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Colisão acidental com embarcações pode ter causado a morte de botos em Laguna, diz o IMA

Casos foram registrados no final do mês passado. Vítimas dos acidentes são dois filhotes

Por Thiago Hockmüller

3 min de leitura

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Foto: Divulgação/IMA

No final do mês de fevereiro, dois botos foram encontrados mortos em Laguna. E um dos casos chamou atenção em função do comportamento de uma fêmea ao não abandonar o filhote. De acordo com o Instituto do Meio Ambiente do Estado de Santa Catarina (IMA), a necropsia constatou que ambos os animais apresentavam fraturas que podem ter sido ocasionadas por colisões contra embarcações.

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O primeiro boto-pescador encontrado morto era macho, tinha entre 15 e 20 dias de vida, media 1m45 e pesava cerca de 32 quilos. Na avaliação, foi observado trauma mecânico craniano, estômago vazio e órgãos sem alterações.

No outro caso, segundo a equipe do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS/Udesc), que atendeu a ocorrência, tratava-se de um filhote macho de boto-pescador, residente na Lagoa de Santo Antônio dos Anjos. Ele tinha pouco mais de 30 dias de vida e apresentava marcas pelo corpo, algumas oriundas de atrito com pedras, além de uma fratura de grande extensão no maxilar e desgastes na mandíbula.

“Há um ano não havia registro de morte de boto-pescador, desde a elaboração do Plano de Ação Estadual para Conservação da espécie. Em 2018, 16 botos foram encontrados mortos, 10 da população de Laguna. Destes, em três foi identificada interação com petrecho de pesca, um dos principais focos da fiscalização do IMA e das entidades parceiras como Ibama e Polícia Militar Ambiental”, informa o IMA.

Medidas preventivas

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Para evitar novos registros de mortes de boto-pescador, o IMA, em parceria com as demais instituições que integram o Plano de Ação Estadual para Conservação do boto-pescador, alerta os usuários de equipamentos náuticos, como lanchas e jets skis, para evitar circular pelo complexo lagunar Santo Antônio dos Anjos-Imaruí-Mirim, e pelo Canal da Barra, em Laguna. Quando for necessário passar pela região, os pilotos das embarcações devem redobrar a atenção e obedecer a velocidade limite.

O complexo lagunar é o local onde reside a população de botos-pescadores, estimada entre 52 a 60 indivíduos, que protagoniza um tipo de relação ecológica rara ao cooperar na pesca da tainha. Ao identificar os cardumes, os botos mandam sinais aos pescadores por meio do mergulho ou batendo a cabeça, indicando a presença dos peixes. E então é só jogar a tarrafa.

O IMA segue realizando vistorias na região para garantir a conservação da espécie. No dia 17 de fevereiro, durante uma das fiscalizações foram apreendidas 14 redes irregulares no Rio Tubarão, sendo nove redes de emalhe irregulares e cinco redes do tipo jerival para pesca de camarão, essas em flagrante. Um homem foi notificado e intimado a comparecer à Polícia Militar Ambiental.

O Plano

O Plano de Ação Estadual para Conservação do boto-pescador foi elaborado pelo IMA em conjunto com diversas instituições, incluindo órgãos de pesquisa, controle e gestão, em esfera municipal, estadual e federal, e organizações da sociedade civil, as quais estão envolvidas em ações para conservação do boto-pescador. Publicado pela Portaria Nº 214/2019 – IMA de 14 de outubro de 2019, tem como objetivo geral promover a conservação do boto-pescador (Tursiops gephyreus) no Sistema Estuarino Lagunar, localizado na região Sul do estado de Santa Catarina e composto pelas lagoas Santo Antônio, Imaruí e Mirim.

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