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Saúde

Cirurgia bariátrica

Cirurgia bariátrica proporciana vida nova para pessoas obesas

Além de perder peso, pacientes operados reduzem complicações de saúde e ganham disposição

Por Redação Engeplus

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A criciumense Edna Ferreira Baggio pesava 134 quilos há um ano e quatro meses. O excesso de peso a impedia de usar calça jeans, cruzar as pernas, amarrar o sapato sozinha, além de trazer complicações para andar e causar ronco intenso. Depois de tentar várias dietas e consultar diversos especialistas, ela resolveu fazer a cirurgia bariátrica (redução de estômago). Hoje, Edna está com 69 quilos e faz questão de dizer para todos o quanto está satisfeita com a mudança.

"Nunca vou esquecer de uma frase que o médico disse na minha primeira consulta: Você está dentro de um avião que está caindo. Vou te dar um paraquedas, mas só você decide se quer usá-lo ou não. Isso me emocionou porque minha saúde estava complicada e hoje tenho outra vida. Algumas pessoas não me reconhecem porque perdi muitos quilos. Uma sensação ótima é quando vou comprar roupas, pego o tamanho G, mas a vendedora diz que o M serve em mim", brinca ela.

Edna é paciente do doutor Leandro Avany Nunes, médico clínico e especialista em cirurgia do aparelho digestivo. Ele tem mais de 11 anos de trabalho e conta que realiza em torno de 25 cirurgias bariátricas por mês, sendo que já teve mais de mil pacientes operados. A fim de tirar ainda mais dúvidas dos pacientes, ele promove encontros mensais entre pessoas que já fizeram a cirurgia e outras que se preparam para fazer isso. Acompanhe abaixo a íntegra da entrevista feita com o médico.

Portal Engeplus: Quem pode fazer esses procedimentos que visam o emagrecimento? Geralmente que tipo de pessoa procura essas intervenções?
Leandro Avany Nunes: Muitos pacientes procuram a clínica, desde aqueles que têm o sobrepeso até os que têm obesidade mórbida. São dois tipos de tratamento: o balão intragástrico para pacientes com sobrepeso e obesidade leve; e a cirurgia bariátrica (redução de estômago) para quem já está com obesidade mórbida. Descobrimos esses fatores através do cálculo do Índice de Massa Corpórea (IMC). Quem tem o IMC acima de 25 já está com sobrepeso; e quem tem o IMC acima de 40 já se enquadra na obesidade mórbida. Há ainda os pacientes com IMC maior do que 35, mas com diabetes, pressão alta, apneia do sono, por exemplo, e essas são comorbidades em que é recomendada a cirurgia.

PE: Quais são os prós e contras da cirurgia?
LAN: Os prós são o emagrecimento com saúde e a permanência do baixo peso, enquanto em outros métodos de tratamento clínico o paciente tem muito mais chances de voltar a engordar. Os contras são as complicações da cirurgia, pois toda cirurgia tem complicação, então devem ser tomados alguns cuidados. Entre as complicações desse tipo de cirurgia estão as fístulas, trombose, embolia, situações que podem acontecer, mas que, hoje, gira em torno de 0,1% o índice de complicações nos pacientes operados, até porque a cirurgia é feita através de videolaparoscopia.

PE: Em qual faixa etária é recomendada a cirurgia de redução de estômago?
LAN: A idade mínima é de 16 anos e máxima de 65 anos. Antes dos 16 anos recomendamos que o paciente acima do peso faça outros procedimentos. Caso não resolva, ele pode fazer a cirurgia depois dos 16 anos.

PE: No caso dos dois procedimentos para emagrecer, a procura maior é dos homens ou das mulheres?
LAN: A obesidade é meio homogênea, tanto em homens como em mulheres, mas quem mais procura são as mulheres. Por razões naturais, pois elas são mais cuidadosas com a saúde, mas também porque elas têm maior preocupação com a estética. No entanto, esses tipos de procedimentos não devem ser feitos por quem deseja apenas melhorar a estética, eles são para quem precisa melhorar sua saúde, sua condição de vida, por isso a cirurgia, por exemplo, é feita somente nas pessoas com IMC acima de 40, pois são aquelas que já estão com problemas de saúde, como diabetes, pressão alta, infarto, isquemia.

PE: Além do Índice de Massa Corpórea, o que mais deve ser avaliado para que a pessoa possa fazer a cirurgia bariátrica?
LAN: O paciente passa por uma avaliação com nutricionista, psicólogo, cardiologista, gastroenterologista, endócrinologista, além de fazer exames como hemograma (sangue), endoscopia, ultrassom, eletrocardiograma, raio-X de tórax, polissonografia para saber se tem ou não apneia do sono, entre outros. Com todos esses exames feitos e analisados, o paciente pode fazer a cirurgia.

PE: No caso do balão intragástrico, o procedimento é o mesmo?
LAN: Não, para o balão são pedidos exames bem simples de sangue e avaliação nutricional e psicológica, sem a necessidade da mesma gama de exames. A colocação do balão não se trata de uma cirurgia, é uma intervenção através da endoscopia.

PE: Como é a recuperação do paciente após a cirurgia de redução?
LAN: O paciente fica internado dois dias, não há cortes, são pequenos furos de cinco milímetros no abdômen, e ele deve fazer acompanhamento médico pelo resto da vida, mas com retorno a cada três meses no primeiro ano, seis meses no segundo e depois uma vez por ano.

PE: O que é mais difícil na adaptação do paciente depois da bariátrica?
LAN: O primeiro mês é o mais difícil em virtude da adaptação à alimentação porque a dieta é só líquida no primeiro mês. Depois ele passa para a dieta sólida e essa adaptação é mais fácil.

PE: É possível reverter esses procedimentos?
LAN: Sim, todas as cirurgias são reversíveis, é difícil, mas reversível, de acordo com o desejo do paciente.

PE: Sobre os encontros, ocorrem onde e quando? Quem participa?
LAN: Acontecem mensalmente na clínica mesmo e todos os pacientes que já operaram são convidados, assim como os novos pacientes que estão em consulta na clínica e desejam fazer a cirurgia. Os encontros contam com nutricionistas, psicólogos, cirurgiões, cirurgiões plásticos. É importante que todo paciente novo participe de, pelo menos, uma reunião, pois é onde ele tem a oportunidade de fazer perguntas, não somente para os médicos, mas para outros pacientes que já passaram por isso e podem relatar sua experiência. Pessoas que fizeram a cirurgia há dez anos, dois anos, um mês, poderão responder as dúvidas de quem vai fazê-la em breve.

* Leandro Avany Nunes atende na clínica Mova - Medicina da Obesidade e Videocirurgia Avançada -, localizada no bairro Próspera, em Criciúma. Acesse o site do especialista.

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