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Apesar da guerra, palestinos planejam viagem

Por Redação Engeplus

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As ligações quase que diárias para as filhas na Cisjordância são suficientes para o comerciante palestino Abdo Hamad, radicado há mais de quatro décadas em Criciúma, sentir o clima de desolação em sua terra natal. Para ele, o confronto entre Israel e militantes do grupo palestino Hamas apenas começou e promete derramar muito sangue ainda.

“A disputa por território será bem maior no decorrer de 2009", diz Hamad, hoje planejando uma viagem neste ano para Jerusalém. Com a mulher Maria Helena, ele pretende conhecer a primeira bisneta que nasce em abril.

Ele conta que o povo palestino de Criciúma se mostra chocado com a situação. A crise é tanta que até a mesquita instalada na cidade sente os prejuízos da guerra. Desde que o confronto estourou, não há mais negociação sobre o envio de verba pela Liga Islâmica Internacional. “Eles dizem que estão sem verbas para as mesquitas espalhadas pelo mundo, por conta dos conflitos, mas a Arábia Saudita não pára de contratar jogadores, inclusive brasileiros”, desabafa.

NETO DETIDO
Mesmo sem parentes na Faixa de Gaza, ele se preocupa em ligar para as únicas filhas, Samira e Jamila, quase todos os dias. Elas e os 14 netos residem na pequena aldeia de Anata, em Jerusalém Oriental (Cisjordânia). “Eles estão proibidos pela Cisjordânia de manifestar apoio ao Hamas e não podem passar as barreiras sem autorização de soldados, mas estão tranqüilos. Nós, palestinos, aprendemos a conviver com tanques de guerra na frente da rua”, diz.

Em meio ao confronto que já passa de 14 dias e registra mais de 700 mortos, a família de Abdo anda apreensiva com uma outra situação. No início de fevereiro, seu neto Hossan, 22 anos, deixa o presídio. “Estamos contando os dias para ele sair da cadeia”, diz.

Hossan foi preso em junho de 2007, quando sua casa foi invadida na madrugada. A pontapés, soldados quebraram a porta e o levaram preso, diante dos olhos dos irmãos menores. “Mesmo sem cometer algum crime, os jovens palestinos acabam presos pela milícia inimiga. As casas são invadidas e os filhos arrancados das mães”, relata.

Ele não teme que um dos seus 14 netos seja chamado para o confronto, embora considere remota a possibilidade. “Ninguém entra na Faixa de Gaza, mas não temos medo da morte. O conflito existe há mais de 50 anos por Israel não reconhecer o estado palestino”, explica.

Desde pequenos, destaca ele, os meninos são acostumados a enfrentar tanques de guerra, mas até os 10 anos de idade costumam apenas jogar ovos e tomates contra os tanques. Isso quando não sobem nos veículos e arrancam a bandeira de Israel, relata.

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