Furação Catarina
Após furacão, conscientização, prevenção e preparo cresceram em Criciúma
Na área tecnológica, não houve mudanças nos últimos dez anos
Por Redação Engeplus
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O que mudou após a passagem do único furacão que passou pelo país? Nesta quinta-feira, dia 27, completa-se dez anos do fenômeno que surpreendeu o Brasil. Em 2004, rajadas de vento acima dos 180 km/h passaram pela região entre o sábado e a madrugada de domingo, dia 28. A região, que até então nunca havia passado por algo parecido, com o passar dos anos passou a lidar de forma diferente com os demais fenômenos climáticos. De lá para cá, na questão de conscientização, prevenção e preparo para eventos climáticos, segundo a coordenadora da Defesa Civil de Criciúma, Ângela Mello, houve evolução.
“Estas ocorrências despertam uma curiosidade e a busca de métodos de prevenção por parte dos municípios. Criciúma, por exemplo, trabalha com projetos de conscientização para todos os tipos de adversidades climáticas”, destaca. Desde 2010, afirma Angela, a cidade conta com o projeto Defesa Civil na Escola, ação que conscientiza crianças sobre questões que contribuem para ocorrências climáticas. Os alunos são orientados em relação ao descarte de lixo, aos cortes de árvores e como procederem em situações de risco, por exemplo.
Por conta disso, explica a coordenadora, a maior cidade do Sul do Estado foi certificada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como cidade resiliente, ou seja, Criciúma está preparada para enfrentar eventos climáticos. “O município está acima das outras cidades, está dentro do regulamento especificado pela ONU. Isso ocorre por causa dos métodos estabelecidos de orientação, conscientização, de resgate de pessoas em situações críticas”, frisa.
Criciúma pioneira – Entre os projetos que auxiliam no desempenho da população durante eventos climáticos, o Núcleo Comunitário de Defesa Civil nos Centros de Referências da Assistência Social (Nudecras) é pioneiro a nível nacional. O projeto faz um elo entre o Centro de Referência de Assistência Social (Cras), a comunidade e a Defesa Civil. “O núcleo forma agentes da Defesa Civil Comunitários, através de palestras que ministramos. Eles nos avisam dos perigos na comunidade e relatam os problemas do bairro”, explica Ângela. O município possui seis Cras, eles estão localizados nos bairros mais periféricos da cidade. Em um primeiro momento, o projeto está concentrado apenas no bairro Tereza Cristina.
A Defesa Civil de Criciúma nos últimos anos também está inserida nas empresas e instituições. “A partir do momento que estes eventos acontecem, as organizações procuram por orientações. Muitas pessoas ficam traumatizadas com estes eventos e acabam procurando, inclusive, tratamentos psicológicos. Seria importante que os cidadãos buscassem conhecimento antes do perigo”, pontua Ângela.
Tecnologia nada mudou – Quanto ao avanço tecnológico, segundo o meteorologista do Climaterra, Ronaldo Coutinho, pouco evoluiu. O profissional ressalta que no Litoral deveria haver bóias espalhadas longe da costa para o monitoramento de correntes marítimas. Atualmente, o Litoral catarinense conta com duas bóias. “Um ponto positivo é a instalação de um radar meteorológico no município de Lontras, no Vale o Itajaí, que vai permitir um acompanhamento do clima 24 horas por dia”, destaca.
Com o radar será possível prever tempestades, chuvas intensas, granizos e outros fenômenos climalíticos. No entanto, Coutinho avalia que o equipamento não será suficiente. Na região Sul do Estado, o radar auxiliará, mas estará no limite do seu alcance. O Vale do Itajaí será o maior beneficiado. Atualmente, o Estado conta com um radar meteorológico no Morro da Igreja, na Serra catarinense.
“Acredito que não houve grandes mudanças. Os tornados, que são mais comuns, antes atingiam áreas desabitadas, agora atingem os grandes centros. O furacão é raro acontecer, o fenômeno pode tanto surgir na próxima semana como em décadas”, explica. Ele acrecsenta que o Brasil continua sem um satélite meteorológico e avalia que o investimento em ciência não é suficiente. “Já os modelos de previsão estão melhores, mais apurados”, considera.
Construções - Com a passagem do furacão Catarina na região, segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Sul Catarinense (Sinduscon), Jair Paulo Savi, não houve nenhuma mudança em relação a altura e estrutura de prédios em decorrência das rajadas de vento acima dos 150km/h. “Em passagem de furacão casas e pavilhões são atingidos, sendo que na maioria delas os telhados não estão completamente fixados. Em prédios, os ventos não influenciam”, frisa o presidente.



