil”, assinala.

Recentemente, Reichle ampliou as operações do crematório, oferecendo o serviço pet. “Enterrar um animal morto é passível de multa, por ser crime ambiental de contaminação do solo, e há o aspecto afetivo, afinal abandonar um bichinho que só faz as pessoas felizes é muito triste”, refere. Ao lidar com a morte todo dia, o empresário chega a pensar sobre a sua? “Vai ser daqui a muitos anos, e espero que um bisneto meu possa cuidar de mim e gostaria de ser lembrado como uma pessoa que se esforçou em ajudar em momentos tão difíceis como os da perda de um ente querido”, conclui.

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