Benefícios e malefícios da alimentação vegetariana
Adeptos da dieta sem carne crescem cada vez mais
Por Mariana Noronha - mariana.noronha@engeplus.com.br
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A preocupação com a saúde e o meio ambiente vem cada vez mais formando adeptos à ter mais cuidados com a alimentação. Fugir dos conservantes, transgênicos e uma série de substâncias utilizadas em alimentos industrializados, e excluir alimentos de origem animal são opções que se tornam cada vez mais comum. Como as dietas vegetarianas, que excluem boa parte desses produtos. Mas, é preciso tomar alguns cuidados, para que seja realmente saudável optar por esta mudança.
Existem diversas linhas de alimentação vegetariana, as mais comuns são a ovolacteavegetariana, que não se consome carne, mas ovo e leite. E a vegana, mais extrema, sem o consumo de qualquer produto de origem animal.
"A ovolacteavegetariana é a mais indicada, pois mantém fontes proteicas. Quanto mais se restringe, é mais fácil ter carência nutricional", recomenda a a nutricionista Fabiane Fabris. "A vitamina B12, por exemplo, está mais presente em produtos de origem animal, sem o consumo dela pode se desenvolver patologias como anemia. As proteínas de origem animal são completas, nesses alimentos há a presença de aminoácidos essenciais e os não essenciais", aponta .
No entanto, segundo a profissional, essas dietas, quando orientadas a realizar combinações de alimentos que supram necessidades nutricionais, são muito mais benéficas que maléficas.
"É importante não excluir esses nutrientes, quem tem orientação em relação a combinação das proteínas vegetais, como o arroz com feijão que juntos também formam uma proteína completa, consegue suprir a necessidade. Outra opção é fazer suplementação, para evitar", diz.
Há estudos que apontam diversos benefícios nas dietas vegetarianas. "Reduz o colesterol, diminuiu propensão ao câncer, diminui índice de glicose sanguínea através da quantidade de fibras, frutas, verduras e legumes. Também ajuda no peristaltismo intestinal, e principalmente a prevenção de doenças cardiovasculares".
Ser vegetariano
A estudante de biologia, Tamara Schwartz Presa, de 23 anos, é vegana há quatro anos. Segundo ela, sua alimentação consiste em frutas, verduras, grãos, massas "e uma variedade de produtos que não têm indícios de dor e sacrifício, nem aos animais, ao ambiente e aos humanos".
Para ela, o consumo de carne é cultural e não faz falta. Além da opção ser um grande incentivo para cozinhar. "Os nutrientes que existem na carne existem também nos legumes, só que em quantidades diferentes, mas estamos sempre repondo com os complementos, que são a base bioquímica da coisa. Couve e laranja, por exemplo, são grandes exemplos de como podemos absorver o ferro", comenta.
O maior desafio de adotar a dieta vegetariana, para Tamara, é ser diferente. "A cultura manda muito nisso. Onde o que um faz, todo mundo faz. Acaba sendo natural e normal no dia a dia das pessoas. Mas, o legal de ter uma alimentação não convencional é que você brinca na cozinha. E chamo ela de alquimia do amor, porque cada refeição é uma alegria de se fazer. Todo dia se aprende algo", diz.
A falta de opções veganas e vegetarianas nos cardápios dos restaurantes também motivou a estudante de biologia em criar o Tamarindus Vital, com venda de salgados, pães e bolos sem origem animal.
"Sinto-me feliz por estar ajudando a mãe terra e vivendo em harmonia com todos os seres vivos que há nesse planeta, pelos quais me apaixono cada dia mais. E nisso estão os vegetais, que são minha base de sobrevivência, me alimentando com eles com sentimento de gratidão a cada sabor novo", conclui.
Por que as pessoas se tornam vegetarianas?
De acordo com o Ministério da Agricultura, o Brasil lidera o ranking de maior exportador de carne bovina do mundo desde 2008, sendo dono do segundo maior rebanho efetivo do mundo, com cerca de 200 milhões de cabeças.
A taxa de crescimento de produção da carne de frango, por exemplo, deve alcançar 4,22%, anualmente, nas exportações, com expansão prevista em 5,62% ao ano. Em quase todos os casos, esses animais são criados e confinados a viver uma curta vida apenas para servirem as mesas brasileiras, e de outros países.
Existem estatísticas que apontam o setor como o que mais consome água no mundo, consumindo pelo menos 15 mil litros de água para produzir um quilo de carne. Sem contar o gasto com cerais para alimentar e engordar esses animais, enquanto há regiões em que pessoas vivem em extrema miséria sem acesso à água, ou alimento.
A produção também interfere no meio ambiente. Mais de 80% do desmatamento da Amazônia brasileira deve-se à pecuária, ou seja, áreas desmatadas ocupadas por pastos para o gado. A área ocupada para plantio na Amazônia é de apenas 4%. Entre outros diversos fatores, como a proliferação de doenças zoonoses e o trabalho escravo. Mais informações aqui.



































