Antonelli sofre
Antonelli sofre pressão de estica e puxa
Por Redação Engeplus
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Fernanda Zampoli
Criciúma - Um ano e dois meses depois de Criciúma ter passado por um processo conturbado, no qual, em uma mesma semana, a cidade chegou a ter três prefeitos, há quem ainda tenha dúvidas sobre quem administra o município. Isto porque, além da indecisão em indicar nomes para a reforma em seu colegiado, o prefeito Anderlei Antonelli (PMDB), por várias vezes, teve de voltar atrás em suas decisões, abrindo mão para o partido.
A mais recente se trata da meteórica passagem de Gladis Carvalho pela Secretaria de Saúde. Antonelli escolheu o Dia Internacional da Mulher, na última quarta-feira, para anunciá-la como secretária em homenagem ao dia das mulheres. A decisão saiu no final da tarde, mas, no final da noite, ela desistiu do cargo. Mesmo revelando à imprensa seus planos para a pasta.
Posse – Mas não é preciso ir muito longe para recuperar momentos em que Antonelli anunciou sua posição e voltou atrás em favor da cúpula do partido. Em 30 de dezembro de 2004, dias após ser diplomado prefeito em função da cassação do ex-prefeito Décio Góes (PT), Antonelli chamou a imprensa e anunciou seu secretariado. Menos de três horas depois, por decisão do PMDB em Florianópolis, ele teria de abrir mão do cargo para que o presidente da Câmara assumisse o Executivo até o julgamento do TSE no caso Décio Góes. Na época, seu vice, Gélson Fernandes (PMDB), chegou a declarar que se Antonelli não assumisse, ele o faria. A resistência da base não surtiu efeito e Antonelli esperou até o dia 28 de abril, quando o TSE foi favorável à cassação de Góes.
Transporte – A luta de abril em diante era pela legitimidade do cargo, já que Antonelli foi diplomado prefeito no lugar do primeiro colocado, Décio Góes. Em 22 de julho do ano passado, Antonelli reajusta a tarifa do transporte coletivo. Os usuários, que pagavam R$ 1,65 pelo serviço, passaram a desembolsar R$ 1,85. Inconformada com o aumento, a população protesta pela redução do valor. O prefeito pediu que o Ministério Público verificasse a planilha de cálculos. Em 23 de agosto, Antonelli revoga o decreto do aumento. Por recomendação do MP, a passagem volta a R$ 1,65 até que a planilha fosse devidamente estudada pela Promotoria pública. Mas em 21 de janeiro deste ano, o passe voltou a custar R$ 1,85. Decisão que foi efetuada após a emissão de parecer do desembargador Jaime Luiz Vicari, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, favorável às empresas de ônibus.
Anjos do Futsal – Ainda em agosto do ano passado, no dia 10, entre as contenções de gastos, o prefeito anunciava o rompimento do contrato que a empresa Anjo Tintas e Solventes tinha com a FME, no projeto Anjos do Futsal. Na época Antonelli alegou que o município investia R$ 75 mil no projeto, enquanto deveria ser o contrário. No dia 13 de agosto, a empresa rompe o contrato com a prefeitura em função das declarações de Antonelli. A empresa contestava as informações e declarou que havia investido cerca de R$ 24 mil em tintas, somente para a recuperação das quadras onde aconteciam os treinos e reformas, além de o repasse do município para a Anjo ser de aproximadamente R$ 6 mil. A coordenadora do projeto, Stella de Oliveira, declarou que o convênio era insignificante se comparado aos investimentos feitos pela empresa. O projeto atendia cerca de 260 garotos desde 2001. Não demorou muito para que Antonelli voltasse atrás. Exatamente três dias depois, o prefeito retoma o contrato com a empresa, agora no valor de R$ 50 mil. Criciúma voltaria a ser representada também nas competições de futsal, já que dias antes, por decisão da empresa em função das declarações do chefe do Executivo, a Anjo não representaria mais a cidade na competição.
Reforma – A polêmica entre deixar de ser um governo técnico para ser político, afirmada pelos secretários que deixaram a prefeitura, não é de toda negada por Antonelli. "Temos bons jogadores mas eles estão fora de posição. Eu quero que o Luiz Henrique ganhe porque Criciúma precisa, ele fez coisas que o Amin nunca fez pela região. Se o PMDB não apresentar nomes com os requisitos que procuro, vou buscar as pessoas que quero", afirmou Antonelli.
Ele garantiu que definirá o colegiado até hoje e que anunciará em coletiva para a imprensa. "Não é pressão do partido. Não foi queda-de-braço, apenas a Gladis era mais partidária. Mas ela ligou pro Acélio Casagrande e disse que estava assustada, entrou em pânico, achou que era muita responsabilidade. Com isso o Acélio entendeu que ela estava desistindo. Já passei por isso e respeito a decisão dela. O que eu não quero é um político que não entenda nada da pasta", insistiu Antonelli na noite de ontem.



