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Contexto Internacional

Assassinato do presidente: Haiti pede ajuda aos EUA

País já teve tropas brasileiras em missão de paz

Por André Abreu

3 min de leitura

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Foto: Reprodução vídeo

As autoridades do Haiti solicitaram nesta sexta-feira (09/07) aos Estados Unidos o envio de tropas ao país para a proteção de locais de infraestrutura estratégica, como portos, aeroportos e prédios públicos.

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Na última quarta-feira (07/07), o presidente Jovenel Moïse foi assassinado em sua residência (vídeo), num atentado que coloca a vida política do país em um caos.

Não está claro de quem exatamente partiu o pedido, que foi confirmado pelos EUA. Na sexta-feira, o Senado nomeou seu próprio líder, Joseph Lambert, como presidente interino do país

O gesto desafiou a autoridade do primeiro-ministro interino, Claude Joseph, que está no poder com o apoio da ONU e dos Estados Unidos desde o assassinato de Moïse.

Os EUA, que têm histórico de intervenção no Haiti, não deram sinais ainda que enviarão militares ao país. O governo dos EUA já havia destacado agentes do FBI para ajuda nas investigações em Port-au-Prince.

Um pedido de tropas também teria sido feito às Nações Unidas, mas não houve confirmação.

EUA e Haiti: uma relação conturbada

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O envio de militares pelos EUA seria altamente controverso: em 1915, tropas americanas invadiram o país após o assassinato do então presidente Jean Vilbrun Guillaume Sam, numa ocupação que levou à introdução de leis de segregação racial no primeiro país do mundo a proibir a escravidão.,

As tropas americanas só deixaram o Haiti me 1934, ainda que tenham permanecido envolvidas no país. As forças dos EUA retornaram ao Haiti em 1994, depois que o presidente eleito, Jean-Bertrand Aristide, foi derrubado em um golpe militar. Entre 2004 e 2017, tropas da ONU, lideradas pelo Brasil, ficaram estacionadas no Haiti como parte de uma missão de estabilização.

O Haiti tem uma longa história de ditaduras e golpes de Estado, e a democracia nunca se estabilizou completamente.

O país vive uma forte crise política desde meados de 2018 e enfrentou seu momento mais grave no último dia 7 de fevereiro, data em que Moïse denunciou que a oposição, com o apoio de juízes, tramava um golpe contra ele.

Ao mesmo tempo, o Haiti atravessa uma profunda crise de segurança, agravada desde o início de junho pelas lutas territoriais entre organizações criminosas que disputam controle dos bairros mais pobres de Porto Príncipe.

Depois de ter "soldados da paz" destacados no Haiti durante anos, a ONU apenas possui atualmente no país mais pobre da América uma missão de apoio político, encarregada de "aconselhar" e "apoiar" o governo haitiano nos seus esforços para reforçar a estabilidade política e a boa governança.

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