Ídolo do futebol
Alex lamenta enfraquecimento do Bom Senso FC
Ex-jogador está em Criciúma acompanhando filha em competição de tênis
Por Redação Engeplus
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Ídolo das torcidas do Coritiba, Palmeiras, Cruzeiro e Fernebahçe da Turquia, o ex-jogador Alex está em Criciúma. O ex-meia da Seleção Brasileira está acompanhando a filha, que está disputando a 3ª etapa do Circuito Juvenil Correios, no Mampituba.
Alex parou de jogar futebol em dezembro de 2014. Atualmente, ele mora em sua cidade natal, Curitiba (PR), e trabalha como comentarista esportivo da ESPN Brasil. Além de craque dentro das quatro linhas, o ex-jogador também se destaca por ser um dos líderes do Bom Senso Futebol Clube. No entanto, em entrevista ao Portal Engeplus nesta sexta-feira, Alex lamentou o enfraquecimento do movimento devido a falta de engajamento dos jogadores.
“No Bom Senso acontece uma coisa muito simples. Ele só vale a pena se tiver os protagonistas participando, foi assim desde a fundação. Os jogadores de hoje participam muito pouco. Sem a participação dos protagonistas você começa a perder força. Já imaginávamos que aconteceria isso. Essa geração nova dificilmente se posiciona. Até mesmo na Seleção Brasileira, jogadores que são referência em seus clubes e para muita gente no futebol não tem um posicionamento mais firme, mais forte. A perda de força era algo que já imaginávamos. Não é legal, desejávamos reverter isso, mas sem a participação dos atletas fica muito complicado”.
Ainda segundo Alex, com poucos atletas participando efetivamente da causa, aqueles que tomam a frente do movimento e lutam por melhorias no futebol acabam sofrendo retaliações e enfrentam problema para dar prosseguimento na sua carreira.
“Temos o caso do (goleiro) Roberto aqui. Ele foi superparticipativo no Bom Senso, mas em função dos jogadores não terem a mesma preocupação, a mesma participação, ele está encontrando dificuldade para conseguir emprego. Atrapalha 100%, quando a participação acaba sendo isolada. Mas daqui alguns anos ele vai ser reconhecido por essa luta. O Paulo André, e outros jogadores que participaram ativamente do movimento, também tiveram dificuldades de encontrar um clube. Não vou tirar proveito disso, porque parei de jogar. Mas o ganho é o da satisfação, de você se posicionar, colocar o que você imagina, aquilo que é o melhor para o esporte. Mas, infelizmente, não é só no futebol. O brasileiro se posiciona muito pouco quando tem suas dificuldades. Sempre espera que alguém se posicione por ele, e no futebol não é diferente. A perda do Bom Senso se deve a isso, aos grandes nomes não participarem efetivamente. E os caras que fizeram frente, deram a cara a tapa, ficaram dando murro em ponta de faca”, lamenta.

Quanto ao seu futuro, Alex não refuta a possibilidade de se tornar dirigente ou técnico de futebol. “Mais para frente, talvez, pode ser. Mas hoje não tem nada definido. Estou mais nessa de curtir a família no momento. Apesar de não poder reclamar muito. Até tive esse tempo durante a carreira. Minha filha mais velha tinha dois meses quando fui para a Europa. Os outros dois nasceram lá. Joguei nove anos na Europa. Excetuando os dois últimos anos de carreira, no Coritiba, que foram confusos em função do calendário brasileiro, que é horrível, os outros consegui viver bem com a família. No Brasil você não vive, só joga bola, é uma loucura. O cotidiano do futebol é muito complicado. Sigo na televisão, que não me tira tanto tempo de casa, e consigo vivenciar o dia a dia com os meus três filhos. Nesse momento, para mim é o mais importante”, ressalta.
Aos 38 anos, Alex diz que poderia desfilar o seu talento pelos gramados. A exemplo de jogadores que foram seus contemporâneos no futebol, como Emerson Sheik e Zé Roberto. “Faço 39 anos agora, em setembro. Se me propusesse a jogar, eu jogaria. Sempre me cuidei, tive poucos problemas físicos. A questão da idade se resolveria com alguns cuidados maiores e algumas escolhas no time que estivesse. Mas já não tinha mais cabeça para isso. Estava mais voltado para vivenciar o dia a dia da família. Sempre condenei quem está no futebol só passando tempo. Não queria isso para mim, por isso parei jogando em um bom nível. Se quisesse, poderia jogar em algum time do Brasil ou até fora. Enquanto o cara tiver uma cabeça boa para se preparar dá para jogar sem problema algum. Jogar é uma maravilha, se preparar que é complicado, cansativo”, comenta.
A permanência de Alex em Criciúma dependerá dos resultados da filha Maria Eduarda, no Circuito Juvenil Correios, na categoria 12 anos. “Depende da minha filha. Se ela ir ganhando segue o baile. Se perder a gente pega o carro e volta para casa”, revela o ex-jogador, que não pretende acompanhar o jogo Criciúma e Bragantino. “Vou só ficar vendo as notícias na internet”, garante.



