Criciúma
Análise reforçada e livros devolvidos para Brasília
Por Redação Engeplus
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Nos próximos dias o Ministério da Educação vai receber uma caixa com 40 livros encaminhados pela Secretaria Municipal de Educação de Criciúma. São os exemplares de “Enquanto o sono não vem”, publicação recolhida há cerca de dois meses depois de constatados conteúdos impróprios para crianças.
“Recebi o alerta de uma diretora e pedi o livro na época para ler. De fato, são histórias deprimentes”, contou a secretária Roseli de Luca Pizzolo, fazendo particular referência ao conto “A Triste História de Eredegalda”. Nela, um rei se apaixona pela própria filha, pede a mesma em casamento e propõe transformar sua atual esposa, a mãe da menina, em criada do castelo.
“Fui ler o livro e fiquei perplexo. No mesmo texto tem incesto, que é crime, cárcere privado, outro crime, chantagem emocional e tortura”, observou o jornalista Héber Vieira, que resgatou o tema ontem nas redes sociais. Ocorre que, ao não aceitar a proposta do pai rei, a jovem é trancada em uma torre, torturada e chantageada até morrer. “Eu enquanto adulta fiquei triste ao ler, imagine o impacto disso em uma criança”, concordou a secretária.

De pronto, houve o recolhimento da obra e, a partir de então, a secretaria adota um novo método para analisar livros encaminhados pelo Ministério da Educação. “Temos autonomia para gerenciar o conteúdo, então vamos analisar cada livro que o ministério encaminha diretamente para as escolas. É a primeira vez que acontece isso, mas se houver novos casos, vamos recolher de novo e devolver”, garantiu a titular da Educação. “Impressionante o que estão tentando fazer com nossas crianças. A minha filha não alcançarão com esse tipo de livro”, completou o jornalista, indignado com o conteúdo ao qual teve acesso.
O mesmo livro apresenta outros contos também com teor considerado “pesado” pela secretária Roseli. “Há outra história de um homem que carrega uma criança em um saco e a obriga a cantar nas cidades, e tortura ela, e bate nela”, relatou. Em pesquisas posteriores ao recolhimento do livro a secretária constatou que já havia reclamações semelhantes Brasil afora. “O Ministério argumentou que se trata de uma obra revisada e liberada pela Universidade Federal de Minas Gerais”, concluiu.



