Censo de
Censo de 2010 versus Economia Regional: considerações preliminares
Por Redação Engeplus
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Ademar José Fabre *
Os números de Censo de 2010, há pouco divulgados, guardam bastante coerência, no que toca ao município de Criciúma, com o desempenho de sua economia nos últimos 10 anos.
No intervalo censitário 2000 / 2010, Criciúma teve sua população elevada de 170.420 para 191.473 habitantes, o que representa 12,35% de crescimento decenal e 1,17% anual, a menor taxa de incremento registrada pelo município nos últimos 60 anos, ou o 9º lugar em crescimento populacional entre os 10 maiores do território catarinense.
Com base nos números do movimento econômico, sua economia no período (1999 / 2009) cresceu praticamente nas mesmas bases: 12,36%, atualizados os números de 1999 pelo Índice Geral de Preços da FGV (IGP-DI). Com esse pífio desempenho, o município caiu do 6º lugar em índice de retorno de ICMS em 1999 para a 10ª posição em 2009 no grupo dos 10 mais do estado.
Uma análise ligeira dos dados censitários permite visualizar um grupo de municípios catarinenses com taxas de crescimento anual acima da taxa estadual (1,44%) e que tiveram, na última década, bons índices de crescimento econômico. São eles, Brusque (3,17%), Palhoça (2,82), Jaraguá do Sul (2,76), Chapecó (2,21), Itajaí (2,15), Joinville (1,72), Florianópolis (1,68) e São José (1,60).
Na região carbonífera, todos os municípios, com exceção de Cocal do Sul, tiveram desempenho econômico superior a Criciúma, no decênio considerado e alguns deles também obtiveram taxas anuais de crescimento demográfico superiores ao da sede da microrregião: Forquilhinha (2,06%), Içara (1,91) e Nova Veneza (1,45). Pode-se deduzir, pois, que o crescimento demográfico menor que em décadas anteriores, no município, teve relação direta com o desempenho econômico.
Vale dizer, na fase do boom econômico – anos 1970 / 1980 – Criciúma conheceu elevadas taxas de crescimento demográfico, explicadas pela oferta de empregos e atração de imigrantes. A partir dos anos 90, os empregos escassearam e o movimento migratório inverteu-se.
Esse crescimento desigual explica o fato de Criciúma vir perdendo representatividade econômica, ao longo dos últimos 15 anos, frente ao conjunto dos municípios da microrregião. Ou seja, enquanto a sede da Amrec vem mantendo 49/50% da população microrregional, no movimento econômico esse percentual era de 52,8% em 1994, caiu para 47,7% em 1999 e em 2009 reduziu-se a 38,6%.
Quando esses números negativos sobre o desempenho econômico do município são exibidos, costumam suscitar dúvidas e questionamentos do tipo: se a construção civil está de vento em popa, se a cidade está ganhando novos e grandes supermercados, se o comércio em geral vai bem e os serviços se expandem, como se pode dizer que a economia do município vai mal?
A resposta à questão não é simples, nem segura. Sugerem-se algumas causas prováveis: o setor industrial, um dos maiores propulsores do movimento econômico vem crescendo pouco, há indicadores do fato, como o baixíssimo índice de licenciamentos para construção civil industrial.
Após a fase da euforia industrial dos anos 70/80, o setor perdeu dinamismo, rarearam os investimentos de fora e muitos empreendimentos da cidade foram deslocados para municípios vizinhos, atraídos por espaços maiores e incentivos econômico-fiscais.
No entanto, a falta de expansão do secundário tem sido compensada pelo crescimento do setor terciário como segue: o porte da cidade e sua prerrogativa de pólo do sul, sediando o maior centro comercial e de serviços da macrorregião, como os de saúde, educação, segurança, comunicações e outros, conseguem compensar o pequeno crescimento do setor industrial.
Dessa forma, pelo grau de centralidade e polarização exercida, a cidade-sede da Amrec atrai, para o seu comércio e serviços, boa parte dos excedentes econômicos das cidades vizinhas, cuja maioria, bem servida de rodovias, situa-se num raio de até 20 quilômetros. Essa clientela de Criciúma também inclui algumas cidades dos vales do Araranguá e Tubarão.
Em face do exposto, pode-se concluir que um dos principais caminhos para a retomada do crescimento econômico e da melhoria dos índices de retorno de tributos deve ser o soerguimento do setor industrial, hoje muito distante do dinamismo de outras décadas.
Para tanto, cabem ações decisivas dos poderes legislativo e executivo para atrair investimentos da espécie para o município, a partir da conclusão urgente do plano diretor urbano, que definirá o novo zoneamento e uso do solo do município.
Essas medidas haverão de permitir a retomada do crescimento da economia municipal, com o restabelecimento do equilíbrio entre os setores produtivos.
* Economista / Mestre em Desenvolvimento Regional e Urbano / E-mail: ajfabre@mail.com
