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Conscientização

“Armários não são para pessoas”, declara psicóloga sobre LGBTTTs

Nessa quinta-feira, 17, é o Dia Internacional contra a Homofobia

Por Rafaela Custódio

5 min de leitura

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Foto: Divulgação

Respeito, amor, conscientização, educação e afeto, são algumas das buscas do movimento LGBTTT, (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros), em relação a sociedade.

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Hoje, 17 de maio, é o Dia Internacional contra a Homofobia, data para trazer mais conscientização e conhecimento as pessoas que não possuem informações sobre o que é ser homossexual.

A psicóloga Rita Guimarães explica que preconceito é quando as pessoas não conseguem conviver com um LGBTTT. Além disso, possuem ódio por uma determinada pessoa sem o conhecer.

Rita lembra que as pessoas costumam rotular as outras de “gay” e acharem natural. “Você não chama uma pessoa de deficiente por ela ter algum tipo de deficiência, isso é errado. As pessoas utilizam rótulos e isso não pode ser normal”, comenta.

Em relação a tratamentos para homofobia, a psicóloga é enfática. “Precisam voltar ao ensino fundamental. Precisam de educação”. declara. “Pessoas precisam de informação”, acrescenta.

Mudanças

Para a psicóloga, uma criança pode mudar a cultura familiar. “Crianças não são preconceituosas. É preciso trazer outro olhar a elas. Precisamos educar os seres humanos para serem melhores”, analisa.

Doação de sangue

Uma das lutas dos homossexuais é para a doação de sangue. Atualmente, um homem heterossexual pode doar sangue mesmo que tenha tido relação sem camisinha, enquanto um homossexual, mesmo que use preservativos, fica vetado de doar pelos próximos 12 meses da sua última relação sexual. A restrição foi votada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). “As leis precisam mudar. Não existem leis contra a homofobia. Como que um LGBTTT não pode doar sangue?”, questiona a psicóloga.

“Armários não são para pessoas”, declara a psicóloga. Segundo Rita, a visibilidade vale a pena. “Ninguém merece viver dentro de um armário, se escondendo, isso não pode acontecer”, complementa.

União Nacional LGBT

“Queremos garantir o amparo, estamos lutando todos os dias”, afirma Luccas Gonçalves, presidente do União Nacional LGBT (UNA LGBT) de Criciúma.

Há três anos o movimento nasceu na cidade para trazer ainda mais conhecimento a sociedade. “Trouxemos debates e discussões para que as pessoas abram os olhos e a mente. Não tenham preconceitos por falta de informação”, afirma.

O grupo possui 30 pessoas e a cada 15 dias se reúnem para uma roda de debates. “Qualquer pessoa pode participar. Nos reunimos na Unesc por ser um lugar acessível para todos”, explica.

Gonçalves esclarece que o grupo surgiu após o mesmo movimento ter em todo país e no Dia Internacional contra a Homofobia haverá roda de conversa e debate em dois períodos na universidade.

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Histórias

Poderia ser mais uma história de uma pessoa que buscou sua vida longe da família em São Paulo, mas não é. A história é de Maria Clara Daros, de 22 anos, criciumense e transgênero.

Maria Clara relata que já sofreu preconceito e no momento do acontecimento ficou em choque, com vergonha e, principalmente, constrangida. “O que muda para uma pessoa LGBT são as relações íntimas e pessoais dela. As pessoas julgam como se isso fosse influenciar o comportamento social, como se fosse um defeito de caráter”, critica.

Segundo o Grupo Gay da Bahia (GGB), em 2017, a cada 20 horas um LGBT morreu por motivação homotransfóbica.

“Tenho medo de frequentar certos lugares e de sair em alguns horários. O que dá mais medo é que não existe lugar ou horário para você sofrer uma agressão física ou verbal por ser LGBTTT e quando você sofre isso não sabe se vai ter alguém para te defender. Muitas vezes as pessoas se calam diante de um agressor”, afirma Maria Clara.

Família

A família de Maria Clara sempre teve um relacionamento aberto. Com isso, ela conseguiu contar, mas ela relata que precisou ter bastante informação para responder todas as perguntas.

“Foi tenso, mas libertador. Por ser modelo e sempre ter um relacionamento muito aberto e verdadeiro com a minha família, acho que consegui preparar o terreno com mais facilidade. Foi aos poucos, até ter certeza do que eu sentia e do que eu gostaria de passar pra eles”, conta.

“Não escolhemos ser quem somos”, afirma. Maria Clara declara que a única escolha que um homossexual possui é assumir sua identidade.

“Precisamos nos livrar de sentimentos ruins e de amarras que a sociedade nos coloca. Quando não tiram a nossa vida por isso, muitas vezes acabamos nós mesmos fazendo. Por medo, medo da família, dos amigos, dos colegas de escola ou trabalho, do namorado ou do marido nos rejeitarem. Eu sinto uma diferença enorme na minha vida por ter sido acolhida com muito amor por toda minha família e amigos, por poder ser quem eu sou no meu trabalho e por não precisar me esconder”, explica.

Eventos

“Criciúma mudou muito e para melhor”, reconhece Naiana Nunes Mendes, de 39 anos. Segundo ela, há 20 anos as pessoas homossexuais viviam no anonimato. “Quando ia em uma balada, era preciso se beijar no banheiro. Andar pelas ruas de mãos dadas, nem pensar”, lembra.

Promoter de eventos gay no município, Naiana conta que, atualmente, a comunidade LGBT cresceu na região e, por isso, ela começou a realizar festas para o público. “Tivemos a necessidade de realizar eventos exclusivos só para meninas para se sentirem melhores. A festa é fechada, as redes sociais das festas são privadas, pois tem mulheres que ainda não se assumiram e possuem medo”, afirma.

De acordo com Naiana, há 15 anos aconteceu a primeira festa LGBT em Criciúma e, desde então, a demanda de eventos para o público vem crescendo.

Conscientização

Maria Clara termina a entrevista falando que é preciso entendimento da sociedade. “Por incrível que pareça a falta de entendimento de que pessoas LGBTs tem uma vida normal assim como qualquer outro ser humano. O que muda é o fato que sofremos agressão e morremos por sermos quem somos”, finaliza.

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