Por Denis Luciano - denis.luciano@engeplus.com.br
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Antigas casas com traços coloniais de idos anos e muitas histórias testemunhadas são parte dos cenários de um curta-metragem criciumense e filmado na região. Foi na velha residência do saudoso bisavô de Nério De Mattia, ou então no casarão da família do arquiteto Nivaldo Hipólito, entre outros inúmeros pontos, que o claquete disparou algumas vezes para anunciar as gravações de cenas de “Domingos Bugreiro”, o filme inspirado no conto de Leandro de Bona Dias e roteirizado pelo cinéfilo e agora diretor de cinema Sander Hahn.
A etapa de gravações foi encerrada faz poucos dias. “Estamos felizes, a produção atuou em alto nível, temos certeza que o público vai se surpreender com o resultado final”, comemora Hahn. A película parte agora para as edições de áudio e vídeo para então alcançar os acabamentos. “Esperamos em dezembro estar em condições de rodar nas salas de cinema”, projeta.

“É um filme histórico, que conta a matança promovida contra os índios da tribo Xokleng em toda a região quando da chegada dos imigrantes europeus”, sintetiza o diretor. O professor e biólogo Marcelo Zappelini, que participou de todas as etapas da produção, até como ator, lembra que o filme remonta a passagens da segunda metade do século 19. “Em 1878 é fundada Urussanga, a partir de Azambuja. Antes disso começa esse processo de chegada dos homens brancos que entendiam ser o índio um ser sem alma, portanto deveria ser exterminado”, recorda Zappelini.
Domingos Bugreiro, personagem do conto que inspirou a obra e interpretado pelo próprio Sander Hahn, é um matador contratado pelo governo para auxiliar na dizimação dos índios, os chamados bugres. “A mortandade foi muito violenta na época, o índio se defendia de arco e flecha e os matadores atacavam com armas”, detalha.

Talentos locais mostram a cara no filme. "Um deles é o Edi Balod, que faz o papel de um homem ligado ao governo que paga os bugreiros para matar os índios", antecipa Marcelo Zappelini. Uma das apostas do filme está no bom investimento em produção qualificada. “Contratamos um ótimo diretor de arte, um ótimo diretor de fotografia, a maquiagem do filme está impecável, a cenografia também, os figurinos ficaram muito adequados”, menciona Hahn. “Ficou literalmente coisa de cinema”, brinca. São trinta personagens que integram o curta-metragem, que terá ao final da edição vinte minutos de duração.
O projeto foi viabilizado graças a um edital da Fundação Catarinense de Cultura. “Fomos aprovados com um subsídio de R$ 90 mil que nos foi fundamental. Concorremos com mais de 80 projetos”, informa o diretor. Hahn revela o próximo sonho. “É sonho alto. Queremos fazer um longa metragem a partir do ano que vem. Já temos bons roteiros e coragem suficiente, sem medo. Queremos encarar”, conclui.



































