Arqueólogos acham
Arqueólogos acham antepassados dos xoklengs
Por Redação Engeplus
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Uma reviravolta nos estudos acerca das civilizações que povoaram o sul de Santa Catarina antes da colonização europeia vem provocando inquietação e euforia entre pesquisadores. Os registros históricos de 300 anos, relatando a circulação de índios xokleng, abrem espaço agora para a ocupação, incluindo outros habitantes em período bem mais remoto.
A descoberta está sendo avalizada por pesquisadores da Unisul, após dois anos de uma varredura arqueológica pelos 17 municípios da Amurel. As escavações vasculharam uma faixa de 80 km entre o litoral e o planalto, detectando vestígios materiais cuja datação remete a períodos entre o século 11 e meados do século 12.
Coordenado pela arqueóloga Deisi Scunderlick Eloy de Farias, o projeto Arqueologia na Mata Atlântica com foco na microrregião prospectou os padrões de assentamentos dos grupos pré-históricos. O trabalho orientado pelo Grupo de Pesquisa em Educação Patrimonial e Arqueologia da universidade rastreou 200 sítios e analisou cerca de 20 mil peças.
“Genericamente, podemos sugerir que os sítios investigados seriam vinculados a uma cultura pré-ceramista anterior aos xokleng”, afirma Deisi. “O material lítico está relacionado à Tradição Umbu, mas o padrão de assentamento identificado é diferente. As datações levantam a possibilidade de serem grupos ancestrais dos xokleng do período colonial.”
POVOADOS DENSOS
Há anos, os modos de vida da civilização pré-colonial na Mata Atlântica sul-catarinense tem sido um desafio para a arqueóloga. A ideia de que o território constituía apenas um local de passagem entre a serra e o mar para caçadores-coletores, como apontam vestígios dos xokleng a partir do século 16, não chega a conflitar com as descobertas. “Elas se complementam”, diz.
Na varredura à superfície e nas camadas do solo, os pesquisadores da Unisul depararam-se com um ambiente pouco identificado com habitantes nômades. “Constatamos um grande complexo de aldeias, representadas por conjuntos de estruturas habitacionais, cerimoniais e laborais, vestígios arqueológicos de uma sociedade densa”, acrescenta Deisi.
Mestranda em Arqueologia na Unisinos (RS), a professora de História na Unisul, Daniela da Costa Claudino, sustenta as descobertas. “O padrão que encontramos mostra a constituição de aldeias segundo o modelo Xokleng. Elas se espalhavam no topo dos morros, próximas a rios e a afloramentos de algum material usado nos artefatos que fabricavam, como sílex e quartzo.”
(Colaboração: Juliana Neves / SIC Unisul – Fotos / Arquivo / Unisul)



