Tratamento de lesões
Aplicação inédita de polilaminina em SC traz esperança a jovem com lesão medular no Sul do estado
Alison Carvalho Saldívia, de 19 anos, será o primeiro paciente de SC a receber a medicação
Por Rafaela Custódio
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Entre os avanços da ciência e a esperança de novas possibilidades para pacientes com lesões graves, um momento histórico será vivido nesta semana no Hospital Dom Joaquim, em Sombrio, no Sul de Santa Catarina. O Instituto Maria Schmitt-IMAS, gestor da unidade hospitalar, viabilizou a primeira aplicação de polilaminina em um paciente em Santa Catarina, um procedimento que pode abrir novos caminhos no tratamento de lesões raquimedulares.
O jovem Alison Carvalho Saldívia, de 19 anos, morador de Balneário Gaivota, será o primeiro paciente do estado a receber a medicação. Ele sofreu um trauma raquimedular no dia 11 de janeiro, após um mergulho em águas rasas na praia, que resultou em uma lesão na região cervical da coluna (C5). Desde então, vem passando por um processo intenso de tratamento e reabilitação domiciliar.
A possibilidade de receber a polilaminina surgiu como uma nova esperança para Saldívia. Segundo Ângelo Formentin Neto, médico residente de anestesiologia e coordenador do Pronto Socorro do Hospital Dom Joaquim, que acompanhou o paciente durante a internação, própria equipe médica do hospital tomou a iniciativa de fazer o contato direto com os profissionais responsáveis pelo estudo clínico da medicação.
“Nós entramos em contato com a doutora Tatiana Sampaio, que lidera a pesquisa juntamente com o neurocirurgião dr. Olavo Franco, que integra o grupo de apoio científico do projeto, que nos o orientaram sobre os critérios e os caminhos necessários para que o paciente pudesse receber o tratamento”, explicou Neto.
De acordo com o médico, o paciente foi enquadrado no chamado uso compassivo da polilaminina, modalidade que permite o acesso a terapias experimentais em situações específicas, quando há possibilidade de benefício ao paciente.
Para tornar o procedimento possível, o IMAS ofereceu suporte jurídico durante todo o processo, que envolveu trâmites judiciais e análise dos órgãos reguladores. Após as etapas necessárias e a apresentação das justificativas médicas, a autorização para a aplicação foi concedida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Procedimento será realizado no hospital
A aplicação da polilaminina está prevista para ocorrer no dia 5 de março, no bloco cirúrgico do Hospital Dom Joaquim. O procedimento deve durar cerca de 30 minutos e consiste na aplicação da proteína diretamente na medula, com apoio da estrutura hospitalar e acompanhamento da equipe médica, liderada pelo Dr. Luiz Felipe Lobo, neurocirgião que irá fazer a aplicação.
Apesar de ainda ser uma terapia em estudo, as expectativas são positivas. Como o risco é considerado baixo, o tratamento pode representar uma oportunidade importante de recuperação.
“Hoje o Alison não apresenta movimentos nos membros superiores e inferiores. Se ele conseguir recuperar algum movimento, já será um ganho muito significativo. Existe uma expectativa grande em torno dessa terapia”, reforçou Neto.
Segundo ele, estudos como esse podem representar um avanço importante na medicina nos próximos anos, especialmente no tratamento de pacientes com tetraplegia e outras lesões medulares, que historicamente apresentam prognósticos difíceis.
Polilaminina
A polilaminina, biomolécula criada a partir de estudos conduzidos na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) é um composto com potencial para estimular a regeneração de neurônios e favorecer a reconexão neural em casos de lesões do sistema nervoso, especialmente medulares. A iniciativa representa um avanço relevante na medicina regenerativa. O estudo é realizado pela cientista Tatiana Sampaio.



