Engeplus
Tecnologia

Carros high-tech:

Carros high-tech: PCs sobre rodas

Por Redação Engeplus

5 min de leitura

Compartilhar:

Há pouco tempo, qualquer novidade tecnológica relacionada aos carros incluíam dispositivos como freios ABS, injeção eletrônica e, no máximo, um sistema que controla a aceleração do veículo. A expansão dos dispositivos eletrônicos nos últimos anos, porém, tirou a interação entre carros e tecnologia do campo técnico para integrar funções e confortos antes renegados à sua casa.

A invasão de dispositivos tecnológicos dentro do carro parecia ser um caminho natural, tanto para auxiliar o motorista ao assumir diferentes ações como para tornar as longas horas passadas em congestionamentos mais confortáveis com novas distrações.

Fora as funções técnicas, a corrente de novidades tecnologias que tem invadido os automóveis no mercado internacional se foca em dois caminhos: a facilidade na localização e na obtenção de informações e o entretenimento do usuário durante as viagens.


Publicidade

A principal novidade dos chamados carros high-tech investe em ambas as categorias. Os computadores de bordo deixaram de ser um mero devaneio dos filmes e séries de ficção científica, como o Batmóvel ou a SuperMáquina e já representam uma ferramenta para ajudar os motoristas.

Filme nenhum, porém, por mais entusiasta que fosse, imaginaria as funções que um computador de bordo assumiria dentro dos veículos.

Graças à interação dos veículos com redes de alta velocidade, como wireless ou mesmo WiMax, o computador de bordo faz o papel de central tecnológica do veículo para traçar caminhos segundo notícias sobre o trânsito publicadas online, apontar a localização do veículo e mesmo, com a ajuda de pequenos dispositivos colocados pelo chassi, ajudar a estacionar o carro.

As possíveis funcionalidades disponíveis em um carro high-tech já despertaram o interesse de grandes companhias de tecnologia. A Siemens tem uma divisão chamada Vereinigte Deuta OTA (VDO) que estuda apenas sistemas de informações para veículos.

Mesmo em menor grau, a Microsoft e a Apple também já começaram a se preparar - enquanto a primeira anunciou uma versão do Windows para aplicações móveis, a empresa de Steve Jobs fechou contrato com inúmeras montadoras para acoplar adaptadores para iPods nos veículos.



A localização do usuário pelo computador de bordo já é realidade em países como o Japão e os Estados Unidos. A maioria dos equipamentos embarcados funciona como o StreetDeck, da empresa norte-americana Mp3Car, que conta com um sistema de posicionamento global (GPS,em inglês) para definir a posição do usuário e traçar o caminho pretendido em mapas virtuais reproduzidos na tela de cristal líquido instalada no painel do carro.

Em terras orientais, a Honda anunciou que seu sistema de navegação "InterNavi Floating Car System" usará os mapas do Google Maps para direcionar o usuário pelas ruas de Tóquio, Nagoya e Osaka.

Fora a navegação por rotas virtuais, computadores de bordo também aproximam os veículos dos computadores de mesa, com a inclusão de portas USB, suporte às redes Bluetooth e wireless e o monitoramento em tempo real do motor e outros componentes do veículo, como faz o StreeDeck e, sem tantas funções, modelos similares de empresas como Garmim, Lowrance e Magellan.

A necessidade de controle de tantas novas funções também faz com que as montadoras mexam no design interno dos carros para que novos controles sejam introduzidos. Modelos já presentes no mercado norte-americano, como o S550, da Mercedes Benz, trazem sistemas, como o COMAND, em que o usuário navega pelas funções disponíveis na tela LCD por um botão giratório ao lado do câmbio.

O automóvel da Mercedes também apresenta outro uso da tecnologia que aposentou a ação humana. Em uma chuva forte, o próprio veículo liga o limpador de pára-brisas, com velocidade de acordo com a intensidade da água que cai. Acabada a chuva, os limpadores param e o próprio veículo liga o ar interno para evitar o embaçamento dos vidros.

A tecnologia também deve aplacar o terror de milhões de motoristas: a baliza. O modelo Prius, da Toyota, já disponível no mercado japonês, conta com um sistema que "escaneia" a fila de carros estacionados para procurar uma vaga. Ao encontrar, o motorista aciona a função para que o veículo entre sozinho na vaga. A montadora já anunciou que pretende levar o modelo para os Estados Unidos no primeiro semestre de 2006.



Publicidade

Já a Honda pretende, com seu novo Sistema Avançado de Assistência ao Motorista (ADAS, na sigla em inglês), que o usuário relaxe ao entrar em uma rodovia. Segundo a empresa, a tecnologia, sem data prevista para estrear, poderá calcular a distâncias entre os carros e movimentos e mudar de faixa automaticamente caso um veículo apareça na sua traseira em grande velocidade.

Na prática, a inclusão de componentes do PC para o carro, junto ao acesso às redes de alta velocidade, permite que o usuário aproveite funções dentro do veículo antes renegadas ao micro.

É possível, por exemplo, ter relatórios em tempo real sobre as funções do automóvel - como a temperatura do radiador, a condição do óleo do motor ou quantos quilômetros é possível rodar com o combustível restante no tanque.

Ainda que longe, o Sassou é uma aposta da montadora Mazda neste sentido. O carro-conceito não tem chave: o motor é ligado após o usuário conectar seu memory key encriptado. Relatórios sobre o automóvel, além de músicas do usuário, são guardados no disco rígido interno oferecido junto com o carro.

Em um futuro mais distante, a maior integração entre os automóveis e as redes sem fio poderá colocar no chinelo o limitado uso das caixas de som do aparelho de som para receber chamadas do celular pela interface Bluetooth, por exemplo. Não seria loucura demais pensar em motoristas que sintonizem rádios online ou baixem conteúdo específico para automóveis, como diferentes buzinas ou alarmes.

A aproximação do carro em PC também apresenta o lado maligno que faz com que milhões de usuários se preocupem com seus micros de mesa. Um sistema operacional responsável pela navegação e pelo monitoramento das funções do veículo, com suas entradas USB, seu acesso à web e seu suporte à interface Bluetooth, ainda é suscetível a pragas virtuais.



Compartilhar:
Leia a seguirEtiquetas inteligentes podem conter vírus
Publicidade