Oportunidades
Com dificuldades impostas pela pandemia, profissional se reinventa e dá aula de pilates online
Ela se mudou de Novo Hamburgo (RS) para Siderópolis no início do ano, antes da quarentena
Por Redação Engeplus
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São várias as situações que ocorreram no início da pandemia de coronavírus ou que continuam acontecendo, deixando muitas pessoas surpresas ou até mesmo ‘sem chão’. A gaúcha Virgínia Lazzarin é fisioterapeuta e instrutora de pilates, e exatamente um mês antes do decreto que colocou Santa Catarina em quarentena ela se preparava para se mudar de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, para Siderópolis, em Santa Catarina, onde sua família reside. Nos dias em que ela já estava em sua nova morada, no final do mês de fevereiro, não imaginava que o que estava para acontecer seria uma mudança muito maior tanto em sua vida pessoal quanto profissional.
“A ideia era montar o estúdio de pilates em Siderópolis, mas não foi possível em função da pandemia”, contou. A fisioterapeuta também atenderia em uma clínica em Criciúma, mas quando estava prestes a começar, veio a pandemia. Diante dos acontecimentos, ela observou durante duas semanas colegas fechando seus espaços físicos de atendimento, e tendo que atender de outras formas (online).
Motivada por pessoas ao seu redor, Virgínia tomou uma decisão: se reinventar, aprender, buscar o novo, empreender de uma forma diferente. Embora não fosse possível colocar seu sonho em prática, ela improvisou, e se adaptou.
“Confesso que no começo eu achava que não daria certo, que não era correto dessa maneira, e aí veio um decreto do nosso conselho autorizando atendimento com pacientes que já tinham feito a consulta presencial e aí poderia seguir, e aí eu experimentei e gostei”. É claro que ela enfrentou desafios, já que é pouco conhecida na cidade, por ter chegado a pouco tempo, e não ter tido tempo de fazer divulgação de seu trabalho.
“Então comecei a atender as pessoas que ficaram lá em Novo Hamburgo, que não se adaptaram com outros professores de pilates ou com outro atendimento. Cada pessoa reage de uma maneira, cada corpo reage de uma maneira, algumas pessoas compreendem o que você pede e outras não, então temos que ser muito mais detalhistas nesse momento”.
Apesar de todos os desafios, ela comemora que tenha dado certo. "Todo mundo comentando ‘foi muito bom’, ‘nossa estou me sentindo muito melhor’, e foi bem naquela semana que ninguém saía mesmo de dentro de casa. As pessoas estavam acostumadas a ir dar uma caminhada e nem isso mais estavam fazendo. Então fez muita diferença nesse ponto, em que as pessoas viram que era uma forma de se movimentar de uma forma segura, porque já me conheciam, já sabiam do meu trabalho, do meu jeito”, disse.
A amiga convidou duas amigas, que convidaram outras amigas...
Hoje a profissional atende 13 alunos, sendo que seis mulheres moram em Miami, na Flórida. O segredo foi a indicação, que deu resultado. “Tenho uma grande amiga que mora em Miami, e ela topou fazer. Fizemos um mês de aula e aí ela convidou duas amigas para fazer uma aula. Porque lá estava tudo fechado”, lembrou e complementou dizendo que até aquele momento achava que não funcionaria com alguém que não conhecia.
Mat Pilates - a modalidade
A profissional está trabalhando com seus alunos a modalidade mat pilates (pilates no solo), que é possível fazer em um pequeno espaço, sem grandes acessórios (aparelhos), utilizando coisas que os alunos possuem em casa (tapete, cabo de vassoura). “A gente usa o que tiver em casa, mas é possível fazer muita coisa sem um acessório”, explicou.
Faça online, mas em tempo real e com acompanhamento
A profissional também comentou que o que está ocorrendo muito na atualidade é que as pessoas assistem a vídeos gravados na internet e tentam reproduzi-los, o que para ela não é correto. E qual é o problema disso?
“É que você não tem a correção do movimento, do exercício. Ao vivo e individual é outra coisa. Não dá para dar uma aula para quatro pessoas ao mesmo tempo, no máximo duas pessoas no mesmo horário. Eu recomendo fazer online, contanto que seja com um profissional com capacitação para isso e que seja em tempo real. É muito fácil de se machucar para quem nunca fez nada. Eu gosto de demonstrar o exercício para você visualizar o que eu estou fazendo, e aí eu paro, e você começa. Fico olhando o seu movimento na televisão pra ir corrigindo”. A fiseoterapeuta explicou que conectou o computador na televisão para poder ampliar o movimento do aluno. Uma aula com ela dura a média de 45 a 50 minutos.
Sobre o futuro da área no pós pandemia, a profissional é positiva. “Sempre vai depender do que o nosso conselho autorizar ou não, mas essa modalidade está lá em trâmites para que possamos fazer esse tipo de atendimento à distância”.
Coisas da vida
A história de Virgínia Lazzarin poderia ter sido diferente. Na semana passada ela ainda comentava com a mãe, que faz parte do grupo de risco, que talvez nunca teria descoberto essa nova forma de atender seus alunos, caso ainda estivesse em Novo Hamburgo. Ainda assim, ela também não teria como saber sobre como estaria a sua situação em sua antiga cidade, já que por lá, as regras também mudaram com a pandemia.
“Eu estaria com o estúdio, mas financeiramente hoje eu estou muito pior, em vista do ano passado nessa época. Mas eu poderia estar pior ainda estando lá, tendo o aluguel tanto do estúdio quanto da casa”. São muitas as possibilidades do que poderia ter acontecido, mas apenas um desfecho do que aconteceu. Ela contou que sabia que seria difícil, até porque demora para fazer seu nome em uma nova cidade, mas jamais imaginou que tudo aconteceria dessa maneira. Tanto é que hoje ela atende mais pessoas longe de onde vive, utilizando da tecnologia.
“A pandemia me fez enxergar que a gente consegue trabalhar de outras maneiras, essa coisa de se reinventar ficou muito na moda dizer isso. Eu senti literalmente na pele que isso aconteceu”, finalizou a profissional que segue conquistando seu espaço.
Ficou interessado? Para entrar em contato com a profissional o telefone é (48) 51 996693522.



