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Avaí e

Avaí e Criciúma punidos?

Por Redação Engeplus

4 min de leitura

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Naquela fatídica tarde do dia 24 de fevereiro, em que um bando de marginais provocou a mutilação da mão e do resto da vida de um cidadão criciumense, eu estava no estádio, junto com minha esposa, meu pai, meu irmão, minha irmã, meu cunhado e suas duas filhas, uma de sete e outra de apenas um ano de idade.

Estávamos sentados a menos de cem metros de onde a bomba explodiu e sentimos na pele o horror, a indignação e a revolta que transformou a multidão em uma massa enfurecida e descontrolada. Enquanto voltávamos para casa, nos esquivando das balas de borracha e das bombas de gás lacrimogêneo, já nos perguntávamos como era possível alguém ter entrado no estádio com uma bomba, se fomos todos rigorosamente revistados pela Polícia Militar nos acessos às arquibancadas?

Agora, acabo de tomar conhecimento de que os auditores do TJD condenaram ontem, por unanimidade, o Avaí e o Criciúma a multas e penas de perda de quatro e dois mandos de campo, respectivamente, pelos episódios daquele domingo, culpando-os por não terem tomado as medidas necessárias para garantir a segurança no evento.

Francamente, já é hora de acabar com essa prática demagógica de castigar o coletivo pelo crime de um ou alguns indivíduos. Afinal de contas, o Avaí não jogou nenhuma bomba e, tenho certeza, não incentivou esse ato. O Criciúma, por sua vez, tomou todas as medidas possíveis e cabíveis na realidade sócio econômica brasileira para prevenir possíveis incidentes.

A Polícia Militar foi acionada para fazer a segurança nos acessos ao estádio e nas áreas externas e internas do mesmo, as torcidas foram devidamente isoladas, não apenas por alambrados como também por policiais militares e seguranças particulares contratados pelo clube.

Já assisti a jogos nos melhores estádios das capitais brasileiras, Europa e América do Norte, e não vi por lá nada que não tenha sido feito no Heriberto Hülse naquele domingo. Se houve falha de segurança no acesso aos torcedores do Avaí, todo mundo sabe que não foi do Criciúma, já que não coube ao clube fazer a revista.

Além disso, a imagem do fotógrafo Flávio Neves, publicada na edição de ontem do Diário Catarinense, mostra o exato momento em que os paramédicos iniciavam o atendimento ao torcedor atingido pela bomba. Pode-se perceber claramente que existia um alambrado separando as torcidas, que existia uma zona neutra de 30 a 50 metros de largura, que haviam policiais militares guardando a zona neutra, que a torcida do Criciúma não demonstrava atitude agressiva em relação à torcida do Avaí e, o mais impressionante, que diversos torcedores expressavam gestos de horror pelas imagens à sua frente.

Ao punir os clubes, o TJD está punindo de fato milhares de torcedores pacíficos e ordeiros do Avaí e do Criciúma. Primeiro porque as multas impostas aos clubes acabarão saindo do bolso desses torcedores, que efetivamente sustentam os clubes. Segundo porque a perda de mando de campo impedirá ou impossibilitará seu acesso aos jogos de seus clubes, muitos dos quais já pagaram pelo direito de assistir a eles, como é o caso dos mais de sete mil sócios do Criciúma.

Terceiro porque a transferência dos jogos para qualquer outro estádio em Santa Catarina, com exceção do Orlando Scarpelli e Arena de Joinville, implicará em realizar os jogos em estádios com condições de segurança inferiores às oferecidas nos estádios da Ressacada e Heriberto Hulse. Quarto e mais importante de tudo, porque a aplicação de penas como a de ontem deixa de lado o foco mais importante desse debate, que é a responsabilidade do indivíduo enquanto parte de uma coletividade ("eu erro, eles pagam" versus "eu erro, eu pago").

A resposta das forças de segurança do Estado e do sistema judiciário, identificando, prendendo e, esperamos, submetendo a julgamento e condenando os responsáveis pelo atentado, é a esperada de um estado de direito, prevista no código civil e exigida por toda a sociedade catarinense e brasileira, não apenas nesse episódio mas em tantos outros casos de violência e impunidade que assolam nosso dia a dia.

Gostaria muito de ser advogado. Se fosse, recorreria aos instrumentos legais de proteção dos direitos de todos aqueles que, como eu e minha família, foram agredidos naquele domingo e que, se formos impedidos de assistir a jogos de nosso clube, seremos agredidos mais uma vez.

Rui Inocêncio
Engenheiro

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