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Saúde

Criciúma

Casa Guido celebra 15 anos e anuncia criação de núcleo de pesquisa em câncer infantojuvenil

Instituição comemora trajetória com evento especial

Por Jessica Rosso Crepaldi

6 min de leitura

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Foto: Divulgação/Casa Guido

A Casa Guido, em Criciúma, celebrará 15 anos no dia 21 de novembro com a soltura de 15 balões e um bolo de 15 quilos. A instituição, que tem como propósito oferecer qualidade de vida a crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer — além de acolher suas famílias — se prepara para dar mais um passo em direção à sua essência e fortalecer ainda mais o trabalho que realiza.

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Conforme o presidente da Casa Guido, Rogério Campos, a instituição está consolidada, e agora há um compromisso para os próximos 15 anos, de aumentar o índice de sobrevida. “É um trabalho muito árduo, muito grande. Mas nós estamos no caminho. Criamos o programa do diagnóstico precoce, onde a gente já conseguiu investigar 23 crianças, sem mesmo ter o diagnóstico. Nós já conseguimos interferir e agilizar a investigação dessas crianças”, afirmou.

De acordo com Campos, o ano de 2026 iniciará com alguns encontros visando a criação de um núcleo de pesquisa do câncer em crianças e adolescentes. A iniciativa terá a parceria da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) e dois hospitais, o GRAACC de São Paulo e o Boldrini, de Campinas, que é considerado um dos maiores centros de pesquisa da América Latina, segundo o presidente.

“A ideia é realmente entrar nessa luta junto com eles e aproveitar o que já funciona bem lá, trazendo esses resultados para a nossa região. Esse é o primeiro passo, e será o nosso foco nos próximos anos. Além de continuar oferecendo qualidade de vida, queremos contribuir ativamente na busca pela cura”, pontuou.

O presidente comentou ainda que o número de casos está aumentando. “Nós temos pacientes de seis meses de idade. Como que uma criança nessa idade tem câncer? O nosso papel é levar essa informação de um modo não muito invasivo, mas as pessoas precisam realmente saber que existe, porque os sintomas aparecem, e muitas vezes não queremos enxergar ou investigar, porque todo mundo tem receio”, ressaltou.

A porta de entrada

Rogério Campos, presidente da Casa Guido (Foto: Jessica Rosso Crepaldi/Portal Engeplus)

O primeiro contato de Rogério Campos com a Casa Guido foi para oferecer um serviço de gestão financeira, mas acabou sendo algo desafiador e tornou-se uma missão de vida.

“As portas abriram e continuam abertas até hoje”, relembrou. Desde então ele completou dez anos como voluntário, e cinco, como presidente.

No início, a decisão de continuar e enfrentar os próximos anos fazendo parte da história da instituição veio após ele conhecer uma paciente de 2 anos e 7 meses.

“No meu primeiro contato com a Casa Guido, conheci uma criança que tinha acabado de fazer uma cirurgia muito invasiva e estava com uma faixa na cabeça. Sempre tive receio de pegar uma criança com câncer, é uma coisa realmente muito forte, e peguei, fiquei com medo, receio e me emocionei, porque eu não estava preparado e cada vez que eu ia até lá, ela estava. Depois descobri, no decorrer do tempo, que ela nasceu no mesmo mês que eu, tinha o mesmo signo, o meu sobrenome e faleceu no dia do meu aniversário. Aquilo ali para mim foi bem impactante e fez com que eu pensasse: acho que isso é um propósito, algo divino, que está me fazendo realmente enxergar algo que eu não estava vendo", detalhou.

Voluntários

Atualmente, a Casa Guido possui 17 colaboradores fixos, e destes 12 são diretores ativos. Além disso, conta com uma equipe de 18 voluntários fixos, fundamentais para o funcionamento da instituição. “Os voluntários são muito importantes. Toda semana eles vão na Casa Guido e se revezam. Nas quintas-feiras eles vão no hospital e ficam no período da tarde com pacientes, muitas vezes brincando à tarde inteira, enquanto os pais vão descansar”, comentou Campos.

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O presidente relatou a história de uma voluntária que, no início, acreditava não ter preparo emocional para atuar na instituição, mas que hoje é uma das mais engajadas. “Hoje ela vai na brinquedoteca, vai em todos os departamentos da Casa Guido, visita pacientes no hospital, e tem contato com as famílias. Ontem, ela teve o privilégio de acompanhar o toque de um sino de uma criança que passou por toda a fase de quimioterapia. Hoje, ela está muito feliz que participou desse momento que não acreditava que seria capaz”, contou. Segundo Campos, esses momentos fortalecem e dão força para seguir trabalhando em prol da instituição.

No momento, a Casa Guido atende 64 crianças e já recebeu 400 famílias da região da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec), Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (Amesc) e a Associação dos Municípios da Região de Laguna (Amurel).

Celebrando 15 anos

Para celebrar a data tão especial, na próxima sexta-feira, às 15 horas, a Casa Guido irá promover uma festa ao lado da comunidade. O convite é estendido aos pacientes atuais e os que já não fazem mais parte, funcionários, voluntários, fundadores, doadores e todos aqueles que simpatizam com a causa.

O evento irá ocorrer na própria sede da Casa Guido, e irá contar com um cerimonial especial de aniversário, contando a trajetória da entidade, além de um coquetel, corte do bolo e o momento do ‘parabéns’, ao lado de todos aqueles que fazem parte desta história.

Quando tudo começou

A história iniciou em 2009, quando Tiago Nava, um médico hematologista pediátrico se mostrou disposto a ir além dos atendimentos em oncologia pediátrica no Hospital São José e teve a ideia inicial de criar uma organização capaz de oferecer uma estrutura que fosse além do assistencialismo. Ele estava determinado a trazer o tratamento de câncer pediátrico para a cidade, mas logo percebeu que era necessário mais do que tratamento médico.

E desde 2010, a Casa Guido tem sido um farol de esperança para famílias em busca de tratamento. O espaço oferece não apenas acolhimento, mas também suporte, com uma estrutura com dormitório e ambiente para fazer as refeições para aqueles que estão longe de casa, oferecendo também serviço de lavanderia.

A instituição auxilia também com todas as despesas, entre elas o transporte, medicamentos, consultas e exames, além do atendimento psicossocial, fisioterapia, nutrição e orientação jurídica, criando um ambiente onde o amor é mais forte do que o câncer.

"É impossível falar desta celebração sem honrar aqueles que iniciaram esta trajetória. A coragem, a visão e o amor que os fundadores da Casa Guido dedicaram a essa causa foram a semente que germinou e cresceu, transformando vidas e trazendo esperança para tantas crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer. Seu legado é a base sólida sobre a qual continuamos construindo", observou o presidente.

Dentro da instituição também há uma brinquedoteca, onde são realizadas atividades lúdicas e as crianças podem ter um tempo para se distrair. A diretoria, funcionários e voluntários se unem para criar um ambiente de cura verdadeira.

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